quarta-feira, 6 de setembro de 2017

156 – NÃO FOI NO GRITO

O EXERCÍCIO GRATUITO e APARATOSO da VIOLÊNCIA do ESTADO, em SETEMBRO de 1817 e em 2017. 
quantas mais pessoas forem presas, por causa daquela rebelião, tanto mais se inculca ao publico a sua importância

Correio Braziliense setembro de 1817 VOL. XIX. No. 112. Miscelânea p. 313.

Esboço de ANTÒNIO PARREIAS para o quadro JULGAMENTO do Padre MIGUELZINHO
Fig. 01 –   O Padre MIGUELINHO foi remetido de RECIFE para SALVADOR – Bahia – onde recebeu á condenação a morte  das mãos do CONDE dos ARCOS.  Sem acesso aos documentos e sem advogado para providenciar o REGIME COLONIAL o puniu exemplarmente. Os comerciantes de SALVADOR respiraram aliviados com a eliminação física deste potencial perigo aos seus negócios. A pena NÂO FOI executada no GRITO graças ao imenso controle que a vítima manteve ao longo do seu julgamento e do seu fuzilamento.

Tanto em setembro de 1817, como em 2017, a gradativa perda de um projeto coletivo foi substituído pelo exercício  gratuito e espetaculoso da violência apenas para manter FUNCIONAMENTO o SISTEMA INÍQUO com o objetivo de MANTER os SÓCIOS no PODER num CONTROLE INSTÁVEL  e QUESTIONÁVEL   
"¿porque se mandam para aqui os prezos ?, ainda o naõ sei; e me parece, que o seu processo devia ser feito em Pernambuco; pois lá he que se podem achar as provas de suas culpas ou inuocencia. Porém isto mesmo faz crescer o apparato.

Os presos remetidos para Salvador em setembro de 1817 ou para Curitiba setembro de 2017, estão distantes das provas acusatórias ou de inocência. Neste deslocamento geográfico e domiciliar a sentença condenatória já foi prolatada e executada.
Fig. 02 –   O ex presidente LULA foi remetido de SÂO PAULO para CURITIBA – Paraná – onde foi submetido a sessão continuada de cinco horas de interrogatórios .  Durante este interrogatório sem acesso aos documentos e sem a intervenção de advogados para providenciar algum contraditório o REGIME VIGENTE em 2017 usou esta sessão exemplarmente. Os sócios do poder inalado  em BRASÌLIA respiraram aliviados com esta demonstração de força jurídica para afastar do se caminho este potencial perigo aos seus negócios, aspirações e projetos de hegemonia. Evidente que esta sessão de tortura mental NÂO FOI no GRITO.

Se esta VIOLÊNCIA GOVERNAMENTAL era física e aparatosa, em setembro de 1817, esta mesma VIOLÊNCIA GOVERNAMENTAL, em  setembro de 2017, é silenciosa, gratuita e mediatizada em operações policiais questionáveis e pouca respeitosas com  qualquer prova concreta. VIOLÊNCIA GOVERNAMENTAL que delapida num único ato a honra e a hierarquia longamente conquistadas. VIOLÊNCIA GOVERNAMENTAL que desconsidera a ordem sujeitando-a aos arbítrios dos interesses de ocasião. O ENTERRO da VITIMA é um TRISTE e MELACÓLICO num “ARQUIVE-SE” como palavra derradeira e SEM A DEVIDA REPARAÇÃO.  
Reflexoens sobre as novidades deste mez.

REYNO UNIDOS DE PORTUGAL BRAZIL E ALGARVES.

Revolução de Pernambuco.
Adiante achará o Leitor uma carta, em que o nosso Conrespondente nos dá as suas informaçoens, sobre a Revolução de Pernambuco; e ajuncta uma listados prezos, por occasiaõ daquelle attendado. A p. 297 damos também as noticias, que se publicaram no Brazil a este respeito; e que, supposto sejam de data antiga, com tudo saõ importantes, em tanto quanto servem de monumentos á historia do Brazil. As gazetas de Londres publicaram, neste mez, noticias de outra revolução na Paraiba, aonde um uavio estrangeiro tinha dasembarcado três mil armamentos, que vendera aos Insurgentes, a dinheiro de contado. Nós naõ damos o menor credito a tal rumor por duas razoens: Ia. porque temos cartas de Pernambuco de data tam moderna, como as que citam as taes gazetas; e naõ nos dizem uma só palavra sobre a tal revolução da Paraiba.— 2a- porque, depois do fatal e recente exemplo de Pernambuco» naõ he natural, que outras províncias se attrevessem a igual tentanliva* e muito menos a Paraiba, que por sua insignificancia, limitada população e pequenos recursos, naõ podia ter a menor esperança de fazer alguma resistência eflèctiva ás forças, que El Rey tem mandado para Pernambuco. Quanto ao que se tem practicado naquella cidade, depois da sugeiçaõ dos rebeldes, referimos o nosso Leitor á carta de nosso Conrespondente, adiante copiada. Naõ concordamos em muita parte, nas ideas do escriptor daquella carta, e com tudo nos he mui desagradável vêr a extensa lista dos prezos; porque quantas mais pessoas fõrem prezas, por causa daquella rebelião, tanto mais se inculca ao publico a sua importância, o que he decididamente contrario aos interesses do Governo. Nos extractos, que dêmos acima, na parte de Literatura, fitados da obra de Mr. De Pi*adt, verá o Leitor, que esta nossa. opinião se confirma pelos factos. Porquanto, se o ruido, que fez. na Europa a revolução de Pernambuco, induzto aquelle e outros escriptores a exaggerar as difficuldades, em que se acha o Governo de S. M. Fidelissima, convinha aquelle Governo o naõ aiigmentar a lista dos prezos, pelo crime da rebelião, até com soldados razos, para naõ dar occasiaõ a que o mundo supponha, que a rebelliaõ tem mais forças doque actualmente existem. Nisto, devemos outra vez repetir a nossa opinião, de que o espirito de rebelliaõ, no Brazil, está mui longe de ter a extensão, que actualmente suppomos no descontentamento daquelles po. vos.

Esboço de ANTÒNIO PARREIAS para o quadro FUZILAAMENTO do Padre MIGUELZINHO
Fig. 03 –   O Padre MIGUELINHO foi executado em SALVADOR – Bahia –  recebendo á condenação a morte  das mãos do CONDE dos ARCOS.  A sua figura, sua inteligência e sua correta percepção do iminente colapso  o REGIME COLONIAL LUSITANO a sua execução era necessária para dar um pequena e limitada sobrevida aos SÒCIOS do PODER LUSITANO especialmente os comerciante lusitanos de SALVADOR. A pena de morte NÂO FOI executada no GRITO por intervenção da vítima que puxou para si uma soma imensa de culpas pelo fracasso da REVOLUÇÂO de RECIFE de 1817

Ora o descontenamento naõ se acalma pelos mesmos meios por que se destroe a rebelliaõ. Naõ ha duvida, que tanto no Rio-de-Janeiro como em Lisboa, se mostrou assas energia, em apromptar forças paia siipprimir a rebelliaõ, e na verdade se fez mais do que a maior parte da gente esperava; mas nem por isso convém que o Governo confie a quietaçaõ do paiz, somente ás medidas de força physiea : o poder moral, isto he a confiança do povo no seu Governo, e boa vontade em obedecer, deduzida da convicção interha de que tal obediência he necessária á tranqüilidade publica e á prosperidade da naçaõ, devem Ser os mais firmes apoios de todo o Governo regular. Isto he tanto mais verdadeiro neste mesmo caso, porque a noticia, que demos no nosso N°. passado, sobre o descontentamento das tropas em Portugal destinadas a embarcar para o Brazil, se acha provado; porque foi necessário adoptar providencias publicas e efficazes, a fim de prevenir a desersaõ; o que se vé, pela seguinte. Portaria dos Governadores de Portugal. " Sendo presente a El Rey nosso Senhor a Consulta do Conselho do Guerra datada de 25 de Julho próximo passado, sobre o castigo, que deverão ter os desertores dos Corpo9,qu>e forem mandados a alguma expedição para fóra dos Reynos de Portugal e Algarves, Sua Majestade, tomando em consideração o parecer do mesmo Conselho de Guerra, ha por bem determinar, que, desde que esta se publicar, todas as deserçoens, que se commettorem dahi .em diante, sejam consideradas e punidas como em tempo de guerra, na forma do artigo 14 dos artigos de guerra do Regulamento de Infanteira, O mesmo Conselho de Guerra o tenha assim intendido e faça executar. Palácio do Governo, em 5 de Agosto de 1817." " Com as rubricas dos Governadores do Reyno." Esta portaria naõ precisa commehtos, para dar a conhecer a tendência para desersaô, manifestada por aquellas tropas; e prova o que dahi deduzimos, para a nossa proposição, de que o Governo naõ deve unicamente confiar-se na força phisica para ter os seus subditos em sugeiçaõ-

Fig. 04 –   O acirramento de ideologias, as ações de extremistas fanáticos e potencial mobilidade física  tornam-se explosivos. A reação contraria e proporcional dos ESTADOS NACIONAIS levou ao  exercício  gratuito e espetaculoso da violência. Violência cujo objetivo maior é manter o FUNCIONAMENTO o SISTEMA que todos sabem que é  INÍQUO. INICUIDADES ao colocar como sua teleologia imanente o  com o de MANTER os SÓCIOS no PODER num CONTROLE INSTÁVEL  e QUESTIONÁVEL, Em setembro de 2017 repete-se o mesmo quadro social, jurídico e econômico que preocupava o redator do CORREIO BRAZILIENSE em  setembro de 1817

Por outra parte o empréstimo de quatro milhoens, que o Governo de Portugal pedio aos negociantes, para esqui par a expedição para o Brazil, estará tam atrazado nos fins de Agosto, que somente haviam entrado no Erário de Lisboa, por coata diste empréstimo pouco mais de 230 contos, o que dista bastante dos quatro milhoens. A causa deste retardamento, certamente uaõ he a falta de lealdade no povo; porque o contrario se manifestou bem claramente, quando chegou a Lisboa a nofieia da rebelliaõ em Pernambuco; mas o motivo desta falta «e achará nas circumstancias, queexplicamos no nosso No. passado, e que por isso naõ he necessário que o repitamos aqui. Commercio de Escravatura. Achamos no Investigador do mez passado, uma noticia, com o tom de official: a qual, por mais de um respeito julgamos, que devíamos copiar no nosso periódico; visto que aquelle Jornal, instituído "pelo Conde de Funchal, debaixo das vistas da Embaixada Portugueza em Londres, tem por isso razoens para ser o orgam de communicaçoens authenticas, e de exprimir as ideas dos que empregam seus Redactores.
PORTO de SALVADOR na Bahia cidade do  JULGAMENTO e FUZILAMENTO do Padre MIGUELZINHO
Fig. 05 –   O Padre MIGUELINHO foi remetido de RECIFE para SALVADOR – Bahia – onde recebeu á condenação a morte  das mãos do CONDE dos ARCOS.  O REGIME COLONIAL o puniu exemplarmente sem lhe conceder acesso aos documentos e sem advogado para providenciar uma defesa condizente. Com a eliminação física deste potencial perigo aos seus negócios os comerciantes lusitanos  de SALVADOR e de RECIFE respiraram aliviados depois de socorrer monetariamente um REGIME em franco descredito e minado pela corrupção interna. Graças ao imenso controle que o condenado manteve ao longo do seu julgamento e  até o momento do seu fuzilamento esta pena NÂO FOI executada no GRITO de REVOLTA da vítima. Porém os tiros dos arcabuzes  ecoaram séculos afora e o seu estampido condenando o REGIME que o CONDENOU



O artigo, a que alludimos, he o seguinte. " Commercio de Escrav-tura. Estamos aulhorizados para anmmciar aos proprietários dos Navios Portuguezes empregados no commercio de escravatura, e aprezados pelos cruzadores Bntannicos atê o I0 de Junho de 1814, que se tem fixado os prazos para o pagamento das 300,000 libras esterlinas, que, para indemnizállos, foram concedidas pelo Governo Britannico, na Convenção de2l de Janeiro, de 1815, A saber:—150,000 libras seraõ pagas, ao mais tardar, até os fins de Maio,' 1818; e as restantes 150,000 libras, com os juros conrespondente» a toda a somma, desde a ratificação da sobredicta convenção de 21 de Janeiro, até os fins de Agosto do mesmo anno de 1818. " Igualmente podemos annunciar, que em Londres se formara uma CommissaÕ mixta, composta de numero igual de individ das duas naçoens, Portugueza e Britannica. para receber e liquidar as reclamaçoens dos donos dos navios aprezados, desde aja citada epocha do Io. de Juitho de 1814, e determinar as indemnidades a que tiverem direito." Era de esperar, que mandando-se sair de Londres o Conde de Funchal, de atordoada memória, teria acabado o systema de fazer junetas de administração em Inglaterra, para dirigir os negócios de Portuguezes. Mas, segundo esta noticia authentica, parece que continua a produzir seus máos effeitos a perniciosa influencia dos máos exemplos. Para que a somma de dinheiro, paga pelo Governo Inglez, para indemnizaçaõ das tomadias irregulares de seus corsários, em embarcaçoens Portuguezas empregadas no commercio da escravatura, fosse distribuída pelos proprietários, que soffrêram as perdas; naõ éra preciso que se formasse para isso uma commissaÕ em Inglaterra: porque os proprietários dos navios podiam legalizar as suas pertençoens ante a Juncta do Commercio de Lisboa ou do Rio-de-Janeiro, Menos necessário, e até mui prejudicial e injusto he, que a tal commissaÕ, assim erigida na Inglaterra, seja composta em parte de individuos Britannicos, porque o salário ou paga destes deve sair ou do Erário d' El Rey de Portugal, ou das partes que fizerem suas reclamaçoens; e naõ lia razaõ algum**» para que tal dinheiro seja assim dispendido em paizes estrangeiros.

Dissemos que este arrnnjamento éra injusto; porque o consideramos contrario ao tractado, em que se estipulou, que e Governo Inglez pagasse esta indemnizaçaõ. O tractado foi assignado em Vienna, aos 21 de Janeiro de 1815 (Veja-se o Corr. Braz. Vol. XV. p. 571 ); e no artigo 2 o diz assim, " Que a referida somma se considerará como pagamento total de todas as pertençoens provenientes das captureis feitas antes do primeiro de Junho de 1814; renunciando S. M. Britannica a entrevir por modo algum na disposição deste dinheiro." Se S. M- Biitannica, por este artigo renuncia a entrevir por modo algum na disposição deste dinheiro, he claro que só a S, M. Fidelissima 'pertence a sua distribuição, satisfazendo a cada parte lezada, a somma que lhe competir, segunde as perdas, que tiver soífrido. Portanto naõ vemos, que o Governo Inglez pudesse ter a menor pretençaõ para nomear subditos seus, que entrassem nesta commissaÕ. E se quem he de nomear esses commissarios Inglezes, he EIRey de Portugal, naõ podemos comprehender a razaõ porque elle haja de nomear estrangeiros, para administrar justiça a seus subditos.

Fig. 06     O  CONDE  de FUNCHAL era alvo predileto das críticas do redator do CORREIO BRAZILIENSE. Na verdade ele a parte visível de interesses escusos  lusitanos que especulavam em LONDRES em nítido detrimento e as custas d o PODERO ORIGINÀRIO PORTUGUÊS e  BRASILEIRO  .  A Revolução de Recife, apesar de seu limitado potencial para dar certo,  levantou uma imensa celeuma entre os sócios dos interesses lusitanos do CONDE  de FUNCHAL que especulavam em LONDRES  As sucessivas pautas do Correio Braziliense relativas à Revolução de  RECIFE 1817  constituem um dos índices desta celeuma temores e falsas notícias  

Os inconvenientes e as desordens, que se seguiram das Commissoens, inventadas pelo Conde de Funchal, em Londres, para dispor de propriedades Portuguezas, deveria servir de escarmento para que taes actos se naõ tornassem a repetir, mas infelizmente vemos, que o exemplo se continua a seguir, e até contra a expressa estipulaçaõ dos tractados. Os documentos e provas, com que, os indivíduos lezados por aquelles aprezamentos illegaes devem justificar as suas perten- çoçns, devem existir principalmente no Brazil: e por tanto ali se devia ouvir e decidir o direito dos reclamantes. Obrigar pois aos lesados a vir requererá Inglaterra he sugeitállos a des. pczas desnecessárias de viagens, e delongas consideráveis, no caso de que os commissarios se naõ dem por satisfeitos com as primeiras provas, que se lhes appresentarem, e mandem que se vám procurar outras ao Brazil..

Se os reclamantes naõ puderem vir á Inglaterra, e mandarem procuração a casas de negocio em Londres, para que requeiram e cobrem a indcmnizaçaõ, teraõ de pagar por isso avultadas conimissoens; as quaes escusariam se as suas reclamaçoens fossem ouvidas nos seus respectivos paizes; ou ao menos no Rio deJaneiro. Lembrados estamoe de que, no caso das commissoens, inventadas pelo Conde Funchal, para arrecadar e entregar as propriedades Portuguezas tomadas pelos corsários Inglezes em 1808; houve tal embarcação que foi vendida para pagar as custas, e o seu valor naõ chegou para as despezas, Mastalvez se espere, que em retribuição de S- M. Fidelissima empregar, e pagar a vassallos Inglezes, para administrar justiça a seus subditos, nomee o Governo Inglez alguns Portuguezes, no Rio-de-Janeiro, para decidir as causas dos vassallos Britannicos.

Fig. 07 – O empresário Manuel de CARVALHO foi aos ESTADOS UNIDOS para conseguir armas e munições para a REVOLUÇÂO  de 1817 do RECIFE.  Com a intervenção militar lusitana em Pernambuco e a atroz e exemplar massacre dos revoltosos esta empresa perdeu sentido. Porém com a proclamação da REPUBLICA do EQUADOR  esteve novamente ao lado destes revoltosos entre os quais FREI CANECA foi a VÌTIMA EXEMPLARMENTE EXECUTADA ao exemplo do que havia acontecido com TIRADENTES na INCONFIFÊNCIA MINEIRA.


Correio Braziliense setembro de 1817 VOL. XIX. Nº. 112. Correspondência  pp. 343 - 344

Carta ao Redactor, sobre os negócios de Pernambuco.

SENHOR REDACTOR DO CORREIO BRAZILIENSE!

Naõ duvido, que V. Mce. tenha recebido muitas informaçoens, a respeito da infeliz catastrophe de Pernambuco; mas também estou persuadido que cada um lhe representará os factos, segundo as impressoens, que lhe derem os differentes partidos politicos, a que forem affectos ou desaffectos. He por isto, que tomo a meu cargo o dar-lhe informaçoens, as quaes se naõ forem judiciosas, pôde estar certo que saõ imparciaes. Fique V. M, seguro deste principio, que nunca existio tal cousa como uma revolução premeditada, salvo se foi nas cabeças de vento, que chamaram áquella amotinaçaõ momentânea, o estabelicimento de uma Republica. Nenhuma pessoa sensata em Pernambuco se persuadio ja mais, que a Provincia de Pernambuco pudesse fazer só* de per si um Governo independente do resto do Brazil, fosse de Republica, ou fosse do que fosse: nem havia a menor razaõ para suppor, que outras capitanias se unissem á de Pernambuco, em tam despropositado plano. A indolência do Governador de Pernambuco éra tam manifesta; a dilapidação das rendas publicas tam conhecida; e os abusos de todos os empregados públicos tam escandalosos, que o povo tinha concebido pelo Governo os mais profundos sentimentos de desprezo. Recorrer sobre isto á Corte seria tempo perdido; porque a experiência tem mostrado, que os empregados públicos, mesmo Governadores e Magistrados, que mais desencaminbaram os bens da Fazenda Real,e mais extorçoens fizeram aindividuoe particulares, vendendo a justiça a quem mais dava, saõ os qne melhores e mais 1 ourados empregos tem obtido ao depois.

Fig. 08–   O Padre João RIBEIRO esteve na frente da REVOLUÇÃO de RECIFE.  Conhecendo os métodos e a lógica do SISTEMA COLONIAL LUSITANO preferiu seguir o caminho de SÊNECA e dar-se a si mesmo a MORTE. Isto não impediu que seu túmulo fosse violado, a sua cabeça e mãos fossem decepados e expostos em praça publica na capital de  Pernambuco.

Dizer que os offcndidos deviam ir queixar-se á Corte, he mostrar, que se ignora a marcha das cousas neste paiz. Um individo a quem o Governador ou Magistrados fazem injustiça j ou que tem meios de saber e provar os roubos, que se fazem á Real Fazenda, naõ pôde largar a sua casa e família para ir á Corte, de seu próprio motu, arruinar-se de todo, e desamparar as suas occupaçoens, só para ter o gosto de dizer, que provou a prevaricação deste ou daquelle indivíduo publico; o qual com o mesmo dinheiro, que roubou, mantém a sua defensa, e pelos patronos, com quem reparte o saque, tem tremenda vantagem contra o seu accusador. Nesta situação estavam as cousas em Pernambuco, quando o accidente de querer o Governador prender alguns indivíduos, entre os quaes havia militares, bem quistos dos soldados, pôz um regimento em sublevacaõ. 0 Governador até parecêo ignorar, que a prizaõ de muitos indivíduos ao mesmo tempo, em qualquer paiz, produz naturalmente commoçoens no povo; e comtudo mandou fazer todas as prizoens de dia, e nos quartéis, sem haver tomado a menor precaução para o caso de resistência. Esta teve lugar; e os soldados tomaram a parte dos officiaes, que deviam ser prezos. Os officiaes, que, para se livrarem de ser prezos, amotinaram os soldados, decidiram-se a commetter outro crime, para se abrigar do primeiro; e assim prenderam o Governador: o qual, pelo desprezo em que seu governo se achava, naõ teve defensores nem na tropa, nem nos paizanos. Posto assim Pernambuco n' um perfeito estado de anarcbia: passaram ©s revoltosos a commetter o terceiro crime, que foi constituírem elles mesmos um Governo, de sua invenção; quando a marcha natural, visto que prenderam o Governador, éra lançar maõ do Governo Interino, que se acha providenciado pelas leys. Isto he o Bispo, a Primeira Patente Militar, e a Magistrado de Maior Graduação. As pessoas, que os revoltosos puzéram no Governo, quer apoiassem quer naÕ previamente os amotinados, naõ semente entraram completamente em suas vistas; mas commettêram o ultimo crime, que foi abjurar a fidelidade a. EIRey, e declarar Pernambuco uma democracia; sem saberem o que este nome indica; sem terem consultado o povo, de quem se chamavam representantes j sem considerarem as forças que tinham para se defender daí que EIRey necessariamente havia mandar contra elles; em fim sem mostrarem sequer a habilidade que se observa em qualquer quilombo de negros fugidos; os quaes pelo menos tomam as precauçoen6, que a prudência e razaõ natural suggere, para escaparem do Capitão do Matto, ou para lhe resistirem se este os encontrar. Nenhum homem de senso se podia unir a tal miséria de governo: mas todos lhe obedeceram; primeiro, porque os revoltosos tinham a força armada; e segundo porque a indiferença que todos tinham pelo passado Governador, fez com que ninguém pensasse em defendêllo, ou em tomar parte n' uma querella, que ninguém julgava que éra sua.

CONDE dos ARCOS que presidiu o  JULGAMENTO e a SENTENÇA de MORTE do Padre MIGUELZINHO
Fig. 09 –   O CONDE dos ARCOS estabeleceu em  SALVADOR – Bahia – uma poderosa classe de comerciantes lusitanos e uma solida e lucrativa base de navios portugueses e britânicos.  São estes sócios do poder colonial que irão retardar a INDEPENFÊNCIA do BRASIL e que ali será declarada apenas em 02 de julho de 1823 não sem uma feroz resistência militar lusitana.

O Governador desta Capitania, Conde dos Arcos, portou-se com toda a activida, de preparando as forças que pôde, para atacar os insurgentes porém accrcditou o que aquelles ignorantes espalhavam, á cerca da magnitude de seus recursos, e fez um espalhafato verdadeiramente ridículo. H e verdade que foi necessário fazer fogo aos poucos soldados de Pernambuco amotinados, que estavam em armas, juncto com alguma canalha, que os acompanhou, mas a prompta dispersão dos rebeldes mostrou, que tal revolução naõ tinha pés nem cabeça, como éra bem de suppôr. 0 commandante da esquadra, Rodrigo Lobo, achou bella occasiaõ de mostrar o seu character, e entrando em Pernambuco, começou a fazer prizoens a torto e a direito, exaggerando os seus serviços, que talvez ainda recebam o prêmio que merecem; porque o Conde dos Arcos, segundo se diz, deo uma conta delle para a Corte, que, se fôr attendida, o sugeitará a um Conselho de guerra; e por isso naõ digo mais nada delle. 0 actual Governador de Pernambuco, depois que ali chegou, se tem portado com mais alguma moderação; mas pouco devemos esperar delle; porque todos estes senhores estaõ tam persuadidos de que os negócios vam maravilhosamente bem, que he impossível nesta sua hypothese, que esperemos o menor melhoramento: assim naõ se falia em outra cousa senaõ cortar cabeças, castigar os rebeldes, e metter tropas em Pernambuco, que subjuguem o povo. Porém dos prezos, que aqui tem chegado, só os três marcados na lista, qne lhe envio, foram ainda executados: e um delles, que éra letrado talvez fosse o que éra menos culpado; pois se provou, que elle naõ éra da opinião dos mais, que por isso o quizéram matar, e que só continuou no chamado Governo Provisório, para ver se fazia algum bem; o que conseguio em parte, impedindo que se fizessem crueldades ou vexames, a muitas pessoas, conhecidamente do partido d'ElRey. Na minha opinião o povo de Pernambuco bem socegado está, e sempre esteve; e o único merecimento, que podem ter os que El.Rey lá mandar para apaziguar a revolução, he naõ dar ouvidos ás calumnias, que os ódios particulares naturalmente inventarão; e ter o discernimento de indagar as cousas afundo, e dar parte a EIRey do verdadeiro estado do espirito publico. Mas V. M verá, que esses mesmos homens em vez de fazer isso, haõ de dar a EIRey noticias exaggeradas, para depois pedirem prêmios por haver morto a bixa de sette cabeças. O motivo; porque se mandam para aqui os prezos, ainda o naõ sei; e me parece, que o seu processo devia ser feito em Pernambuco; pois lá he que se podem achar as provas de suas culpas ou inuocencia. Porém isto mesmo faz crescer o apparato.

Sou com todo o respeito De V. M. c. Muito Veror. e Criado.

 Bahia 27 de Julho, 1817.

 P . G. BAHlESNE.



Tanto em setembro de 1817, como em 2017, a imprensa e a mídia transformam a vida, as vontades e os sentimentos em notícias que tentam vender ao seu CLIENTE. Nesta recepção  impõe-se mediar, avaliar e operar com REPERTÓRIO deste CLIENTE. Nesta triangulação entre FATO – MIDIA – CLIENTE a verdade se esvai ou fica muito difícil retroceder ao FATO REAL e OBJETIVO.

A insistência de o CORREIO BRAZILENSE em pautar o tema da REVOLUÇÂO de RECIFE de 1817 é índice de uma multidão de universos mentais, econômicos e políticos vigentes tanta na Europa como no Brasil. Na Europa a expectativa de negócio para a nova ERA INDUSTRIAL. Especialmente e LONDRES preocupado com o avanço do ianques para o Sul do continente, Na França o temor e a torcida para libertar Napoleão tendo como ponto da apoio Recife e com a ajuda dos norte-americanos. Nas principais lusitanas e brasileiras o potencial abalo dos negócios e a possibilidade da chegada de concorrentes comerciantes de outros continentes e oferecendo outros produtos a partir de PERNAMBUCO

 Padre ou Frei MIGUELZINHO entrosado pela REPUBLICA BRASILRA como mártir e percussor deste REGIME 
Fig. 10 –    O sangue derramado por uma REVOLUÇAO PERDIDA e DERROTADA foi a semente da mitificação e glória do Padre MIGUELINHO.  Cumpria-se aquilo que o Correio Braziliense de setembro de 1817 VOL. XIX advertia no seu número.  112. Miscelânea p. 313:  Quantas mais pessoas forem presas, por causa daquela rebelião, tanto mais se inculca ao publico a sua importância

 As narrativas, relativas à REVOLUÇÃO de RECIFE de 1817,  escritas pelo REGIME COLONIAL BRASILEIRO, mesmo estas do CORREIO BRAZILIENSE são  ANTAGÔNICAS aquelas narrativas do REGIME REPUBLICANO. A série de telas com o tema “ os MÁRTIRES da REPUBLICA”, pintados por Antônio Diogo da Silva PARREIRAS[1],  constituem uma amostra deste ANTAGONISMO de LEITURAS e de interpretações desencontradas. O interesse possível, em setembro de 2017, é a busca das causas  do  silenciamento do essencial na bicentenária REVOLUÇÃO de RECIFE de 1817. Além disto, evidenciam-se as discretas lembranças e a falta de sua incorporação efetiva e geral no panteão nacional do  imaginário brasileiro. Mas o essencial das projeções, para o presente, em 2017,  é visível apenas na continuidade e reprodução dos efeitos do colonialismo mental, social e econômico do PODER ORIGINÁRIO BRASILEIRO. Visível nas convulsões e a falta de um PROJETO BRASILEIRA competente para transformar em complementariedades estas contradições bicentenárias.


Todo este conjunto - das parcas, contraditórias e das esfarrapadas narrativas relativas à REVOLUÇÃO de RECIFE de 1817 -  reforça a convicção que a verdadeira e autentica expressão da soberania e independência do BRASIL NÂO FOI no GRITO.




FONTES NUMÉRICAS DIGITAIS



ANDRE ALBUQUERQUE MARANHÃO dono de FAZENDA no RIO GRANDE do NORTE




CONDE de FUNCHAL




CONDE dos ARCOS e COMERCIO de SALVADOR na BAHIA


https://www.geni.com/people/Marcos-de-Noronha-e-Brito-8º-conde-dos-Arcos/6000000016196990386



PADRE MIGUELINHO o INTELECTUAL





Em versos



Contexto visual




MANIFESTAÇÂO PACÍFICA REPRIMIDA com VIOLÊNCIA




No BRASIL RENUNCIA FISCAL SUPERA  GASTOS com SAÚDE e EDUCAÇÂO em 2017




QUEM  MANDA no BRASIL de FATO e de DIREITO em 2017




A CONDENAÇÂO do PADRE MIGUELINHO pelo CONDE dos ARCOS





Desfazendo o MITO e RECONHECENDO a PESSOA do PADRE MIGUELINHO




GENESE de um QUADRO




LULA em CURITIBA





 NAVIOS LUSITANOS




PADRE  JOÃO RIBEIRO




MANUEL de CARVALHO  REVOLUCIONARIO de DUAS REVOLUÇÔES SUCESSIVAS




POSTAGENS da SÈRIE  REVOLUÇÂO de PERNAMBUCO de 1817

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domingo, 6 de agosto de 2017

155 – NÃO FOI NO GRITO em AGOSTO de 1817 e de 2017

O PREÇO para MANTER-SE no PODER. 

O silencioso sumidouro do ERÁRIO PÚBLICO e PARTICULAR, assaltado e delapidado apenas com o objetivo de MANTER-SE no PODER pelo PODER,   compromete  qualquer projeto político, social e cultural de uma nação.
Frederick_Hagedorn_-_Panorama_do Recife_em_1855
Fig. 01 –  A Intervenção de 1817,  no Recife, teve um alto preço que foi go pelos comerciantes lusitanos desta praça que, no início do século XIX, era uma das mais desenvolvidas e cobiçadas  no BR ASIL.  Esta intervenção, além de desviar e esvaziar  erário publico, gerou uma casta de sócios da coroa lusitana que fizeram de tudo para recuperar dinheiro dos seus gastos. Para a CORTE LUSITANA apenas importava MANTER-SE no PODER CENTRAL e MONOCRÁTICO. Pouco importavam a ineficiência administrativa,  a exaustão do erário publico e os desvios.
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Este fato tornou-se evidente tanto em agosto de 1817 como em agosto de 2017. Os dos séculos - decorridos entre os dois agostos - só reforçaram esta convicção nos temerários que valia a pena sacrificar a sociedade, a iniciativa privada e pública. Basta armar e pagar o jogo entre  BANDIDOS e  MOCINHOS para garantir a ordem e a segurança para que este assalto se avolume e ganha dimensões de um horrendo câncer social, empresarial e jurídico
Este jogo NÃO é realizado NO GRITO. As divisões entre BANDIDOS e MOCINHOS[1], solertes manobras e são arbitrárias pouco importa a quem é incluído num e outro grupo. Porém, após esta divisão silenciosa, o GRUPO no PODER NÃO TOLERA a menor TRAIÇÃO. Especialmente a TRAIÇÃO ECONÔMICA em NÂO PAGAR o JOGO. Qualquer PALAVRA, diferente do seu repertório canônico,  é SUSPEITA para o GRUPO NO PODER e PASSÍVEL dos maiores castigos, discriminações e  arbitrariedades
Fig. 02 –   No início do século XXI não importam aos donos do PODER  CENTRAL do BRASIL os GASTOS e os MEIOS.  Além de BRICAR  de MOCINHO e BANDIDOS  os GASTOS ASTRONÔMICOS inviabilizam qualquer aplicação na SAÚDE, na EDUCAÇÂO e BEM ESTAR e AUTONOMIA do PODER ORIGINÀRIO. Rsye sempre ó possível ser manipulado por MARKETING e PROPAGANDA. pela INTIMIDAÇÃO e MANPULAÇÂO por  IMAGENS ESPETACULARES e ASSUSTADORAS.

Certamente algo também está errado quando, em agosto 2017, o custo do CONGRESSO NACIONAL BRASILEIRO, para funcionar,  atinge a cifra astronômica  e silenciosa do montante R$ 1,16 (hum milhão, cento e sessenta mil reais) POR HORA[1].  
A leitura do CORREIO BRAZILIENSE de agosto de 1817 [ -  VOL. XIX. No. 111, pp. 205 até 214 –Miscelânea] mostram que Brasília de agosto de 2017 constituiu apenas a continuidade do horrendo câncer social, empresarial e jurídico herdado do BRASIL COLONIAL e cultivado nos territórios dos caciques, corneies e ETERNOS DONOS do PODER[2].



[2] FAORO, Raymundo. Os donos do poder: formação do patronato político brasileiro. Porto Alegre – São Paulo: Globo e USP, 1975.  2v.

Fig. 03 –   A Intervenção militar e armada na CONFEDERAÇÃO do EQUADOR[1]  - deflagrada no dia 02 de julho de 1824 no início Império Brasileiro - também foi financiada pelos comerciantes lusitanos desta praça do BRASIL.  Era a continuidade da repressão da REVOLUÇÃO no Recife de 1817.  A  Intervenção militar e armada - na CONFEDEERAÇÃO do EQUADOR - mostra a mesma cena da cavalaria da Fig. 02 investindo contra o PODER ORIGINÀRIO. Investida orientada COM o mesmo objetivo de recuperar o PODER  para entrega-lo ao arbítrio da CLASSE dos DONOS do PODER e para justificar os investimentos dos COMERCIANTES da PRAÇA de RECIFE. Em agosto de 2017 o governo central perdoou uma divida de 220 bilhões de reais[2] para MANTER-SE no PODER com baixíssimo apoio popular[3]

Novo empréstimo em Portugal.
Promettemos no nosso N°. passado dizer alguma cousa, sobre a contribuição que o Governo de Portugal pedio aos negociantes, - fim de preparar uma expedição contra Pernambuco. Agora accresce a isto o ler o mesmo Governo aberto um empréstimo de quatro milhoens de cruzados, para supprir o alcance do Erário. Tractaremos destes dous objectos junctamente, pela ligação que tem um com o outro. Depois da portaria, que mencionamos no nosso N°. passado, pedindo uma contribuição para aparelhar a expedição contra Pernambuco, se expedio a vários negociantes a seguinte:
. Circular.
A Real Juncta do Commercio, Agricultura, Fabricas, e Navegação, participa a V. a Portaria do Governo, constante da cópia inclusa, para que tendo em vista o seu conteúdo e o importante fim a que se dirige, haja de dar nesta occasiaõ mais um testemunho do seu zelo e patriotismo, auxiliando o Estado na expedição dos meios indispensáveis para a execução de uma empreza, de que devem resultar a este Reyno as maiores vantagens. Deus guarde a V. Secretaria da Real Juncta, em 31 de Maio de 1817.
(Aasignado) JOZE ACCRSIO DAS NEVES.
A LEI- fachada do prédio da Assembleia do Rio de Janeiro
Fig. 04 –  Aos poucos o imaginário do PODER ORIGINÁRIO recebeu, e seu cenário urbano, foi saturado, por  ícones de uma nova religião necessária e professada pelo sacerdotes, mentores e beneficiários da ERA INDUSTRIAL  Estes ícones seguiam as normativas canônicas elaboradas e produzidas na matrizes da ERA INDUSTRIAL apesar de o BRASIL ser mero consumidor, no início do século XIX,  . Esta heteronomia, cópia e plágio pouco diziam aos DONOS do PODER LOCAL. Importava apenas MANTER-SE nos “SEUS CARGOS”, com as suas vantagens e sócios,  Isto explica, também, o descaso e desleixo na preservação destes icones importados. De um lado são estranhos ao PODER ORIGINÀRIO e do outro são ícones de um grupo de rivais e concorrentes os “DONOS CARGOS do PODER”.

Se em Governos livres, aonde cada indivíduo pode, sem perigo, expressar as suas opinioens, he útil o discutir pela imprensa as questoens de publico interesse; esta medida vem a ser de summa necessidade, em paizes aonde os particulares tem difficuldade para expressar seus sentimentos, manifestar suas necessidades, ou declarar os vexames que lhes fazem. A naõ ser este methodo, naõ ha meio porque as resoluçoens Soberanas obtenham a devida previa consideração; porque, geralmente fatiando, os thronos se acham sempre rodeados pela lisonja, e o interesse particular desfigura todos os objectos, antes que elles sejam apresentados á decisão Soberana.
D. João VI na Igreja Rosário. Óleo de Armando Martins VIANNA -  Sec XX
Fig. 05 –  A corte lusitana no Rio de Janeiro articulava , em 1817,  a  intervenção no Recife. Porém não tinha como sustentar e pagar o alto preço que esta operação militar exigia. Já estava comprometida com a intervenção em Montevidéu. Assim  teve de recorrer os comerciantes lusitanos de Pernambuco.  Estes geraram uma casta de sócios da CORTE LUSITANA e que fizeram de tudo para recuperar estes gastos coroa lusitana. Para esta interessava apenas  MANTER-SE no PODER.

 Astutos cortezaõs representam a ignorância como solida baze dos governos; e quando o mal chega ao ponto da dissolução dos vinculos sociaes, cada um desses aduladores interessados foge com as riquezas mal adquiridas, que obteve, por meios sinistros, e o Soberano se vê entaõ, sem remédio, sacrificado como primeira victima. Seja prova disto um exemplo tirado do mesmo Portugal. Quando El Rey D. Afonso VI. perdeo o throno, tinham as cousas chegado a tal estado, que elle ja naõ achava, quem lhe obedecesse, os cortezaõs, e até os Secretários de Estado, fugiram, esconderam-se e pretenderam todos tirar de si a culpas dos males passados desamparando a El Rey na hora do aperto.
Carruagem real do MUSEU do COCHE de LISBOA - Portugal
Fig. 06 –   A ostentação da pequena e insaciável CORTE LUSITANA mantinha um padrão de ostentações, ócios e caprichos absolutamente incoerentes com os seus bens de raiz.  Quando chegaram as primeiras notícias do OURO do BRASIL esta CORTE de LISBOA meteu-se em contratos, com outras potências que exigiram que seus territórios lusitanos tornam-se meros consumidores da sua ERA INDUSTRIAL e fornecedores baratos de matérias primas para estas potências estrangeiras. A carruagem, da foto ,era importada da França. Assim o OURO do BRASIL foi parar diretamente nos BANCOS de LONDRES quer assim pode iniciar e manter em funcionamento a sua industrialização. Para a CORTE LUSITNA apenas importava MANTER-SE no PODER. Com este objetivo a ostentação da pequena e insaciável CORTE LUSITANA servia para encobrir a catástrofe iminente e cujos signos eram as sublevações de Minas Gerais. Bahia e Recife.

 Os homens bons de todas as naçoens, posto que descontentes sejam do Governo, saõ os que primeiro se arrostram com os perigos, em defeza do Poder Legitimo. Isto aconteceo em Lisboa, quando a portaria e circular, de que tractamos, se fez publica. Appareceo logo a melhor disposição para auxiliar as boas intençoens do Governo, principalmente nos Negociantes, que tinham c ommercios com Pernambuco; e portanto muito se devia esperar, se aquelta classe de vassallos estivesse mais satisfeita da integridado de seus Governantes. Naõ basta, em matérias de política, que se appelle para os princípios honrados dos particulares: porque he necessário tomar a natureza humana tal qual ella he: convém que se olhe para os interesses dos indivíduos, e neste sentido se dirigio o Governo de Portugal aos Negociantes do Reyno, lembrando-lhes, o que perderiam em seu commercio, com a revolta de Pernambuco. Porém quando vemos o descuido, que tem havido em conservar as relaçoens commerciaes de Portugal com o Brazil, parece-nos alguma cousa descarado, o lembrarem os Governadores do Reyno este ponto do commercio de Pernambuco, como incitamento para as contribuiçoens. 
Fig. 07 –   A improvisada e pesada carroça - puxada por seis escravos - contrasta com a CARRUAGEM REAL da CORTE LUSITANA.  Esta carroça de madeira revela, além de disfuncional e primitiva,  a falta total de indústria de carros, do uso de metais de equipamentos diferentes dos braços de força dos escravos. De outro lado esta imagem constitui índice de submissão, falta total de criatividade e uma atmosfera impregnada de autoritarismo assimilado. Este autoritarismo assimilado era a atmosfera propícia para a CORTE LUSITANA e os seus sócios se MANTEREM no PODER.

A admissão indistincta dos vinhos e outros artigos estrangeiros no Brazil, tendem mui directamente a cortar os laços que uniam o commercio de Portugal com o Brazil: e, pelo que respeita a Pernambuco, pôde dizer-se que o commercio de Portugal para aquella praça éra ainda continuado, naõ por causa do lucro, mas por mera necessidade, ara ajustar restos de contas, liquidar dividas antigas, ou conservar relaçoens entre parentes ou amigos. He evidente, que as connexoens políticas, entre Portugal e o Brazil, devem ter por fundamento a reciprocidade de interesses, e sem esta a connexaõ política deve necessariamente acabar mais dia menos dia. A reciprocidade de interesses deve buscar-se no laço commum dos ganhos do commercio de uma e outra parte; o que se acha facilmente no consummo das producçoens de um no outro paiz. Mas se os vinhos de Portugal se naõ podem vender no Brazil; porque ali se admittem todos os vinhos estrangeiros ; e se o arroz do Brazil se naõ pode vender em Lisboa; porque ali se admitte o dos Estados Unidos, he claro que naõ pôde haver interesse mutuo nas relaçoens políticas de ambos os paizes, e uma separação vem a ser efleilo necessário dessa falta de previdência. 
Fig. 08 - Onze escravos - nus e indefesos - submetidos ao rígido controle  de quatro dominadores vestidos e e armados exemplifica na extração de minerais a reprodução, nos atos mais rotineiros do BRASIL no interior da COLÔNIA BRASILEIRA.  Esta imagem de dominação reproduzia o fractal mínimo do PODER COLONIAL evidente no rosário de fortalezas, os capitães e capitanias no processo LUSITANO de DOMINAÇÂO a quem apenas importava MANTER-SE no PODER convergente para a CORTE.

Diraõ que se conservará a uniaõ pela força. Misero recurso ! ¿ Que podem os exércitos, contra os interesses permanentes das naçoens ? O Brazil naõ poderá, por muito tempo, vista a pequenhez de sua população, comparada com seu território, ser um paiz fabricante; logo a preferencia, dada ás manufacluras de Portugal, serviria de laço e meio de uniaõ entre os interesses dos dous paizes. Porém ¿ que acontece? Admittem-se as chitas e mais fazendas estampadas, que os estrangeiros levam ao Brazil, e perecem as fabricas de Portugal, por naõ acharem consumidores a seus artigos. Mais ainda: naõ só se admiltem as chitas estrangeiras no Brazil, mas carregam-se as de Portugal, com o direito de 8 por cento de consulado na exportação, como se de propósito naõ quizessem, que ellas entrem em competência com as estrangeiras no Brazil. ¿ Quantas vezes temos exposto esta matéria? E no entanto nada de remédio; e com tudo, appella o Governo de Portugal para o interesse, que o Negociante de Lisboa tem, em supprimir a revolução de Pernambuco, pela perda que isso lhe trás a seu commercio. Naõ repetiremos aqui, o que temos por muitas vezes observado, sobre os vexames, que causa á navegação, o sugeitar os navios a jurisdicçoens desnecessárias do Capelão Mor e Phisico Mor, &c. do que só resultam as propinas que recebem aquelles empregados públicos, em directa ruína do commercio: basta dizer que em Lisboa naõ só pagam os donos dos navios aquellas despezas de soldadas, que as outras naçoens naõ tem, mas ainda em cima saõ obrigados a pagar peitas para se livrarem das demoras das visitas, &c. Entre outros encommodos, tem os navios de levar os degradados, sustentallos á sua custa, responder por elles, e até pagar aos botes ou muletas, que tragam para terra os guardas, que lhe mettem a bordo, em quanto estaõ no porto. O navio que despacha para o Rio preciza de quatro dias de diligencias effectivas do Capitão, pagando alugueres de seges, &c ; e muitas vezes depois de tudo isto, vem ordem do Governo para que naõ saia o navio, até estarem promptas as cartas e officios, que se estaõ escrevendo. 
Fig. 09 –   A pesada e massiva arquitetura do prédio da antiga Alfândega do Rio de Janeiro possui muitos elementos estruturais e de identificação visual presentes também no rosário de fortalezas que pontilhavam toda a costa das possessões portuguesas na América, África e Ásia.  Para MANTER-SE no PODER a CORTE LUSITANA gastava fortunas do dinheiro do erário publico nestes prédios além de manter neles -  com SOLDO e CARGO -  uma casta militar e de sócios; Assim as divisões administrativas eram  denominadas de CAPITANIAS denotando a sua função e administração militar e que, apenas em 1823, passaram a denominar-se de PROVÍNCIAS,

Dada esta situação das cousas, precisa ter um pouco cara forrada de cobre para dizer aos negociantes, que paguem contribuiçoens, para que naõ percam os seus interesses mercantis, com a revolução de Pernambuco He verdade, que depois de tantos requirimentos dos negociantes de Lisboa, a Juncta do Commercio fez o apparato de querer ouvir as opinioens dos particulares, para informar sobre as reformas necessárias; porém o manhoso Secretario Jozé Acursio das Neves, apoiado pelo Principal Souza, a quem deo as necessárias encensadellas na Historia da Invasão de Portugal, e o atilado Conservador, que tem as costas quentes com outro Governador seu tio, tudo annihilam, tudo demoram, e em nada se mostra actividade senaõ em perseguir com ódio mortal, aquelles que lhes apontam as suas faltas; o que se chama crime de lesa majestade imperdoável. 
Mesa de Despacho Marítimo do Rio de Janeiro
Fig. 10 –   A burocracia, as mediações indevidas e as taxas escorchantes mantiveram o ESTADO LUSITANO como ator único nas relações comerciais entre povos, continentes submetidos  à Corte de Lisboa. Não havia com cogitar qualquer comércio para fora deste território dominado.  Os tratados internacionais, realizados pela CORTE LUSITANA, tornavam-se cada vez mais  lesivos  para o erário publico e contaminados por interesses escusos e manipulados por uma casta de sócios da coroa lusitana hábeis em desviar dinheiro, vantagens e ocultar o ilícito.  Porém para o PODER MONOCRATICO e SAGRADO  importava apenas MANTER-SE no PODER, custasse o que custasse.

Vamos agora ao novo empréstimo: e sobre isto temos tanta mnis difficuldade em fallar; porque nos informam que a portaria foi minutada pelo Senhor Ricardo Raymundo Nogueira, a quem o respeito de discípulo pede licença para dirigir algumas observaçoens do jornalista. O descaramento do Principal Souza, a ignorância do Marquez de Borba, e a indifièrença do Marquez de Olhaõ, fazem com que nos naÕ admiremos da lhaneza com que aquelles senhores querem ser accreditados, em suas asserçoens, só porque o Secretario Forjnz, diz que tal ou tal cousa deve ser assim; e assentam que o mundo está mui satisfeito, porque ainda naõ chegou o momento de se verem obrigados a sentir as verdades em casa. O fundamento, que dam os Governadores do Reyno, na portaria que copiamos a p. 135, para abrir um novo empréstimo, he o occurrer ao alcance do Erário : ora, ¿ como pôde um empréstimo obviar o alcance ? Se o Erário devia a Pedro, e agora pede emprestado a Paulo para pagar a Pedro ¿ como remedêa o alcance? Esta medida, pois, de pedir emprestado para pagar dividas, só serve de augmenlar as dificuldades, augmentando a divida com os juros que tem de pagar, o que até aqui naõ pagava; porque as dividas estavam nas maõs dos credores originaes, que sedariam por mui contentes se recebecero o principal, sem jamais cuidar em pedir juros. 
Fig. 11 – A corrida ao ouro e das pedras preciosas de Minas Gerais desestruturou a precária economia agrária  brasileira. Abandonou-se a produção primária brasileira e se passou a importar alimentos, roupas e equipamentos em troco do ouro que se esgotou rapidamente enquanto as dívidas aumentavam e a simples e pura cobrança do QUINTO pesava sobre uma PRODUÇÂO cada vez mais escassa, problemática e trabalhosa. A distante  CORTE LUSITANA acostumou-se ao um padrão de ostentações, ócios e caprichos absolutamente incoerentes e que ela mantinha  por meio do PURO PODER CENTRAL e MONOCRÁTICO.

Porém, olhemos a questão por outro lado. O Governo pedindo este empréstimo, para occurrer ao alcance do Erário, embaraça-se mais com o pagamento dos juros; e naõ cuida em dizer; porque ha de ninguém ter confiança nelle, para lhe emprestar cousa alguma. O Governo treme da opinião publica, como se prova pela recente prohibiçaõ dos periódicos impressos em Inglaterra; e atemorizado, como assim se mostra, da opinião publica, attreve-se a pedir um empréstimo, que naõ pôde ter outra segurança de pagamento, senaõ a boa fé desse atemorizado e vacilante Governo; que julga fazer-se solido e firme prohibindo os periódicos de Londres e confiando o seu apoio no Expectador !! Mas vejamos como esta Portaria tende a consolidar o credito desse mesmo desacreditado Governo, ¿ Admittem os Governadores que se entre no Erário, por conta do empréstimo, com o encontro de dividas assivas do mesmo Erário? Naõ. ¿ Pois que he isto, de naõ admittir encontros, senaõ declarar o Governo que elle mesmo naõ crê que as suas dividas valham cousa alguma ? Se o Governo assenta, que naõ vale a pena de receber os créditos do que deve ¿quem he que pôde dar um ceitil por taes dividas de tal Governo? No paragrapho décimo da Portaria dizem os Governadores do Reyno, que as acçoens deste novo empréstimo gozarão dos mesmos privilégios e izençoens de que gozam as apólices do empréstimo de 1801 ; isto he, se houver novo empréstimo para o anno que vem, estas apólices naõ teraõ credito, nem mesmo no Erário, que pelo que se practica agora, naõ seraõ recebidas em encontro, como se conclue do paragrapho Io. Pelo que respeita o palanfrorio, que serve de proemio a Portaria, só nos parece bom para entreter rapazes de eschola; e naõ exposição de princípios de economia politiea, que possam ser examinados por nenhuma pessoa de senso commum. Diz a Portaria, que produzindo a guerra a diminuição de capitães, e paralizando a industria e commercio, diminuíram por conseqüência as rendas publicas, ¿ E como se propõem remediar isto? Impondo novos tributos, com o que se diminue ainda mais os capitães, e se paralyza mais a industria. Deve observar-se que os novos tributos, assim exigidos para o pagamento dos juros e amortização do principal deste novo empréstimo, saõ impostos sobre gêneros da primeira necessidade, o que necessariamente tende a diminuir directamente a industria, e por conseqüência, segundo os princípios desses mesmos Governadores, a sua medida tende a agravar mais o mal. Se em vez de impor novos tributos, se attrahissem para o Reyno novas fontes de riqueza, isso sim augmentaria as rendas do Erário ; e diminuindo despezas inúteis; e propinas de vexame aos particulares o commercio prosperaria. 
Fig. 12 –   As multidões de nativos analfabetos juntou-se uma massa de emigrados fugidos das guerras e desempregados pelos primórdios da ERA INDUSTRIAL EUROPÉIA.  Assim, via-se no BRASIL,  no início do século XIX refugiados de todos os continentes, etnias e culturas – além da corte fugida de Lisboa –. Sobre estas massas humanas informes e sem identidade própria, importava,  para a CORTE LUSITANA, MANTER-SE apenas, no PODER CENTRAL e MONOCRÁTICO,. Para tanto as milícias oficiais somavam-se as milícias mantidas pelos comerciantes e latifundiários e que aparecem cercando esta multidão sem identidade própria. Em agosto de 2017 este expediente as milícias mantidas pelos comerciantes e  pelas empresas de segurança,   ganharam reforços e legitimidade através da força nacional brasileira
   
Tem existido por muitos annos em Londres[1] uma chamada Administração, para a venda dos diamantes e outros contractos Reaes. Se esta Administração deve estar na Europa e naõ no Brazil ¿ porque naõ está antes em Lisboa ? A conseqüência de fe fazerem estas vendas em Londres he, que o seu producto opera no commercio, como se fosse uma riqueza Ingleza; »isto que as letras saõ sacadas sobre Inglaterra para se fazerem estes pagamentos, e assim ajuda o Governo a augmentar o cambio em desfavor de sua naçaõ. Se esta Administração estivesse em Lisboa, em vez de estar cm Londres, os lucros que dali resultam ficariam em Portugal, e naõ na Inglaterra; e assim em tanto quanto isso monta, se ajudaria a favorecer o cambio nacional. Mas o Banco do Rio-de-Janeiro tem interesse em que este gyro s e faça pela maneira actual, e quer a naçaõ soffra quer naõ, he preciso acudir ao interesse de indivíduos; e julga-se què se remedêa o mal, augmentando-o com a imposição de nossos tributos, sobre artigos de primeira necessidade, e de que depende a existência do homem.
Fig. 13 –   O PREÇO  para  a CORTE LUSITANA MANTER-SE no PODER CENTRAL e MONOCRÁTICO custou as minas de ouro e de pedras preciosas do BRASIL Este tesouro natural brasileiro foi inteiramente desproporcional com a COBIÇA, a PREGUIÇA e o raquítico e doentio PROJETO NACIONAL LUSIANO. As REVOLUÇÔES de RECIFE, da BAHIA e a INCONFIDÊNCIA MINEIRA nada puderam contra este raquítico e doentio PROJETO NACIONAL LUSIANO, contra o ÓCIO e contra COBIÇA metropolitana desmesurada e crescente. E nada significam, em agosto de 2017, na ausência de um PROJETO NACIONAL BRASILEIRO, no meio da insegurança contratual do TRABALHADOR da PRODUÇÂO NACIONAL  e carente de bases concretas e coerentes fundadas na TERRA, na HORA e na SOCIEDADE BRASILEIRA.

Em uma palavra, dizem os Governadores do Reyno, que as rendas do Erário se acham desfalcadas, pela diminuição da industria; e propõem como remédio um tributo em gêneros da primeira necessidade, que por força ha de diminuir mais a industria, e por conseqüência causar maior desfalque nas rendas do Erário. Bellos médicos; he pena que naõ consultassem nisto o seu amigo e advogado Jozé Agostinho, digno cooperadòr de tal Administração.

Ministério do Rio-de-Janeiro. Copiamos das gazetas Inglezas a seguinte noticia.
 " O paqueta Sandwich chegou a Falmouth do Rio-de-Janeiro, trazendo noticias até a data de 21 de Junho. Segundo estas noticias, tinha falecido, naquella cidade, o Conde da Barca, e o Cavaileiro Bezerra foi nomeado para Secretario de Estado interinamente O rumor dizia, que o actual Governador da Bahia, ja condecorado com o titulo de Marquez de Cascaes, e o conde de Palmella, agora Ministro de S. M. F. em Londres, tinham sido nomeados Secretários de Estado; o primeiro da repartição de marinha e colônias, o segundo dos negócios estrangeiros e da guerra: o Desembargador Thoinaz Antônio Villanova; he o Secretario de Estado da repartição do Interior."
Este paragrapho appareceo no Times; ue he a gazeta, aonde o Brazileiro estabelecido em Londres publica os seus escriptos; e como aquelle oscriptor se tem mostrado tam bem informado sobre as medidas do Gabinete do Rio-de-Janeiro, talvez saiba se este paragrapho contém informação verdadeira, ou se foi fabricado aqui em Londres. Nos o que podemos dizer sobre a matéria he, que as cartas, que recebemos do Rio-de-Janeiro, da mesma data naõ dizem cousa nenhuma a respeito de nova formação de Ministério, depois da morte do Conde da Barca. Investigador Português.
Fig. 14 –   A figura do CONDE da BARCA destoava Inteiramente da CORTE LUSITANA refugiada  no Rio de Janeiro do início do século XIX. Ele possuía vivências, informações e contatos com os maiores centros da 1ª ERA INDUSTRIAL e trouxe e implantou no BRASIL as sementes de instituições necessárias para este novo ambiente.  Entre outros trouxe a MISSÂO ARTÌSTICA FRANCESA com mais artesões, técnicos do que burocratas e aristas. Porém veio a falecer, em julho de 1817, sem ver os resultados de suas iniciativas. Iniciativas que pouco importavam ao  PODER CENTRAL e MONOCRÁTICO e cujo projeto prioritário era MANTER-SE no GOVERNO. Os sócios da coroa lusitana transformaram em cabides governamentais  as instituições criadas pelo CONDE da BARCA e o acusaram de ser colaborador dos franceses na antiga intriga  entre LONDRES e PARIS.

 Este belIo Jornal official da Embaixada Portugueza em Londres, depois de nos ter atacado como favorecedores de revoluçoens; porque nós tínhamos dicto, que havia abusos da Administração no Brazil, que provocavam os homens bons e espirituosos daquelle infeliz; saio-se agora no seu Nº . 74 a p. 275 com esta expressão; falando de Pernambuco:— '• Que na parte administrativa também haviam abusos enormes, parece ser uma verdade incontestável." Os Redactores continuam a provar corn exemplos esta sua assersaõ; e porque nós dissemos isto mesmo attrevem-se a accusarnos de favorecermos ;\s rebelioens! Forte consistência de princípios ! Estes mesmos Redactores, que enumeraram entre os benefícios que o Brazil tinha recebido, o ser nomeado Reyno, em vez de Estado do Brazil, disseram que em Portugal havia mais causa de revoluçoens do que no Brazil; porém nós agora lhe apresentamos um facto, no documento, que copiamos a p. 133, o qual lhes pôde servir, com o mesmo argumento, para principiar o cathalogo dos benefícios, que Portugal tem recebido. 
Fig. 15 –  Os “CAPAS PRETAS de COIMBRA”, em 1919, um século após  Intervenção no Recife, em 1817, De um lado,  eles foram os ardorosos construtores da ORDEM e do SISTEMA COLONIAL e ESCRAVAGISTA LUSO-BRASILEIRO. De outro lado alguns,  destes “CAPAS PRETAS de COIMBRA”, foram os paladinos e os pioneiros da construção da soberania brasileira[1], no início do século XIX,  orientando a superação das LEIS EMANADAS de LISBOA. Em agosto de 2017, um dos herdeiros dos  “CAPAS PRETAS de COIMBRA” ocupa o cargo administrativo mais alto do BRASI. Espera-se que seu projeto não seja de  MANTER-SE no PODER CENTRAL e MONOCRÁTICO  na imitação da  nefasta e obsoleta CORTE LUSITANA.

He isto nada menos he do que a faculdade, que se permitte á Universidade de Coimbra, de mandar dous deputados, que se achem presentes á Coroaçaõ d' EI Rey[2]. ¿ E naõ he isto uma prova evidente do cuidado que tem os Ministros na Corte do Rio-de-Janeiro pelos interesses de Portugal ? A sua lógica naõ pode deixar de concordar nisto com o Correio Braziliense, quaesquer que sejam as diíferenças em outros pontos.



[1] GAUER, Ruth Maria Chittó. A construção do Estado-nação no Brasil: a  contribuição dos egressos de Coimbra . Curitiba : Juruá. 2001. 336 p

[2] - Presença da UNIVERSIDADE de COIMBRA no Rio de Janeiro no dia 06 de fevereiro de 1818 na ACLAMAÇÂO de DOM JOÃO VI

Fig. 16 –   A imagem do Recife e, meados do século XIX. Uma das cidades  mais desenvolvidas e cobiçadas  no BRASIL, em 1817. Esta  praça declinou e teve o território da Capitania de Pernambuco drasticamente reduzido apesar do  alto preço pago pelos seus comerciantes lusitanos. A CORTE LUSITANA fingia-se indiferente a este declínio e fez de tudo para  MANTER-SE no PODER CENTRAL e MONOCRÁTICO as custas das CAPITANIAS PERIFÈRICAS que mantinha sob rígido controle e segurança militar ao modelo do que está acontecendo no Rio de Janeiro em agosto de 2017.

Revolução em Pernambuco.
A Narrativa official, que publicamos a p. 199, descreve o fim da tragédia em Pernambuco. Como ainda naõ tinhamos a gazeta da Bahia, traduzimos aquelle papel de uma traducçaõ Ingleza, mas cliegando-nos depois o original, o comparamos, e achamos, que naõ tem variedade senaõ nas expressoens, o que sempre deve acontecer, quando se fazem traducçoens de traducçoens. Assim findou aquella criminosa e imprudente empreza, que na nossa opinião, como ja dissemos, tenderá a demorar muito os melhoramentos necessários no Brazil, nas cousas políticas.
 Parece que esta “empresa imprudente e criminosa para desqualificar as coisas públicas”  arrasta-se, no Brasil  até agosto de 2017.
 Nesta “empresa imprudente e criminosa para desqualificar as coisas públicas” os “CAPAS PRETAS de COIMBRA” tiveram um papel aparentemente contraditório.  De um lado  estes “CAPAS PRETAS de COIMBRA” foram os ardorosos construtores da IMPRUDENTE e CRIMINOSA ORDEM expressa no SISTEMA COLONIAL e ESCRAVAGISTA LUSO-BRASILEIRO. De outro lado foram os paladinos e os pioneiros da construção da soberania brasileira e sua superação de Lisboa. Deve-se admitir que estas CIÊNCIAS JURÍDICAS a COMPREENSÃO de que um ESTADO e um GOVERNO são, na PRÁTICA, construções artificiais. Esta artificialidade se alastra e projeto sobre a construção das narrativas que se querem históricas[1] e da qual apanham



[1] RODRIGUES, José Honório (1913-1987) Teoria da Historia do Brasil, Introdução metodológica (4ª ed)  São Paulo: Companhia Editora Nacional 1978, 500p il Série Brasilina nº 11
                                                                   
Fig. 17 –   Uma página das narrativas de Intervenção no Recife, em 1817, foi revivida e cultuada em 2017 no BRASIL.  A REVOLUÇÃO de RECIFE, como a CONJURAÇÃO BAHIANA (1796-8)[1]  e a INCONFIDÊNCIA MINEIRA foram dura e cruelmente reprimidas pelo PODER CENTRAL e MONOCRÁTICO, desqualificadas pela  casta de sócios da coroa lusitana e enterradas. Porém os seu enterro, desqualificação e cruel repressão mostraram o caminho de uma identidade nacional brasileira que ainda está muito longe de atingir uma consciência coletiva e um pacto social, político e econômico para os descalabros do PODER CENTRAL BRASILEIRO praticados, em AGOSTO de 2017,  sob a LUZ dos HOLOFOTES .
De um lado algo também algo errado quando, em agosto 2017, o custo do CONGRESSO NACIONAL BRASILEIRO para funcionar atinge a cifra astronômica  e silenciosa do montante de R$ 1,16 (hum milhão, cento e sessenta mil reais)  POR HORA. Esta cifra deve ser multiplicada a cada dia por 24. Este resultado deve ser multiplicado  por 356 vezes para termos os gastos e custos  do CONGRESSO NACIONAL BRASILEIRO num único ano.
Este montante é apenas para o funcionamento do PODER LEGISLATIVO CENTRAL. Para angariar os votos favoráveis dos seus sócios o PODER EXECUTIVO CENTRAL empenhou, em agosto de 2017, a cifra de R$ 220 bilhões neste mesmo LEGISLATIVO. Faltam as contas do JUDICIÁRIO e da máquina administrativa CENTRAL.
¿ QUAL a FONTE desta MONTANHA de DINHEIRO?
Em  agosto de 2017 paira a dúvida sobre a continuidade da disponibilidade deste montante para o funcionamento, desta “empresa imprudente e criminosa para desqualificar as coisas públicas”. Dúvida que irá  arrastar-se no Brasil  por TEMPO INDETERMINADO. Com certeza  serão pouco mais 200 anos para pagar um ÚNICO GOVERNO.
Certamente esta fonte irá se secar e se esgotar em tempo muito menor daquele que o OURO do BRASIL durou. O sistema colonial continua o mesmo em agosto de 2017.


FONTES BIBLIOGRÁFICAS.
FAORO, Raymundo. Os donos do poder: formação do patronato político brasileiro.            Porto Alegre – São Paulo: Globo e USP, 1975.  2v.

GAUER, Ruth Maria Chittó. A construção do Estado-nação no Brasil: a  contribuição dos egressos de Coimbra . Curitiba : Juruá. 2001. 336 p

RODRIGUES, José Honório (1913-1987) Teoria da Historia do Brasil, Introdução metodológica (4ª ed)  São Paulo: Companhia Editora Nacional 1978, 500p il Série Brasilina nº 11

FONTES NUMÉRICAS DIGITAIS.
ALFÂNDEGAS no PERÌODO COLONIAL do BRASIL
+

Apoio de 05% ao GOVERNO CENTRAL em AGOSTO de 2017

ARTISTAS de PERNAMBUCO e a REVOLUÇÃO de 1817


BRASIL  e PORTUGAL com as mesmas repartições publicas no Reino de DOM JOÃO VI
¿ Que REI SOU EU?
ESTÁTUA de DOM JOÃO VI
GENEALOGIA e HERANÇA de Dom JOÂO VI

CONFEDERAÇÂO do EQUADOR 1824

CONJURAÇÃO da BAHIA 1796-1796

CONDE da BARCA:  Antônio Araújo de Azevedo (1754-1817)
CONDE da BARCA e MARINHA PORTUGUESA

DIAMANTINA – MG -  e MUSEU do DIAMANTE

GOVERNO PERDOA 220 BILHÔES de REAIS aos seus SÓCIOS em AGOSTO de 2017

MUSEU NACIONA dos  COCHES – PORTUGAL

RECIFE em 1824

FOTOS ANTIGAS de RECIFE

CUSTO por HORA do CONGRESSO BRASILEIRO


Presença da UNIVERSIDADE de COIMBRA no Rio de Janeiro, no dia 06 de fevereiro de 1818, na ACLAMAÇÂO de DOM JOÃO VI.

2017: Deputado TIRIRICA DESILUDIDO com POLÌTICOS.

VIDA NA AMÈRICA nos SÉCULOS XVIII e XIX

VIDEOS; Revolução de 1817 Pernambuco




[1] CONJURAÇÂO da BAHIA 1796-1796 http://www.historia-bahia.com/conjuracao.htm
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