domingo, 7 de janeiro de 2018

160 – NÃO FOI NO GRITO

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NAÇÃO - ESTADO - GOVERNO
Em janeiro de 1818 e de 2018

Fig. 01 –  No início do século XIX  multidões anônimas  se moviam em toda a AMERICA do SUL. Estas multidões reagiam contra os GOVERNOS dos ESTADOS EUROPEUS em confrontos mortais e dilacerantes de todos os contratos anteriores. Estes povos, antes submissos aos projetos coloniais europeus, começaram a construir o seus próprios projetos nacionais  e, aos poucos, assumindo a sua soberania.   .  

A força não está da parte dos que governam que são poucos homens; mas sim da parte da multidão. Se o povo todo não quiser obedecer, o Governo não terá forças para o subjugar. O povo submete-se ao Governo, pela opinião, em que está, de que deve obedecer. As medidas arbitrarias do Governo tendem a diminuir essa opinião, e por consequência a enfraquecer o seu poder”
Correio Braziliense, VOL. XX. No. 116. janeiro de 1818, p. 96
Assinatura da Independência CHILE no dia 01.01.1818 -  DIÁRIO de CONCEPCIÓN  -   Dia 31.12.2017 -  Ano X, - nº 3.495 -  p.17
Fig. 02 –  A SOBERNIA - das novas  NAÇÕES SUL AMERICANOS -  nasceu do diálogo e da busca de interação entre etnias, grupos e ideologias com profundas diferenças. A  busca do ESTADO SOBERANO  respeitou e manteve estas diferenças. As complementariedades entre as eventuais contradições tiveram - e continua tendo – um espaço comum.   Porém em janeiro de 1818 a formação dos GOVERNOS estava muito distante de encontrar um ponto fixo de estabilidade contratual ente a NAÇÃO e o ESTADO. A verdade é que, em janeiro de 2018, ainda não completou e se consolidou este contrato. Sabendo desta fragilidade, dos GOVERNOS EMERGENTES, os GOVERNOS EUROPEUS se aproveitaram amplamente destas indefinições, destes contratos públicos vazios e continuam suas intensas investidas,  interesseiras e universais.

As novas nações sul americanas debatiam-se nas suas dores do parto do nascimento de sua soberania o seu território e o poder estavam sendo cobiçados, em dezembro de 1817, por quatro forças. De um lado estava o Reino da Espanha, do outro o Império Brasileiro, enquanto a Argentina cobiçava a Banda Oriental e ARTIGAS era um forte representante entre os nativos.
Enquanto o REINO CONTINENTAL de PORTUGAL continuava sob o alto arbítrio dos britânicos
Fig. 03 –  Os camisas vermelhos britânicos haviam perdido as suas 13 Colônias Norte Americanas. Assim as guerras napoleônicas foram um ótimo pretexto para dominar militarmente o Reino Lusitano. Assim a Grã Bretanha estava lançando as bases militares das suas conquistas e formar o NEO-COLONIALISMO no século XIX.
Esta escancarada presença militar britânica em solo de Portugal foi um aviso  para o Brasil tratar de conseguir o mais cedo possível a sua soberania. A elevação ao estatuto de REINO UNIDO dava margem para exercer esta distinção e que se concretizou em 1822.

Sob o alto arbítrio dos britânicos foram trazidos aos precários tribunais lusitanos uma série de réus acusados pelos ingleses de alta traição; Isto aconteceu em setembro de 1810 na denominada SETEMBRIZADA[1] acontecida logo após a partida do Dom João VI ao Brasil. Porém mais cruel e vexatório foi a condenação de GOMES FREIRE de ANDRADE[2] executado, junto com os seus companheiros no dia 18 de outubro de 1817 sob a acusação de atentaram contra o odiado BERESFORD. O Correio Braziliense de janeiro de 1818 voltava sua atenção aos condenados de 1810 arrastas de tribunal em tribunal.
Cenas de procrastinação jurídica que os brasileiros conhecem ainda em janeiro de 2018

Condemnacaõ dos Reos por alta traicaõ em Portugal.
He natural, que a repeticaõ desta materia faça com que os rabiscadores do Governo em Lisboa digam, que nos somos tediosos em repetir materia velha, como ja nos disséram a respeito dos Deportados da Septembrizaida, muitos dos quaes estaõ ainda sofrrendo pela materia velha. Mas naõ saõ esses rabiscadores os que nos hao de impedir de expôr os males nacionaes, resultantes de procedimentos arbitrarios e injustos, de que nôs assim como outros inuitos, teraos sido vittimas, e que todos os habitantes de Portugal estaô sugeitos a soffrer em seu turno. A repetida exposicaõ desses abusos, pôde tender a melhorar a disposicaõ, senao dos que governam agora, ao menos de outros individuos que succêdam nos seus importantes empregos, e, portanto, havendo em outros numeros exposto a injustiçaa dos procediraentos de que se tracta, passaremos agora a mostrar, quanto elles saô perniciosos em suas consequencias, a esses mesmos que governam; a fim de que o sentimennto do interesse proprio sirva de algum modo de freio, áquelles, cuja consciencia calejada naõ se doe aos argumentos da justiçaa. Quando o Conde de Linhares sevandijou todos os Magistrados de Portugal, no Avizo que do Rio-de-Janeiro remetteo ao Dezembargo do Paco em Lisboa, arguimos com vehemencia, contra aquella indecorosa medida, pela persuaçaõ, em que estamos, da necessidade de fazer respeitar, e fazer que sêjam respeita veis, os Sacerdotes da Justica.


[1] SETEMBRIZADAS de 10 a 13 de setembro de 1810


[2] Um judiciário lusitano coagido pelos britânicos condena os patriotas a forca:

Domingos SIQUEIRA (1768-1835)  “Sopa dos Pobres em Arroios” (1813) Gravura 42 x 78 cm
Fig. 04 –  As multidões lusitanas , tratavam de se manter vivas. Multidões abandonadas á sua própria sorte e sob o rígido controle britânico.  Os precários tribunais que haviam permanecido em Portugal - sem o  apoio LEGISLATIVO e um EXECUTIVO refugiado no Brasil - tornaram-se meras fachadas legais.  A corte de DOM JOÃO VI  permanecia no Rio de Janeiro a espera de que estas MULTIDÕES LUSITANAS pudessem recompor-se e restaurar uma soberania sob as novas condições gerais que o Congresso de Viena havia traçado


Sem que exista este sentimenlo no povo, as leys naô sao de algum proveito. Neste mesmo sentido he para lamentar,que a perseguicao, contra os infelizes condemnados agora neste exemplo, fosse cuberta com a capa de procedimentos judiciaes; porque o odio e falta de respeito, que de tam injusta sentenca se deve seguir aos Juizes, naturalmente se estende á Magistratura em geral; e naõ haverá criminoso, que seja punido com a maior justiça, a quem naõ sirva de abrigo ésta injusta sentença, para pôr em duvida a legulidade de seu castigo. O povo, que naõ tem meios de averiguar os processos convencido como deve estar cla illegalidade deste naõ terá motivos de acreditar, que outro algum processo criminal sêja justo; e daqui sem duvida se segue o desabono da administracaõ da Justiça. com indizivel detrimento do respeito das leys. Por mais injusto e atroz, que fosse o procedimento dos Governadores do Reyno, contra os deportados da Septembrizaida, aquelle acto naõ he comparavel com o de que se tracta, em suas terriveis consequencias. Na Septembrizaida, caîo todo o odio sobre os Governadores, e Secretarios do Governo; todos vîram. naquelle acto uin abuso do poder, em pessoas, que tinham nas suas maôs a administracaõ politica; mas naõ se violou o sanctuario da Justiça, naô se fez dos juizes instrumento do poder. No presente caso, porem, fez-se recair o odio nos magistrados; que déram a sentençaa; e mil outros casos, julgados conforme as leyss naô seraô bastantes para recobrar á Magistratura a authoridade e respeito, que esta unica injustica lhe tem feito perder. Os que apôiam sirailhantes medidas nos responderaõ, que as prizoens e os esbirros faraõ com que se obedeca aos magistrados; e se os esbirros naõ bastarem, as bayonetas dos soldados obteraõ esse fim. Este modo de raciocinar he um engano. A forca naõ está da parte dos que governam, que saô poucos homens; mas sim da parte da multidaõ. Se o povo todo naõ quizer obedecer, o Governo nao terá forcas para o subjugar. O povo submette-se ao Governo, pela opiniaô, em que está, de que deve obedecer. As medidas arbitrarias do Governo tendem a diminuir essa opiniao, e por consequencia a enfraqnecer o seu poder.
Fig. 05 –  Os pesados e massivos castelos medievais lusitanos prestaram o seu último serviço militar como fortalezas contra as invasões das tropas napoleônicas. Desaparecido este perigo as suas altas e sinistras muralhas tornaram se prisões controladas pelos britânicos e onde os juízes e advogados não tinham outra opção a não ser obedecer. Era contra este descalabro que o CORREIO BRAZILIENSE se revoltava em janeiro de 1818. Em janeiro de 2018 os presídios brasileiros só conseguiram piorar este quadro


He prova disto o que succede, nos infelizes territorios de Asia e Africa, aonde os qne governam se fiara, pela maior parte, nos seus soldados, para ter o povo em sugeiçaõ. Nenhum particular pôde contar com a sua cabeça segura: mas tambem os que govemam saô em um momento precipitados do throno em uma masmorra, e dali ao cadafalso. Acaba de succeder agora em Argel, o que continiiadamente se tem observado ali, em Constantinopla, e nos demais paizes aonde similhantes governos existem. A segurança, pois, do Governo, naô consiste nos esbirros, nem na força armada; mas sim na boa opiniaõ da naçaõ. A revolucaõ de Pernambuco, quaesquer que fossem as suas causas, foi executada pelas tropas; em quem o Governador se fiava para a sua defensa; e este motim em Lisboa, que os juizes qualificáram por crime d' alta traicaô foi intentado por railitares, conlra o commandante das tropas; vêjam pois os que goveraam, com estes dous exemplos em casa, se as bayonetas pádera jamais constituir baze segura para algura Governo. Por mais torluosa e embaracada, que os juizes fizessem a sua sentença, por mais que arranjassem os dictos dos réos, visto que nao tinham provas, a fim de justificarem a conclusaô, que tíráram, da criminalidade dos réos, ficou, na obstante isso, patente, que alguns desses officiaes condemnados tinham  má Vontade ao Marcchal, por offensas reaes ou imaginarias, que delle tinham recebido. Essa má vontade ao Marechal tornou-se em odio, e desejáram desfazer-se delle, fosse porque meios fosse- Eis aqui o que apparece da sua sentença, segundo o entender de todas as pessoas, que a tem lido e meditado.
INVASÃO INGLESA de PORTUGAL em 1589
Fig. 06 –  As invasões britânicas ao território metropolitano de Portugal foram frequentes.  Isto já havia acontecido em 1584 quando as coroas lusitana e espanhola se unificaram e Inglaterra resolveu tomar a parte que julgavam do seu direito.. Com os malfadados tratados lesivos a Portugal - como o de Methuen - muitas terras lusitanas passaram para o controle de particulares britânicos e que demandavam guarnições militares inglesas para cobrar, pelas armas, se necessário fosse, esta posse. Assim os ingleses procederam  na ausência de Dom João VI quando patrulham terras e mares de Portugal    

Agôra, a severidade dos castigos dos réos poderá satisfazer ao Márechal, mas, se havia descontentamento contra elle, esles procedimentos, longe de diminuir, devem augmentar o odio. Acresce a isto, que o Marechat he um estrangeiro, e, por tanto, ainda que os castigos de seus inimigos pessoaes fossem contidos nos limites da justica, sempre os Portuguezes se esentirîam de verem sacrificados tantos de seus compatriotas, para satisfazer á queixa deste estrangeiro. Esta observaçaõ tem tanto mais força, quanto lemos visto tratado, pelas mesmas gazetas Inglesas, entre outras o Times o qual disse, que fosse ou nao fosse justo o odio, que se tinha concebido em Portugal contra o Marechal, uma vez que isso tinha chegado a ponto de ser preciso dar castigos tam rigorosos, por sua causa, melhor seria que elle se viesse em boa para a sua terra, e deixasse os Portuguezes em paz. Porém nem o Times, nem os outros jornalistas Inglezes sabem, que ha em Portugal motivos de desconlentamento contra o Marechal, que se extendem alem da tropa: tal he o Regulameuto das Ordenancas, como nos observamos ao tempo de sua publîcaçaõ, cujas inovacoens odiosas, fazendo. por exemplo, presidir uin militar na Camara, se attribuem ao Marechal.

Fig. 07 –  As doze invasões inglesas da Argentinas pelo exército britânico evidenciam o interesse da Inglaterra por esta região estratégica no planeta. Esta extensa lista de interesses comerciais, políticos e militares ingleses que estavam inaugurando um extenso IMPERIO COLONIAL em pleno século XIX.. Antes da fuga de Dom João VI de Lisboa as tropas britânicas invadiram o Uruguai e depois se dirigiram para Buenos Aires onde Marechal William Carr Beresford foi preso pelo argentinos ..  

 Quando o Marechal Beresford commandava em Buenos Ayres. havia ali quem quizesse fazer daquelle paiz utna colonia Ingleza mas em vez de se adquirir ésta vantagem para lnglaterra, o povo prende-o o Marechal, elle fugio da prizaõ e Buenos Ayres he hoje um paiz independente. Isto aconteceo commandando o Marechal tropas Inglezas, mas porque o povo se naã dêo por satisfeito com elle. Melhor pois tivera sido, que quando ellc vio que naô estávam satisfeitos com dle os de Buenos Ayres, tivesse voltado para Ihglaterra.

Fig. 08 –  O Marechal William Carr Beresford e os seus soldados britânicos em Buenos Aires numa das 12 invasões  britânicas ao território Argentino.. Uma destas invasões inglesas ocorreu antes da vinda de Dom João VI ao Brasil. A corte do Rio de Janeiro  evitava que o Marechal  BERESFORD fosse  recebido e percebido no Rio de Janeiro ..      

Ninguem aprecia mais, ninguem tem dado mais louvor aos serviços do Marechal no espírito mpiito a disciplina do Exercito Portuguez, do que tem sido o Correio Braziliense; porém isso nao nos pode cegar, para que naô desapprovar aos da maneira mais decidida, as suas medidas para amesquinhar mais a condicaõ do Reyno: Paguem-se-Ihe em hora boa os seus servicos; porém uma vez que he necessario enforcar gente ás duzias, para que se obedeça ao Marechal, em nome da paz, mande-se o Marechal para a sua terra,  e nomeie-se um official Portuguez; que commande as tropas, para cessar a necessidade de tam sanguinolentas catastrophes.

Fig. 09 –  As tropas inglesas se renderam no 05 de julho de 1807 depois de uma feroz batalha de rua em rua em Buenos Aires  . O Marechal William Carr Beresford ficou preso em Buenos Aires ao longo de seus meses, conseguindo escapar. Isto não impediu a sua volta triunfal a Londres onde  recebeu 11.995 libras como participante e protagonista deste assalto..  

As doze invasões da Argentina pelos britânicos abalaram profundamente os ânimos dos Argentinos. De outro lado o espólio dos oito toneladas de prata das indenizações e saques praticados pelos ingleses foram um preço alto para que esta região não fosse reduzida a mais um colônia ou protetorado sujeito a Londres.

A tomada das Malvinas certamente foi um preço pago para que toda nação argentina se tornasse mais um terra sob o comando do COMMONWEALTH[1]

De outro lado Portugal se afigurou um velho e submisso vassalo de sua majestade britânica.  Assim o Marechal BERESFORD pode descarregar todas as suas frustrações de seus humilhantes seis meses de cativeiro em Buenos Aires e a crescente antipatia que a nação lusitana nutria contra ele e as sua desmesurada voracidade econômica Do saque do tesouro argentino o Marechal Beresford recebeu 11.995 libras como participante e protagonista deste assalto[2].



[2] - Beresford recebeu 11.995 libras como participante e protagonista do saque do tesouro argentino.

Fig. 10 –  O Marechal William Carr Beresford (1768-1854), Barão e Visconde de Albuera e Dungarvan, Conde de Trancoso, Marquês de Campo Maior e Duque de Elvas  encarnava um governo militar o que era tudo que o Correio Braziliense sempre combateu com todo o vigar... Apesar de estrategista brilhante de pouco valiam estes méritos pessoais para as multidões famintas, desorientadas  e pobres que se acumulavam nas vilas e nas cidades portuguesas

Voracidade econômica que os brasileiros conhecem ainda em janeiro de 2018 em cenas de procrastinação jurídica e cujo combustível são acertos de contas de quem não pode se locupletar ainda como o Marechal Beresford recebeu como recompensa do seu assalto a Buenos Aires

Fig. 11 –  O montagem de um cenário favorável a uma nova corte e realizado por um dos integrantes da Missão Artística Francesa entrada no Brasil em 1816. Contrariando as tendências coloniais  e tentando aproximar e atualizar no Brasil a nova ERA INDUSTRIAL apelava para a imagem de multidões que se aproximam e exaltam o soberano.  


Melhoramentos no Brazil.

No REINO do BRASIL o próprio governo, além de sua submissão como vassalo de sua majestade britânica, se atrapalhava nos seus próprios atos e feitos. Ai de quem quisesse governar para o bem da nação; uma feroz e retrógrada corte estava de plantão para exercer um meticuloso patrulhamento ideológico que encobria puros interesses econômicos seculares. 

Recorremos sempre a este assumpto com o mais decidido prazer, porque nos naõ podem ser indifferentes as vantagens, que tem lugar no nosso paiz natal, de qualquer natureza que ellas sêjam. He assim que louvamos no nosso N°. C'XIV a medida, que entaô annunciamos a p. 518, e que se conlém nos documentos officiaes; que publicamos agora por inteiro neste N°- a p. 6. Estas medidas tendem a estreitar os vinculos da uniaô; porque reciprécam os interesses dos dous reynos de Portugal e do Brazil: talvez a execucaô destas medidas sêja defeituosa; a triste experiencia do como vam as cousas publicas faz sempre temer isto; e porém sempre nestas ordens se ganha ja, o ter o Ministeiro reconhecido o raal na theoria, e determinado o remedio, o tempo irá fazendo o resto. Mais de perto porém nos toca o prazer, pelos melhoramentos, que vem annunciados a p. 75. Estimamc*, que o Intendente Geral da Policia se applique, como faz, á abertura de estradas, construecoens de pontes, e outros melhoramentos desta natureza, principalmente, quando isso se faz pelos mesmos povos, levando os com geito, e sem despeza para o Erario.

Remisso he o Intendente da Policiado Rio-de-Janeiro, em prízoens e outros actos de Policia Maniquense; por isto Ihe tem má vontade varios figuroens da Côrte; mas continue elle nestes melboramentos, que constituem a verdadeira policia de qualquer paiz, e terá sempre por si os votos de seus compatriotas, e a approvacaô de seu Soberano.

Fig. 12 –  O antigo palácio de São Cristóvão do Rio de Janeiro adaptado para as necessidades mais urgentes de um corte lusitana no Novo.  Esta mentalidade secular não abdica do centralismo, da pompa e circunstância  apesar das condições precárias em que a Colônia Brasileira tinha sido mantida aos longo de 300 anos ,


Desejavamos porém, neste ponto, duas cousas, que serîam de grande proveito e honra nacional. A primeira, que se extendesse esta jurisdicîaodo Intenes u[.. ] como elle tem mostrado assas intelligencia e zêlo, na construcçaõ dessas estradas e pontes mencionadas, ninguem serîa mais capaz de estender os mesmos beneficios a todos os mais pontos do Brazil, em que taes melboramentos se precisam; dando-se-lhe podeies e ineios de os levar a diante Segunda; que se publicassem annualmente relatorios officiaes de taes melhoramentos, ou pelo mesmo Intendente, 011 por Sua Majestade em pessoa. Todas as naçoens fazem estas exposiçoens, mais ou menos circumstanciadas; e a authenticidade de taes relatorios, que naô restem somente no dizer do Gazeteiro, serve para das ás nacoens estrangeiras ideas justas da grandeza da Naçaô; e aos nacionaes agradam, mostrando-se-lhes com isto, que o Governo cuida efficazmente de seus interesses; e que o Ministerio medita no que convem ao povo; nada pode contribuir mais para manter o contentamento, e augmentar a affêicaô dos subditos ao Soberano.
A Inglaterra vê continuadamentc isto, nas fallas do Soberano ao Parlamento; a neste mesmo N°. damos outros exemplos; na mensagem do Presidente dos Estados Unidos ao Congresso; e na exposicao d'El Rey de Suecia á Dieta
Fig. 13 –  O Rio de Janeiro era capital do Brasil desde 1763. Com a vinda de Dom João VI, em 1808, tornou-se capital do Império Lusitano. Em 1815 com a elevação do BRASIL a REINO UNIDO  e a proclamação da Independência brasileira gozou deste centralismo político nacional ate 1960 com a criação de Brasília. Em janeiro de 2018 está entregue ao mundo como um dos pontos mundiais de maior prestígio do turismo, de  eventos coerentes com a ÉPOCA PÓS-INDUSTRIAL  


A transparência torna-se algo impossível num governo sem dados objetivos. A falta absoluta desta atualização numérica e objetiva favorecia a inércia de um governo monocrático, central e parado no tempo. Num cenário destes  pouco adiantava trocar as figuras para uma massa escrava ou senhores feudais firmemente agarrados ao trono, ás armas e ao dinheiro. O ideal democrático A força não está da parte dos que governam que são poucos homens; mas sim da parte da multidão. Se o povo todo não quiser obedecer, o Governo não terá forças para o subjugar. O povo submete-se ao Governo, pela opinião, em que está, de que deve obedecer. As medidas arbitrárias do Governo tendem a diminuir essa opinião, e por consequência a enfraquecer o seu poder”.


FONTES NUMÉRICAS DIGITAIS da PRESENTE POSTAGEM

SETEMBRIZADAS de 10 a 13 de setembro de 1810




INGLESES em PORTUGAL




INGLESES dominam a POLÍTICA de PORTUGAL CONTINENTAL de 1808 até 1820




INVASÕES de PORTUGAL pelas TROPAS  FRANCESAS


William Carr Beresford (1768-1854), Barão e Visconde de Albuera e Dungarvan,
Conde de Trancoso, Marquês de Campo Maior e Duque de Elvas



WILIAM CAR BERESFORD em BUENOS AIRES




As 12 invasões inglesas da ARGENTINA




INGLESS ocupam BUENOS AIRES em 1806 e 1808







A UNIDADE BRASILEIRA e FRAGMENTAÇÂO LATINO AMERICANA




DESGRAÇAS do  REINO de PORTUGAL x PROSPERIDADE no REINO do BRASIL



RAZÕES para os INGLESES PERMANECER em PORTUGAL e aadiar a VOLTA de D. JOÃO VI




CONSTRUÇÃO VISUAL do BRASIL e do 1º IMPÉRIO




MEHORAMENTO do RIO de JANEIRO com DOM JOÃO VI



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sábado, 2 de dezembro de 2017

159 – NÃO FOI NO GRITO

O URUGUAI: o NASCIMENTO de uma NAÇÃO SOBERANA

Fotograma do filme “ARTIGAS la Redota”[1]
Fig. 01 –    A NAÇÂO URUGUAIA nasceu do diálogo e da busca de interação entre etnias, grupos e ideologias com profundas diferenças. A  busca do ESTADO SOBERANO do URUGUAI respeitou e manteve estas diferenças. As complementariedades entre as eventuais contradições tiveram - e continua tendo – um espaço comum   As poucas armas físicas da  NAÇÂO URUGUAIA foram e continuam sendo compensadas por uma educação continuada,  intensa e universal e gratuita. 

 Enquanto uma nova nação  se debatia nas dores do parto do nascimento de sua soberania o seu território e o poder estavam sendo cobiçados, em dezembro de 1817, por quatro forças. De um lado estava o Reino da Espanha, do outro o Império Brasileiro, enquanto a Argentina cobiçava a Banda Oriental e ARTIGAS era um forte representante entre os nativos.

A difícil, lenta e titubeante forma da busca de um governo consensual era apenas potencial para se auto sustentar. Porém este conjunto moldou um contrato para conferir uma identidade atual República do URUGUAI.

Fig. 02 –    O URUGUAI está dividido administrativamente em Departamentos O departamento de Soriano sempre se constituiu num ponto no qual circulavam os indígenas missioneiros, local de refúgio dos quilombos dos escravos portugueses fugidos de Colônia e contato mais próximo de Buenos Aires. Todas estas populações mantivera a sua própria identidade de origem são cultivadas até o presente  Neste presente a intensa e sofisticada agricultura e pecuária a NAÇÂO URUGUAIA é baseada na homeostase permanente entre forças antagônicas. Esta homeostase é possível graças a uma educação escolar intensa e universal e gratuita

A Espanha estava fragilizada e dividida e curando as feridas da ocupação napoleônica do seu território europeu. O Brasil havia tomado militarmente MONTEVIDEU e estava administrando a região na expectativa do surgimento de autêntico governo e com credibilidade internacional. A Argentina estava pressionado desde  Buenos Aires e com o sonho legítimo e estratégico  ter sob seu controle o estuário do Rio da Prata. ARTIGAS estava refugiado no Paraguai e donde não tinha meios para impor um governo na sua região de origem.

O que é possível afirmar e resumir que o longo e penoso processo da SOBERANA da atual Republica do URUGUAI  NÃO FOI no GRITO.

Fig. 03 –    O jurista e jornalista Hipólito José da COSTA (1774-1824)  foi um observador atento das vicissitudes e embates que se produziam na sua terra de origem. Conhecendo as forças em conflito buscava e aconselha mediações e que se efetivaram muito depois de sua morte. Em dezembro de 1817 podia perceber o acerto da permanência de Dom João VI no Brasil  Assim escreveu que ”na América se ele adaptar a sua politica ao espirito do pais, que tem adoptado, pode reinar como senhor independente do terreno, e governador constitucional escolhido por um povo livre”.


O redator[1] do CORREIO BRAZILIENSE havia nascido, em 1774,  em COLÔNIA do SACRAMENTO e de onde era originária sua mãe. Assim pautava com muito cuidado e interesse as vicissitudes de sua terra natal


CORREIO BRAZILIENSE Vol . XIX. No. 115. Dezembro de 1818   
Miscellanea. pp. 643 - 658



Um episódio brasileiro neste cenário e tempo

Rio de Janeiro 23 de Julho.

Na Gazeta N°. 51 copiamos uma carta de Monte Video referindo o brioso denodo, com que alguns Officiaes e Soldados, se haviam libertado da prisaõ, carregados de despojos do inimigo, agora temos occasiaõ de dar mais cabal noticia deste acontecimento, trasladando o próprio Officio do Tenente General Lecór. lllustrissimo e Excellentissimo Senhor.—Hontem fundeou neste Porto uma Galeota de Guerra de Buenos Ayres, denominada Fortuna, que trazia a bordo as pessoas comprehendidas na relação inclusa, que lograram esquivar-se briosamente aos ferros dos inimigos, cujo pezo soffriam prisioneiros. Este suecesso he acompanhado de circumstancias demasiadamente notáveis, e que reflectem muita gloria em todos os indivíduos, que nelle tiveram parte, e muito principalmente no Tenente Jacinto Pinto de Araújo, Assistente do Quartel Mestre General, que, de accordo com o Alferes Francisco Antônio da Silva, concebeo, e levou a effeito uma empreza tam digna, e que tanta honra lhe dá.
Fig. 04 –    Um prédio de um museu na cidade uruguaia de Santo Domingo Soriano  . Cidade natal de José ARTIGAS e no caminho do  local do desembarque, em 15.04.1825, e juramento dos “TRINTA E TRÊS ORIENTAIS”[1] e lugar de memória e veneração desta nação PLATINA EXPRIMIDA entre a Argentina e o Brasil. .

Estes Oficiáes estavam com os outros prisioneiros em Santo Domingo Soriano[1], juncto da confluente do Rio Negro debaixo da guarda, que um Tenente commandava, e sabendo, que naquelle porto se achava uma Balandra com bandeira oriental, carregada com petrechos de guerra, projeclaram apossar-se delia, naõ so para subtrahir-se á pezada escravidão, que os oprimia, mas para tirar ao inimigo um tam avultado numero de artigos interessantes ás suas operações, como os que a dieta Balandra continha. A Providencia protegeo tam nobre, honrado, e bravo pensamento; e permittio que elles na noite do dia 17 do corrente, tendo podido praticar na parede da sua prizaõ uma abertura, por onde saíram, sem que pelas sentinellas fossem presentidos, se dirigissem á paraia, aonde malograda a esperança de achar embarcação, em que se transportassem para a Balandra indicada, possuídos absolutamente do seu objecto, e resolvidos a sacrificar por elle as vidas, que tam compromettidas ja tinham, corajosamente se lançaram a nado, e conseguindo apossar-se de uma lancha, que perto havia, apezar dos gritos, com que seus donos queriam embaraçallos, lograram finalmente apoderar-se da Balandra Cinco-de-Julio e de toda a sua tripulação, e carga, arvorando, cheios daquelle inexplicável gozo, que da o bom resultado, quando elle nasce do valor, e da virdlue; a Real Bandeira Portugueza, que miuto á pressa con_ struiram o melhor, que as circumstancias lhe facilitaram. No dia 1- do corrente, navegando para esta Praça, deram vista juneto de Martin Garcia, de uma Embarcação de Guerra, e julgando pela situação que pertencia aos Orientaes decidiram tomalla, e só os dissuadio o saberem depois que era de Buenos-Ayres, para onde foram dirigidos pela dicta embarcação, a cujo commandante contaram, que gente eram, de que circumstancias vinham, e o fim, a que se propunham. O Director Supremo daquelle Governo lhes facilitou soccorros, de que necessitavam, e os enviou a este porto, aonde felizmente chegaram, dando a todos os indivíduos desta Divisão um sublime exemplo de bravura, honradez e lealdade, e um dia de completa satisfacçaõ.



[1] VILA SÂO DOMINGOS SORIANO terra natal de ARTIGAS  http://www.lanave.com.uy/santodomingosoriano/




Fig. 05 –    O general Carlos Frederico LECOR (1764-1836)[1] estava ocupando a cidade de Montevideo em dezembro de 1817 como capital da Província brasileira do Uruguai. No entanto pouco podia fazer  no interior desta província A sua ação se limitava a que nenhum bando aventureiro se intalsse e se  apropria-se de um governo e eu continuou a ser gestado entre diversas forças internas do que se tornou o Estado Soberano do Uruguai Este Estado só ganhou corpo com o juramento da Constituição uruguaia.

Inclusa remetto a V. Exa. a lista dos objectos aprezados a bordo da Balandra, pelos valentes prisioneiros, cujos nomes contem a sobredeita relação e tenho a honra de rogar a V. Exa. se sirva informar a Sua Magestade este acontecimento, para que S. M. usando da Sua Real munificencia, se digne conceder a taõ beneméritos vassallos o prêmio, que sua heróica empreza lhes reclama.—Deos Guarde a V. Exa. muitos annos. Quartel General de Monte-Video 2 de Maio de 1817, etc.—Carlos Frederico Lecôr, Tenente General. Seguia-se a relação dos prisioneiros Portuguezes, que no dia 17 de Maio taõ gloriosamente se libertaram.

Fig. 06      Pedro SOUZA HOLSTEIN (1781-1850)[1] na época, conde de PAMELLA, representava o corte do Rio de Janeiro no encontro diplomático de Paris. Este encontro manteve em suspenso qualquer ação militar de nações europeias profundamente exauridas e humilhadas pelas guerras napoleônicas. Estas suspensão deu uma década ao patriotas uruguaios a ocasião para costurar e contratar a sua constituição nacional 

A diplomacia entra em ação

Disputa entre Portugal e Hespanha.

O conde de Palmella partio de Londres para Paris, a fim de assistir ás conferências, em que as Potências Alliadas, por meio de seus Embaixadores, tem de decidir a questão entre Portugal e Hespanha, a titulo de mediação. Assegura-se, com muita probabilidade, que a Hespanha insiste, em que S.M. Fidelissima lhe entregue o território de Monte-Video, que tomara ao Chefe Artigas. A corte do Rio-de-Janeiro, porém, insiste em conservar aquella posse, até que a questão entre Hespanha e suas Colônias se decida, pela força d' armas, ou pelas negociaçoens. O motivo porque a Hespanha insiste nesta restituição he; porque deseja desembarcar a expedição, que está preparando em Cadiz' no território de Monte-Video; e fazer ali o seu ponto de apoio, para atacar Buenos-Ayres, e mais provincias daquella parte da America.

Fig. 07 –    A Batalha de Sarandi[1] é uma amostra dos confrontos armados, das guerrilhas e tropelias militares que estavam ocorrendo no território que se tornaria o Estado soberano do URUGUAI . A derrota dos imperiais comandados por  Bento Manuel Ribeiro  e Bento Gonçalves da Silva na Batalha do Sarandi abriu aos orientais o domínio de todo o seu território, menos Montevideo e Colônia. Nunca as forças imperiais brasileiras tiveram tantos mortos e prisioneiros de guerra com neste episódio

A cessaõ, porem, da parte de Portugal, trará inevitavelmente consigo a guerra entre os dominios Portuguezes, e as Colônias Hespanholas revoltadas. Neste caso, se a Hespanha for mal succedida na expedição, o que he mais que provável  que soccorros poderá dar a Portugal, para o garantir contra as hostilidades assim provocadas, da parte dos Insurgentes? A gazeta Ingleza, d' onde copiamos estas noticias, (Chron. 25 Dec ) diz, sobre isto, o seguinte; — "A Hespanha ameaça com tomar Portugal, para o obrigara acquiescer; — El Rey do Brazil, dizem que está preparado para o sacrificio, que o priva de um paiz, charo a suas affeiçoens, mas que ao mesmo tempo o livra de uma vassallagem, revoltante á sua dignidade, e ruinoso aos interesses, tanto de seus vassallos Europeos como dos Americamos. Em Portugal elle se acha  assentado em um throno, que o obriga a receber as ordens dos officiaes d'alfândega Inglezes, e do Alguasil de Madrid; na America se elle adaptar a sua politica ao espirito do paiz, que tem adoptado, pode reynar como senhor independente do terreno, e governador constitucional escolhido por um povo livre. O Negociador d' El Rey do Brazil, que assignasse a restituição de Monte-Video á Hespanha,em quauto a margem direita do Rio-da Prata está livre, e Artigas rodeando indomito as provincias da margem esquerda, arrancaria a coroado Brazil da testa 3'TSlRey; e quando assignasse o tractado, manisfestaria a sua opinião, de que o seu soberano éra indigno de a trazer;—de tal ignorância, ou criminosa deslealdade naõ suspeitamos um Palmella ou um Souza.'

Nós convimos com o escriptor deste paragrapho em tudo, excepto na alternativa, que elle suppôem, de ou restituir Monte Video ou perder Portugal. Se a Corte do Rio-de-Janeiro insistir em conservar Monte. Video, como deve fazer para sua segurança, até o ajuste das disputas entre Hespanha e suas Colônias, nada tem que temer na Europa da parte da Corte de Madrid. El Rey de Hespanha naõ tem forças nem meios alguns para conquistar Portugal: assim seria uma covardia indesculpável ceder o território de MonteVideo, com a certeza dos males, que dahi se devem seguir, pelo temor da contigente conquista de Portugal, improvável, em todo o sentido, e na melhor opinião absolutamente impracticavel. Em uma palavra, seria sugeitar-se a um mal certo, pelo temor de outro naõ só incerto mas improvável: seria seguir o systema daquelles, que commettem suicídio, com temor de que alguém os mate.

Fig. 08 –    O juramento da Constituição, 1830,   tornou o URUGUAI Estado num soberano e colocou um ponto final nos confrontos armados, das guerrilhas e tropelias militares que ocorreram no seu território ente 1811 e 1830. As bandeiras do Brasil,  da Argentina e a Mercante da Inglaterra[1]  marcavam o reconhecimento internacional desta epopeia.



Os dois séculos que transcorreram entre a publicação deste texto do Correio Braziliense permitem  verificar, em dezembro de 2017 os acertos temores e exageros destas percepções jornalísticas.

Neste meio tempo a  República do URUGUAI conquistou gradativa e firmemente a sua soberania. O Brasil foi um dos primeiros a reconhecer oficialmente este fato. A diplomacia brasileira teve de entrar em ação, em diversas ocasiões  devido a pequena população e pequeno território exprimido entre gigantes foi objeto de frequentes cobiças. Um pais com uma população de pouco mais de 3,5 milhões de habitantes[2] é a materialização do que August COMTE almejava para um pais. Por diversas circunstâncias do URUGUAI é denominada a SUIÇA latino-americano. Se o tamanho geográfico e populacional é reduzido, crescem e se expandem, na proporção inversa, as suas busca de identidade profunda. Identidade a mais próxima possível das diversas e variadas culturas que se integraram conscientemente nesta nação, sem perder as forças e as tradições de suas variadas origens.

Evidente que são frequentes os desvios, o reducionismo autoritário e as tentações da indústria cultural vindos mais de fora do que de dentro desta nação que sabe que é uma construção artificial, propositiva e mutável. Assim esta busca de identidade se renova e enriquece sem o perigo de estagnar num TIPO único  e mitificado.

Em contrapartida a escolaridade, a cultura e a busca de identidade nacional constituem um forte cimento social político e econômico. O Rio Grade dos Sul importou de lá a sua tradição gauchesca, métodos escolares, artistas de vanguarda e serviu de refúgio seguro para líderes em tempos de perseguições e mudanças bruscas de governos.

Se a afirmação da SOBERANA da Republica do URUGUAI  NÃO FOI no GRITO e sim um longo e penoso processo, isto significa que esta SOBERANIA nunca é algo pronto, dado e eterno.

O pintor José Manuel BLANES (183o-1901)[1]  num fotograma do filme “ARTIGAS la Redota”
Fig. 09 –    A construção das narrativas da formação  Estado soberano do URUGUAI ocorreram apenas no final do século XIX. Distante dos  fatos e com raros e insignificantes testemunhos vivos  a mitificação, a propaganda e o marketing oficias tiveram livre curso no Brasil, no Uruguai e no mundo ocidental que estava se preparndo para viver a “Belle Époque” do triunfo e da fantasia.

O ditado popular “QUEM CONTA um CONTO, ACRESCENTA um PONTO”  pode se aplicar aos governos do estados nacionais que NÂO SÓ CONTAM, mas TAMBÈM ESCONDEM e ESCAMOTEIAM PONTOS DESABONADORES daquilo que querem ou precisam exaltar. Assim a derrota de Bento Gonçalves da Silva e do comandante Bento Manuel da Silva  na batalha do Sarandi é raramente mencionada para estes líderes Farroupilhas. Se é mencionada a própria derrota foi retratada como retirada heroica do campo de batalha.

O desleixo com os documentos, com os arquivos sérios e objetivos e a falta de profissionais bem remunerados e com careira reconhecida, escancaram e estimulam a mitificação, as narrativas distorcidas, parciais e perpassadas das ideologias as mais obtusas e das quais os próprios agentes e promotores nem suspeitam serem portadores destes vírus.

O “GRITO de ASENCIO” - Pintura de CARLOS MARIA HERRERA[1]
Fig. 10 –    A mitificação das narrativas da formação  Estado soberano do URUGUAI foram amplamente explorados pelo marketing e pela propaganda de produtos industriais. Se de um lado reforçam e dissemina a identidade nacional, do outro escapam inteiramente do presente, das diferenças e da vida das pessoas. O Uruguai possui a quase totalidade de sua população vivendo em centros urbanos (92.2%) para a qual a cena acima não ter nada ver. 


A tese que perpassa o blog,  denominado “NÃO FOI no GRITO”, é que tanto a SOBERANIA do ESTADO BRASILEIRO como o URUGUAIO NÂO se DEU no GRITO a BEIIRA do RIACHO IPIRANGA,  como a INDEPENDÊMCIA do URUGUAI não determinado pelo GRITO de ASENCIO e pela BATALHA as MARGENS do RIACHO SARANDI.

No aspecto prático se espera que o BICENTENARIO da INDEPENDÊNCIA do BRASIL, em 2022, não seja mais um EVENTO PONTUAL e GROTESCO como foi o EVENTO dos 500 ANOS da DESCOBERTA.

Ambas as soberanias foram um longo, longo e penoso PROCESSO e que só se tornou concreto com a intervenção e o contrato com TODA a NAÇÂO BRASILEIRA ou URUGUAIA. No contraponto deste contrato é certo e concreto que ambos os ESTADOS deram as COSTAS para as suas respectivas NAÇÔES e passaram a gestar narrativas, mitos e eventos que tentavam escamotear e esconder os abismos entre os GOVERNOS e os seus POVOS.



ADMINISTRAÇÂO LECOR de MONTEVIDEU -1817-1822

BANDEIRA MERCANTE da INNGATERRA
Carlos Maria HERRERA 
CONDE e DEPOIS de PALMELA

LA REDOTA
VILA SÂO DOMINGOS SORIANO terra natal de ARTIGAS
Movimento cívico em SORIANO

JURAMENTO da CONSTITUIÇÂO do URUGUAI – por BLANES
PATRIOTISMO e DESIGN GRÁFICO URUGUAIO
POPULAÇÂO do URUGUAI 2010 – 
Filme ARTIGAS La Redota
José Manuel BLANES


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