sexta-feira, 7 de abril de 2017

150 - NÃO FOI NO GRITO


COMPETÊNCIAS e LIMITES dos GOVERNOS em ABRIL de 1817 e 2017
A memória humana é flexível e se adapta rapidamente a qualquer sistema.

Para esta sobrevida ela esquece rapidamente todos os males e perigos pelos quais ela passa relegando-os aos recantos obscuros do mundo do esquecimento. Enquanto isto põe em primeiro plano e ilumina o que considera bom, favorável e útil.
Fig. 01 –  No plano ideal das concepções de uma civilização o exercício da violência é um atributo que o cidadão delega ao seu Estado. Delegação pela qual este cidadão abdica do exercício da violência pelas suas próprias mãos e meios. O estado cerca-se de todo um aparato legal e institucional para exercer esta violência que o cidadão lhe delega. Na atualidade  a regulação desta violência está sob o aparato do legislativo que permite contratos entre cidadãos e com o seu Estado. O exercício desta violência passa pelo crivo, deliberação e decisão do poder judiciário. Este entrega ao exercício físico desta violência ao executivo.. No regime autocrático e personalizado estas três instâncias e respectivas funções estavam concentradas no trono monocrático. A vinda da corte ao  BRASIL dividiu em dois estas instâncias  do violência estatal. Esta divisão certamente foi um prenúncio da soberania do Estado Brasileiro também no exercício da violência pelo Estado
O Brasil possui, também, os seus recantos obscuros, contrastando com os seus pontos luminosos. Trata de esquecer rapidamente os recantos obscuros enquanto expõe, em plena evidência, o que considera louvável, meritório e exemplar.


Neste contexto vale o aviso de Maquiavel  (O PRINCIPE [1]  Capítulo VIII,  p. 37)

 As ofensas devem ser feitas todas de uma só vez, a fim de que, pouco degustadas, ofendam menos, ao passo que os benefícios devem ser feitos aos poucos, para que sejam melhor apreciados”. MAQUIAVEL -


http://asinvasoesfrancesas.blogspot.com.br/2011/04/caricatura-sobre-as-opinioes-nacionais.html
Fig. 02 –  O século XIX foi o século das observações da índoles dos povos diante de eventos. A caricatura britânica do início do século XIX registra as reações das diversas índoles diante do Estado francês dominado por Napoleão Bonaparte O lusitano declara “EU ESTOU FORA !”  ou “I’m off. Se um lado é um mecanismo de fuga do povo de outro lado não deixava de moldar e flexibilizar  o seu pensamento e a sua ação pelo da sua corte refugiada na América. .

[Clique sobe a imagem para poder ler as expressões de cada povo]


 O Correio Braziliense evidencia - no seu número de abril de 1817 -a luta legal para extirpar a Inquisição no Brasil. A lei precede sempre os fatos na medida em que um governo ou um Estado são construções artificiais. Uma vez que uma lei adere e se entranha nesta construção é quase impossível separa esta lei do governo ou Estado. Isto aconteceu com a Escravidão legal como com a legalidade da Inquisição
Correio Braziliense - Miscellanea. BRAZIL.  Reflexoens sobre as Novidades deste Mez. Abril de 1816 pp. 384 até 388

Abolição da Inquisição.

Apenas tivemos lugar no nosso N°. passado, para mencionarmos a enérgica ordem da Corte do Rio-de-Janeiro; pela qual so prohibio ao Ministro de S. A. R. em Roma, o entrar em negociação alguma sobre o re-estabelicimento dos Jezuitas aos dominios Portuguezes. Agora temos de mencionar, além desta circumstancias outras duas noticias, que, na nossa opinião, lhe saÕ relativas : uma he, que Sua Sanctidade mandara abolir o uso da tortura na Inquisição ; fazendo intimar esta sua determinação aos ministros de Hespanhã e Portugal—outra, que a Corte do Brazil requererá ao Papa a abolição da Inquisição: Por mais virtuoso, que seja um homem, ou uma corporação de homens, sempre a calumnia acha aberta para suas falsas accusaçoens; e por tanto convém applicar em similhantes casos as regras da critica, para averiguar o fundamento, que tem as accusaçoens, que se trazem perante o publico, seja contra indivíduos, seja contra corporaçoens. Conduzidos por estas reflexoens temos examinado, com naõ pequeno cuidado, aquella parte da historia ecclesiastica; em que se acham os factos relativos á usurpaçaÕ, que a Igreja tem feito de poderes temporaes, e quanto mais profundamos a matéria, mais convencidos ficamos, de que esta usurpaçaÕ, por uma parte, tem sido uma das prncipaes causas, que tem provocado tanto ódio contra a Religião Catholica ; e por outra parte dá o mais justificado motivo, para que os Soberanos; no exercicio de seus direitos, e no preenchimento de seus deveres, naõ deixem passar occasiaõ nenhuma favorável de revincidar o que os Papas lhes tem usurpado ; porque nunca pôde haver prescripçaó contra os direitos Majestaticos.
Fig. 03 –  Os dados numéricos relativos a INQUISIÇÂO no BRASIL não são precisos. Entre as estimativas houve 1.076 pessoas acusadas no tribunal de Lisboa, sendo 778 homens e 298 mulheres. Destes 29 foram condenadas à fogueira sendo queimadas vivas, ou depois de estranguladas ou em imagem.  A acusação da HERESIA era fatal. O  JUDAISMO era o mas recorrente. Havia outros tribunais da inquisição em outras cidades de Portugal
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Gregorio VII. foi o primeiro, no principio do Século XI., que se mostrou, nao só independente, mas superior aos Soberanos; e sempre que acharam os Papas conjuncturas favoráveis, naÕ escrupulizáram em fazer usurpaçoens de toda a sorte, ate o ponto de assumir o direito de pôr e depor Soberanos, em estados  independentes; do que achamos na historia um longo cathalogo de exemplos. f E naõ saÕ estes procedimentos muito bastantes, para que Os Soberanos protejam as suas respectivas coroas e os seus Estados, contra estas funestas causas de tantos males. O argumento da que essas cousas passaram em tempos de ignorância, e naõ tornarão a acontecer, naõ deve illudir ninguém. 0 Governo de Roma soube sempre accommodar-se ás circumstancias; naõ apertar as suas pretençoens, se aconjunctura nao éra favorável, e revivêllas logo que tinha a esperança de bom successo. He por isso, que explicamos assim, a circumstancía de se conservar no Corpo de Direito Canonico, o cap. Grandi, De Suppl. Negl. Prael. em que os Papas assumem o direito de depor os Soberanos: naõ fazendo pouco ao caso, que foi em Portugal, aonde aconteceo a deposição do Monarcha, que se cita naquelle capitulo. Se estas manifestas usurpaçoens fossem somente effeito da ignorância dos tempos, sem duvida os Papas teriam agora feito riscar similhante disposição da collecçaõ das suas leys ecclesiasticas ; mas nisso ninguém falia.
Fig. 04 –  No plano prático - das concepções de uma civilização - as acusações julgamentos, sentenças e execuções da SANTA INQUISIÇÂO  transformam-se em espetáculos públicos de horror, medo e dor. Era o exercício do poder pelo poder de um ESTADO MONOCRÁTICO e sem apelações superiores de clemência. De outra parte este governo contava com a  memória humana que esquece rapidamente todos os males e perigos, pelos quais ela passa relegando-os aos recantos obscuros do mundo do esquecimento. Enquanto isto o governo organizava, eventos, cortejos e espetáculos para anestesiar os seu PODER ORIGINÁRIO em relação aos males que lhe infligia de forma arbitrária para manter o exercício intacto o seu PODER MONOCRÁTICO.  


Porém nos vemos este pretenso direito dos Papas exercitado em nossos dias, pelo Papa Pio VII., agora reynante, em sua bula do anno de 1801; pela qual nao só confirmou a dethronizaçao da Família Real dos Bourbons em França, mas obrigou os Bispos a que prestassem juramento de nao entrar em nenhum plano contra o governo de Bonaparte. A bula ainda que artificiosamente arranjada, quanto às palavras, monta a uma deposição da antiga Família, e reconhecimento de Bonaparte; este sem duvida requereo a bula, e a obteve em consequencia dos ajustes feitos com os legados do Papa, que foram o Arcebispo de Corintho, e o Cardeal Gonzalvi, que no Congresso de Vienna representou agora differente papel. Mas o ter Bonaparte requerido a bula, naÕ prova nada sobre o que nos dizemos, da perniciosa ingerência da Corte de Roma; porque em todos os casos, em que os Papas se tem intromettido a estas questoens civis, sempre he a favor de um partido contra outro ; como aconteceo em Portugal, no caso d'El Rey D. Sancho, e de seu irmão o Conde de Boulonha.
Fig. 05 –  A burocracia de MESA da CONSCIÊNCIA e das ORDENS” produziu no Brasil  um repartição publica que primava pelo formalismo. Formalismo que chamou a atenção de Jean Baptiste DEBRET  

He pois neste ponto de vista, que consideramos mui illegal, a ingerência do Papa ; em mandar abolir a tortura na Inquisiçaõ de Portugal; e mui desnecessário o passo de pedir a Corte do Rio-de-Janeiro alguma venia ao Papa, para abolir aquelle tribunal em seus dominios. A Inquisição he hum tribunal civil, e denominado Regio em Portugal. O seu regimento só tem força de ley; porque o Soberano lhe deo aquelle character. Os castigos e processos criminaes da Inquisição, só podem ter lugar pela authoridade d*El Rey ;—Logo a Corte do Rio-de-Jaueiro deve regeitar, in limine, como fez a respeito dos Jezuitas, toda a tentativa do Papa em ingerir-se nas leys criminaes do Estado, as quaes manifestamente saÕ só da competência civil. Nem obsta o argumento de que a abolição do tormento, seja saudável, e justo regulamento; porque, por mais justa que seja uma ley, ninguém tem o direito de a fazer, senaõ o Soberano de cada paiz. Foi sempre com estes pretextos da utilidade de introduzir boas máximas, e saudáveis regulamentos, que os Papas usurparam jurisdicçoens em tantas matérias puramente civis, como saÕ os testamentos, matrimônios, &c. Também naÕ podemos admittir, que seja escrúpulo de consciencia, quem obrigasse os Políticos da Corte do Rio-de-Janeiro a julgar que éra necessário recorrer ao Papa, para ter permissão de abolir a Inquisição; porque vemos que elles, sem tal beneplácito, se obrigaram, em um tractado com a Inglaterra, a nao admittir a Inquisição no Brazil. Nós ainda lhe naÕ perdoamos o peccado de fazer desta matéria objecto de estipulaçaÕ com uma naçaõ estrangeira; mas deixando esta questão de parte, o facto de prometter naÕ admittir a Inquisição no Brazil, sem permissão do Papa, prova, que elles naÕ olharam para isto como objecto de consciência, mas sim como regulamento do Estado, e portanto dentro de sua alçada. He por esta face, que olhamos a generosidade de S. S. mandando abolir os tormentas nas Inquisiçoens de Hespanhã, e de Portugal; únicos paizes aonde este ferrete da humanidade ainda existe
IMAGEM: NATIONAL OPINIOS off BONAMPARTE detalhe
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Fig. 06 –  O lusitano sempre andou com a corda no pescoço. Assim ameaçado  ganhava tempo nos seus mecanismos de fuga e expedientes com os quais driblava os formalismo do Estado As diversas origens, falares, h[abitos mesmo no interio lusitano nunca encontrara um pacto nacional único, linear e consequente. Esta divisão era um ponto favorável ao Estado Monocrático que se impunha pela exibição da violência para impor as suas deliberações e edecisões fossem elas quais que fossem. Assim tanto a presença francesas ou britânica  fora desmoralizadas pela sua capacidade de intgteragir com todo o PODE ORIGINÁRIO português.

Quanto Hespanhã, como o seu Soberano tornou outra vez a ailoptar os tormentos nos crimes de Estado, deixamos á sua paternal clemência a consideração dos tormentos em suas Inquisiçoens. Mas pelo que respeita a Portugal, tínhamos direito a esperar, que a Corte de Roma nos julgasse um pouco mais adiantados, a pezar dos muitos despropozitos que ainda cummetteraos, principalmente por culpa dos nossos mandoens; mas ainda assim S. S. se devia lembrar, que ja no anno de 1774, o Soberano de Portugal, " de seu metu próprio, certa sciencia, poder Rpal, pleno e supremo," tinha abolido os tormentos na Inquisição, excepto no caso dos Hercsiarchas; e que teve a bondade de fazer isto, sem consultar a vontade de S. S.; e que pelo mesmo direito com que o Soberano abolio os tormentos em uns casos, os podia abolir em todos. Assim S. S. velo com a sua liberalidade era pouco tarde, segundo nosso entender.
Lucas CRANAC (1472-1553) – Queima dos livros de Jan HUS
Fig. 07 –  A queima de livros era um dos espetáculo públicos, eventos, cortejos e espetáculos para anestesiar os seu PODER ORIGINÁRIO organizados  pelo PODER MONOCRÁTICO.  Inicialmente os preciosos incunábulos, com também os códices dos maias e dos astecas de exemplares únicos e insubstituíveis. 
Depois da imprensa o controle passou ao “NIHIL OBSTAT’ dos bispos. Bispos  nomeados pelo PODER MONOCRÁTICO e remunerados como funcionários públicos. Livros impressos em tipografias autorizadas e controlados pela polícia. A posse de livros sem o  ao “NIHIL OBSTAT’ dos bispos era índice e avante para as acusações de heresia e insubordinação como aconteceu com os Inconfidentes Mineiros..

Olhando portanto para a abolição da Inquisição, como mero acto da authoridade Real, nao podemos deixar de sentir desprazer, vendo nas gazetas a noticia, de que a Corte do Brazil estava requerendo ao Papa esta abolição; porque tal passo he tendente a conservar noçoens erradas da parte do povo, e pretençoens injustas da parte dos ecclesiasticos, que as faraó reviver sempre que possam.
Fig. 08 –  A queima das bandeiras dos estados Brasileiros[1] significava o final da soberania  Estados Regionais proclamada pelo Decreto nº 1  que instituía  o Regime Republicano no Brasil [2] e era uma violência contra estados e municípios e um gigantesco centralismo monocrático na mão de um ditador. Esta queima física e estas proibições constituía um ato simbólico da Era Industrial. A linha de montagem unívoca  era mascarada por espetáculos públicos, eventos, e cortejos  para anestesiar os seu PODER ORIGINÁRIO organizados  pelo PODER MONOCRÁTICO TOTALITÁRIO sob  controle das ideologias que se apropriavam do mecanismos deste Estado e da imprensa.

Se o Soberano de Portugal, immitando a Henrique VIII. de Inglaterra, se intromettesse a determinar quantos devem ser os sacramentos, ou cousa similhante, nós o arguiriamos de se intrometter com as consciências de seus subditos, para o que naõ tem direito algum ; porém, se elle dá passos tendentes a submetter a Igreja direitos que só pertencem á Coroa, julgamos que os seus Conselheiros saõ igualmente culpados, e responsáveis á sua pátria por estes males.
Fig. 09 –  A queima de livros continuou em plena Era Industrial a se constituir num dos espetáculo públicos, eventos, e cortejos  para anestesiar os seu PODER ORIGINÁRIO organizados  pelo PODER MONOCRÁTICO TOTALITÁRIO.  Não se tratava mais  dos preciosos incunábulos de exemplares únicos e insubstituíveis, mas fora e contra o controle das ideologias que se apropriavam do mecanismos destes Estado e da imprensa.


A religião so he motivo de leys temporaes, em quanto a destrucçaõ da moral, que ella ensina, pôde fazer mal ao Estado. Esta he a regra primordial do Legislador, que só uma perversaõ maligna, ou ignorância crassa pode torcer para outros fins. A abolição, porém, da Inquisição, requer a revogação das leys, promulgadas em conseqüência daquelle estabelecimento; para reduzir as cousas ao estado em que estavam antes, e conforme á antiga disciplina da Igreja, em que os Bispos pronunciavam nas matérias de fé; e o Soberano depois tractava os delinqüentes segundo convinha aos interesses do Estado. Aqui entra a consideração do que se deve obrar quanto aos Judeos, cuja expulsão de Portugal foi taõ injusta, quanto a sua perda foi prejudicial ao Reyno. Este ponto consideraremos nós no N*. seguinte.

Fig. 09 –  O PODER MONOCRÁTICO TOTALITÁRIO transvestiu-se, na ÉPOCA PÓS-INDUSTRIAL, em espetáculos públicos, eventos, e cortejos  para anestesiar os seu PODER ORIGINÁRIO  dos ESTADOS com interesses hegemônicos e globais ao estilo das primitivas nações colonizadoras europeias surgidas no final da Idade Média.  A ERA ESPACIAL, as redes mundiais numéricas digitais e as centrais de informações fariam inveja a qualquer inquisidor destes estados europeus colonizadores, escravistas e controladoras do poder e da economia. 


A lei precede sempre os fatos na medida em que um governo ou um Estado são construções artificiais. A independência separou, certamente, o Brasil da antiga construção artificial do governo e do Estado lusitano. Por esta razão a memória brasileira sepultou a Inquisição nos arcanos da escuridão, do medo e terror,

No entanto século XXI conseguiu superar amplamente, na prática, no terror, em prisões e em mortes violentas os piores períodos taxados de época das trevas, obscurantistas e arbitrárias. Num contagem de mortes, de prisões e de métodos, consta-se, em abril de 2017, que o terror, as execuções sumárias e a ocultação de interesses inconfessáveis contrariados continuam a fazer as suas vítimas fatais piores do que da Inquisição histórica. Vítimas em escala e metodologias que jamais poderiam ser  imaginados ou praticados pela antiga “SANTA INQUISIÇÃO”. As vítimas, destes atuais arbítrios,  chegam as cifras dos milhões.

Expõem-se à execração pública as metodologias, práticas e mentalidades de GOVERNOS MONOCRÁTICOS do passado. Esta  execração pública possui o objetivo de ocultar o terror, os interesses inconfessáveis e as metodologias praticadas fluentemente na ÉPOCA PÓS-INDUSTRIAL.  Esta  execração pública é apenas mais um detalhe do livre trânsito das acusações preventivas e arrasadoras da mente, coração e vontade humana praticadas no século XXI.

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HIERONYMUS BOSCH

MESA de CONSCIÊNCIA e das ORDENS

NAS MALHAS d MESA da CONSCIENCIA e das ORDENS


INQUISIÇÂO no BRASIL






INQUISIÇÃO nos ESTADOS UNIDOS:  NSA



CAMPOS de CONCENTRAÇÃO 2017

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terça-feira, 14 de março de 2017

149 - NÃO FOI NO GRITO


O PENSAMENTO de ARTIGAS PERMANECE.


A PROVÍNCIA da CISPLATINA foi mantida, em março de 1817, no centro de trocas, ameaças, barganhas e invasões sorrateiras vindas de todas as partes. As metrópoles de Madrid e de Lisboa haviam perdido o efetivo controle sobre o território que formaria o Uruguai soberano. O Rio de Janeiro, Buenos Aires e Londres se agitavam e barganhavam sobre esta questão. Destes centros partiam sondagens e boatos que se misturavam com notícias truncadas e especulações. Nos campos da PROVÍNCIA da CISPLATINA se moviam refugiados de toda espécie, cruzavam tropas e agiam guerrilhas no desespero. Ninguém reconhecia - nestes territórios sem fronteiras definidas - qualquer outro  como   donos de fato e de direito.
Fig. 01 –  O BRASIL mantinha a PROVÌNCIA CISPLATINA como uma espécie de PROTETORADO enquanto não surgisse um governo que representasse a maioria do povo desta região. Do outro lado a sua tomada como protetorado e sua transformação em Província Cisplatina  era uma das  forma para evitar a evasão dos escravos sob o poder brasileiro
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No território da PROVÍNCIA da CISPLATINA ninguém estava seguro de si mesmo, em março de 1817, muito menos, das identidades, das intenções e dos recursos e o futuro  dos demais grupos. Em muitos aspecto era semelhante ao horizonte e futuro dos refugiados errantes em março de 2017.

Fig. 02 –  Os extensos territórios do Reino Unido Portugal, Brasil e Algarves carentes das iniciativas e suportes econômicos de uma sólida base industrial e comercial em escala era apenas expressão vazia de um poder monocrático e centralista e corroído por uma nobreza que apenas lutavam por um poder político vazio e sem suporte no mundo que se abria para a ERA INDUSTRILAL. O sonho de Hipólito da Costa de um  poder brasileiro aos moldes de um  Commonwealth carecia de suporte material e da liga do cimento da economia e do comércio.   Lisboa e o Rio de Janeiro tornavam-se pontos cada vez mais na heteronomia da indústria, do comércio e da economia que convergiam e obedeciam ao Parlamento de Londres.
Certamente os britânicos estavam mais bem informados. interessados e eufóricos com o triunfo sobre Napoleão Bonaparte, seu prisioneiro numa das suas ilhas o Atlântico Sul. Ingleses interessados, especialmente em alavancar, por todos os meios, a sua nascente, expansiva e próspera ERA INDUSTIAL.
Fig. 03 –  O século XIX assistiu a passagem da INGLATERRA RURAL para a INDUSTRIAL Esta industrialização exigia um acúmulo de equipamentos, mão de obra, de capitais e especialmente a garantia de matérias primas necessárias para as máquinas cada vez mais eficientes. Os seus  produtos e produtores exigiam um comercio o mais amplo possível dos produtos em escala e em volumes crescente,  A política, as armas e a marinha britânica se encarregavam de negocias, garantir contratos para que os seus navios tivessem livre curso em todos os continentes  O futuro território do Uruguai entrava com um ponto geográfico estratégico para os ingleses manter este conjunto político,  fabril e marítimo em pleno vapor. Não é por nada que as bombachas otomanas – fabricadas pelos ingleses - passaram a ser vendidas a partir do porto de Montevidéu


Assim convém iniciar lendo o que o seu Parlamento estava cogitando.
George IV of the United Kingdom[1]
Fig. 04 –  A monarquia britânica era simbólica e decorativa  desde a Revolução de Cromwel[2]  . Na loucura de George III este posto foi ocupado, em 1811, pelo filho na qualidade de príncipe regente por aquele que se tornaria GEORGE IV  na sua posse, em 1820, como rei até a sua morte em 1830   GEORGE IV  tornou-se uma vitrine ambulante da indústria britânica de roupas finas e modas que consumissem a maior extensão possível de tecidos fabricados na Inglaterra. O Correio Braziliense passa ao largo desta figura decorativa. 

 CORREIO BRAZILIENSE - MARÇO de 1817 -VOL. XVIII. Nº 106. 11  pp. 291 até 301

Extracto dos debates do Parlamento Britânico.
Casa dos Communs 10 de Março. Mr. Brougham levantou-se, em consequenciado avizo que tinha dado, para chamar a attençaõ da Casa ao presente estado dos Governos Hespanhol e Portuguez na America Meredional. Os factos, que elle tinha ouvido, eram estes:—


[2]  Revolução de 1649-1653  Na sequência da vitória, a monarquia foi abolida e, entre 1649 e 1653, o país tornou-se uma república (denominada "Commonwealth of England"),
J.B. Debret, “Revista das tropas destinadas a Montevidéu, na Praia Grande, 1816”, óleo sobre cartão colado sobre tela, 41,6 X 62,9
Fig. 05 –  O BRASIL, para materializar a sua intenção de conquistar e manter a PROVÌNCIA CISPLATINA como seu PROTETORADO,  a corte do Rio de Janeiro reuniu um exército de VOLUNTÀRIOS REAIS. Para dar publicidade a este gesto organizou na Praia Grande, em maio de 1816, uma aparatosa REVISTA da TOPAS com a Presença do DOM JOÃO VI e da sua corte. No centro do quadro de Debret figura Dona CARLOTA JOAQUINA. Esta, na qualidade de filha do Rei da Espanha, mantinha contatos permanentes intrigas e ambições à Província Cisplatina.
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Haverá oito mezes que se mandou do Rio-de- Janeiro uma expedição contra Monte-Video; parte das tropas foram por terra, e parte por mar; e quando se ajunctaram, tomaram posiçoens fortes juncto daquella cidade.

Quando de la partiram as ultimas noticias estavam aquellas tropas ou actualmente sitiando Monte-Video, ou ameaçando começar o ataque. Elle tinha ouvido, que o Governo Hespanhol concordara em ceder Monte-Video a Portugal em troca de Olivença. Agora elle (Mr. B.) mantinha que Monte-Video naõ pertencia á Hespanha, mas ao partido independente; ou, como aquella gente éra muito impropriamente chamada, as provincias revoltadas, que o tinham conquistado antes da restauração de Fernando; e por tanto Fernando naõ tinha direito de dispor daquelle paiz. Seja isso como for, estava juncto ás muralhas daquella praça um exercito de 10-000 Portuguezes.
J.B. Debret, “Desfile de despedida  das tropas destinadas a Montevidéu1816”,
Fig. 06 –  O efetivo envio deste EXERCITO de VOLUNTARIOS RRAIS contou com um evento público e solene de despedida destas forças expedicionárias. Desfile organizado e presidido por expressiva parte da corte do Rio de Janeiro. Não faltavam soldados, oficiais e armamentos que haviam sido mobilizados e usados nos dois lados das sucessivas campanhas napoleônicas.

Quasi todos os homens faziam agora oraçoens pelo bom successo do partido independente da America Meredional; porém apenas se poderia suppôr, que esta expedição fosse agora contra Monte-Video, sem a sancçaõ do Governo Hespanhol.

 Isto éra de tanto maior importância, quanto se dizia que a convenção entre Hespanha e Portugal se dizia ter sido executada com o colluio de nossos agentes, e que Lord Beresford era generalíssimo dos exércitos Portuguezes, quando aquella expedição deo á vela. Se estes factos eram verdadeiros éra extraordinário, que naquela Casa se naõ fizesse mençaõ desta expedição; mas elle (Mr. B.) esperava, que os Ministros pudessem dar explicação cabal, ao paiz, do comportamento de seus agentes civis e militares, e nada seria mais grato do que ouvir, que este paiz naõ tinha, por seus agentes, entrado na privança desta convenção.—
Fig. 07 –  Lord BERESFORD  recebeu a honraria de Conde de Trancoso da realeza lusitana refugiada no BRASIL. Existem dúvidas de sua presença o assessoria na Guerra da PROVÌNCIA CISPLATINA. Porem ninguém se sentia à vontade diante deste irlandês a serviço inglês. A sua imagem e a fama do Conde de Trancoso desceu aos níveis mais baixos de popularidade quando da EXECUÇÂO de GOMES FREIRE de ANDRADE em 09 de junho de 1817. Três dias depois desta EXECUÇÂO os liberais portugueses tomam conta da situação e acusaram Beresford ter ordenado a morte vil seguida da execração pública de quem se tornou o mártir para os republicanos de Portugal

Por tanto moveria; "Que se apresentasse ao Principe Regente um humilde memorial, rogando-lhe que mandasse pôr perante a Casa, copias de quaesquer tractados ou convençoens, relativos á csesaõ de Monte-Video a Portugal, e de qualquer correspondência a respeito disso; em tanto quanto ella se poder communicar, sem prejuizo do serviço publico”.

Lord Castlereagh[1] disse, que este Govemo naõ tinha em gráo algum sido parte em algum tractado, sobre tal matéria, e que tinha ficado neutral. Quanto ao Marechal Beresford, naõ se deviam confundir os seus deveres com os de um official Britânico. Em quanto elle estivesse no serviço de Portugal, naõ devia ser considerado como obrando pelo seu paiz. Elle (Lord C.) consideraria ser uma grande falta de dever naquelle valoroso official, se elle communicasse a este Governo as intençoens do Governo Portuguez, em quanto estivesse no seu serviço. Porém se consideramos as relaçoens entre Hespanha e Portugal, naõ éra provável que se tivesse feito tal tractado; mas quer isto se olhasse como questão importante á America Meridional, quer relativa á Europa, elle (Lord C.) desapprovaria qualquer discussão sobre isto na sua presente forma: e naõ podia julgar que fosse conforme com o seu dever publico apresentar á Casa documentos alguns relativos a isto. Afr. Brougham cria que, naõ havia tractados entre as Cortes de Lisboa e Madrid; mas o que elle mencionara iram tractados entre as Cortes de Madrid e Rio-de Janeiro. Lord Castlereagh observou outra vez, que nao éra provável, que houvessem taes tractados entre essas cortes, que éra também o que elle queria dizer. Afr. Brougham, tinha muita satisfacçaõ em ouvir, que nada se tinha feito, directa ou indirectamente, da parte deste Governo, relativamente a esta convenção; porém o que o Nobre Lord tinha dicto a respeito de Lord Beresford, devia applicar-se a todos os outros officiaes. Se os nossos officiaes j obrando a favor da antiga Hespanha naõ eram reprehensiveis, elle (Mr. B.) desejava saber e os officiaes que serviam nas provineias revoltadas, como se lhes chamava, eram reprehensiveis ? ¿ Era ou naõ verdade que até ao momento do embarque daquelles 10.000 homens Lord Beresford esteve activamente empregado na sua organização? Mr. Lamb disse, que se um official Britannico da sua distincçaõ tinha obrado por esta maneira, éra de suppôr que o tinha feito de acordo com o Governo. Lord Castlereagh replicou, que, segundo as leys geraes das naçoens, Lord Beresford se devia considerar como obrando no serviço da Coroa de Portugal, e naõ tinha liberdade de descubrir as suas operaçoens a nenhuma outra Potência.
No lado lusitano, da corte real do Rio de Janeiro, recebia relatórios de suas forças expedicionárias e que o Correio Braziliense registrava.
Jerónimo Pereira de Vasconcelos
Fig. 08 –  Jerônimo Pereira de Vasconcellos[1] Os oficiais das forças expedicionárias dos VOLUNTARIASS que agiram na manutenção da PROVÌNCIA CISPLATINA como uma espécie de PROTETORADO do BRASIL tiveram ocasião de perceber a confusão e o caos de opiniões, investimentos e ações neste território.. Do outro lad o foi um batismo de fogp para asações do BRASIL SOBERANO, do espocas da Revolução Farroupilha, guerra contra Rosas. Alguns atingiram e agiram ainda no teatro de Guerra do Paraguai 

GUERRA DO RIO-DA-PRATA,

Ordem do dia, á Vanguarda da Divisão dos Voluntários Raes de El Rey.
Quartel-Generál no Campo de Saneia Thereza, 12 de Septembro de 1816, O Marechal de Campo, Ajutante General, Commandante da Vanguarda da Divisão de Voluntários Reaes d'EI Rey, Sebastião Pinto de Araújo Correa, estima muito ter esta occasiaõ de dar os seus agradecimentos ás tropas de Caçadores, Cavallaria, e Artilheria da Divisão, e ás do Esquadrão da Legiaõ de S. Paulo e Milicias do Rio  Grande, que avançaram no dia 5 do Corrente sobre o inimigo até Castilhos.
Fig. 09 –  Sebastião BARRETO  PEREIRA PINTO (1775-1841) nascido em Rio Pardo foi outro militar que fez carreira  com profundas vinculações e conhecimentos de sua gente, geografia e recursos. Após ser derrotado na Revolução Farroupilha, na tomada de Rio Pardo, refugiou-se no Uruguai. Faleceu como presidente da Província de Minas Gerais     

A boa ordem, em que marcharam em toda a noite do dia 5 para o dia 6: e o silencio que observaram, bem provam o estado de disciplina a que tem chegado estas tropas o que faz muita honra aos seus Commandantes; nem se pode esperar menos de uma tropa, que para ver o inimigo venceo todos os obstáculos passando arroios e lagos, com água pelos peitos, e pântanos que homem algum a pé ainda transitou nesta estação, O inimigo abandonou precipitadamente todos os pontos que occupava, deixando á nossa disposição as carretas, cavalhadas e boiadas, que conduzimos, e tendo o triplo da nossa força sobre Rocha, fugio a distancia de nove léguas diante de nós. As tropas devem estar convencidas de que o inimigo, que tem de bater neste paiz, nunca se lhes apresentará, em quanto ellas se comportarem da maneira que agora o tem feito. O Marechal de Campo agradece muito aos senhores Officiaes, a maneira com que conduziram as tropas em toda a marcha; e em particular ao Senhor Major Manuel Marque de Souza[1], pela sua prestavel assistência, assim como ao seu Estado Maior pessoal. (Assignado) SEBASTIÃO PINTO D'ARAUJO CORRÊA[2]. Marechal de Campo Aj. Geru
Fig. 10 –  Os exércitos - do início do século XIX - dependiam cada vez mais da ERA INDUSTRIAL na produção de armas, uniformes e alimentação previamente industrializados. Ao longo da campanha    da PROVÌNCIA CISPLATINA os exércitos BRASIL, seus comandantes e os soldados e os fornecedores absorviam técnicas, táticas e a logística desenvolvidas ao longo das campanhas napoleônicas do início do século . Alguns soldados e oficiais haviam tomado parte nestas campanhas e aprendido o uso da nova infraestrutura industrial militar, na prática da guerra,

Extracto do um officio de Aj. Gen. dos Voluntários Reaes a"El Rey, datado do Campo de S. Thereza, em 13 de Septembro de 1816
Fig. 11–  O Forte de Santa Teresa fazia parte do rosário de fortalezas que protegiam a   costa brasileiar do Atlântico do Sul, indo das Guianas até em frente a Buenos Aires na Colônia do Sacramento.  Situado o território da PROVÌNCIA CISPLATINA, o BRASIL o  entregou ao Uruguai. Este não só conserva as construções deste aparato militar intactas, como criou um parque nacional ao seu redor.
  
Tenho a honra de participar a vossa Excellencia para ser presente a S. M., que, no dia 5 do corrente pela manhaã. foi surprehendido o piquete, composto de 30 homens da Legião de S. Paulo e Milicianos do Rio-Grande, em que eu tinha falladoa V. Ex*. na minha carta de 25 de Agosto. O Commandante do piquete, que éra tenente, um cadete e um soldado fôram prisioneiros, um soldado extraviado e dous mortos. Pelas quatro horas da tarde do mesmo dia fui informado deste facto, e ordenando a marcha de duas companhias de Caçadores, uma peça do calibre de 6, 90 cavallos da Divisão, e 100 da- Legiaõ de S. Paulo e Milicianos, marchei até Castilhos Chicos, aonde cheguei ás 6 da tarde do dia 6. O inimigo fugio com a maior precipitação de todos os pontos, e somente fez halto, depois que passou o arroio de Rocha, aonde dizem teria 400 homens, miserável força, de que dispõem os chefes dos bandos, que destroem tam bello paiz; sendo a maior parte paizanos, que arrancam de suas casas, com a maior violência; e que para evitar a deserção delles naõ tem sido bastante passar alguns pelas armas.
FOTOGRAMA sobre o URUGUAI da TELEVISÃO ITALIANA - RAI - VEICULADO em 2017
Fig. 12  - O território  da PROVÌNCIA CISPLATINA estava povoado com refugiados, errantes entre o nomadismo indígena e o sedentarismo. Gente que oferecia os seus préstimos eventuais a quem precisasse deles na paz ou na guerra. Terminado este contrato temporário continuam o seu nomadismo pelas terras sem cercas  levando sobre o seu corpo e o seu cavalo todos os seus bens. Ele foi transformado em mito pela cultura sedentária urbana. Esta cultura projetou sobre ele as suas origens ancestrais, o revestiu com trajes urbanos com tecidos e objetos industriais ingleses. Coisas que ele nunca usou, nem praticou ou desejava,.  O estado do URUGUAI SOBERANO  apoiou  a construção de sua identidade nacional. Este Estado incentivou instituições,  pintores, poetas, músicos, bailarinos e estilistas a dar corpo estético a este mito. No  BRASI estas instituições serviram de referência após a emerGencia do REGIONALISMO que o ESTADO NOVO havia banido a favor de UNIDADE NACIONALISTA ao ndelo dos ESTADOS TOALITÀRIOS da ÉPOCA 

Extracto de um officio do Ajutante Gen. dos Voluntários Reaes d1 El Rey, datado do Campo de S. Thereza, em 28 de Septembro de 1816.

Tenho a honra de participar a V. Exa. para conhecimento de S. M., que o inimigo, depois de trazer as suas tropas para D. Carlos, estabeleceo uo passo uma guarda forte, e um piquete no passo de Chafalote, e lançou pela Serra, em direitura ao Defuncto-Souza, e dáli a Maturanga, duas partidas, de 50 homens cada uma, naõ se adiantando comtudo até a Canhada-grande; como eu disse a V. Ex*. no meu Officio de 19 o fariam.
Fig. 13–  Contra o caos, o impulso primitivo e voluntarismo do herói singular levantava-se e agia a máquina militar da ERA INDUSTRIAL ordenada, formal e da massa humana impessoal. Maquina que necessita de um SISTEMA UNÍVOCO e LINEAR de ENTRADA, ELABORAÇÂO e SAIDA no interior do grande DESIGN das ESTRTÀGIAS, da LOGÌSTICA e das TÀTICAS descritas e impostas pelos manuais militares. Na Campanha  da PROVÌNCIA CISPLATINA o exercito do BRASIL estreitava SISTEMA UNÍVOCO e LINEAR da ordem unida treinada antes do embarque. A rígida hierarquia era marcada por uniformes, condecorações e armas provenientes da linha de produção em série das máquinas da ERA INDUSTRIAL.

Em conseqüência, ordenei ao Major Manuel Marques de Souza[1] (que tem tanto de official bravo e benemérito como de subordinado) marchasse na noite de 22 com 80 soldados da Legiaõ de S. Paulo e Milicias do Rio-Grande, a recolher alguns gados; e que observasse o inimigo batendo-o, se lhe fosse possivel; e fiz marchar, na noite de 23, 50 cavallos da Divizaõ, e cheguei com elles, para o apoiar, a Castilhos, na tarde de 24, a cujo tempo me participou o mencionado Major Marques, ter batido completamente o inimigo no passo de Chafalote nesta manhaã, causando-lhe a perda de 20 prisioneiros, inclusos 2 tenentes 15 a 19 mortos e muitos feridos.


[1] Major Marques de Souza avô de Manuel  MARQUES de SOUZA (Conde de PORTO ALEGRE) https://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_Marques_de_Sousa

MANUEL MARQUES de SOUZA Futuro  Conde de Porto Alegre
Fig. 14 –  O avô Major Manuel Marques de Souza permitiu ao neto - com o mesmo de Manuel Marques de Souza (1804-1875)  o futuro Conde de Porto Alegre - tivesse o seu batismo de fogo na luta contra as guerrilhas de Artigas.  Já maior e oficialmente engajado se destacava na sua ação na Campanha da PROVÍNCIA CISPLATINA. Partiu de Montevidéu para o Rio de Janeiro, em 1821, para levar ao jovem príncipe Dom Pedro na ocasião de sua maioridade a solidariedade sul-rio-grandense. Nas sucessivas campanhas militares no território do Rio Grande do Sul manteve esta lealdade ao poder do Estado brasileiro. Isto não impediu ser um ativo abolicionista. Lição certamente aprendida no Uruguai[1] para onde fugiam os escravos brasileiros..

Eu tinha ordenado ao Major Marques, que assim que se lhe apresentasse o inimigo, o carregasse, sem lhe dar um so tiro, o que elle executou; e conseguio por isso desbaratar uma força para cima de 300 homens, armados de boas clavinas Francezas, e espingardas e sabres Inglezes, mas sem a menor disciplina. Armas corriame, 400 cavallos, as malas de alguns officiaes, inclusa a do seu commandante Muniz, com alguns papeis de espionagem e correspondencia de recursos, ficaram em nosso poder. A falta de cavallos nos impossibilitou de dispersar todo este corpo, o que aconteceria se o pudéssemos reguir por tres marchas. Dizem os prisioneiros que, Fructuoso Ribeiro entrou ha dias em Montevideo, a pacificar os moradores daquella praça, que se oppunham á saida de parte da guarniçaõ para Maldonado; que mataram alguma gente; e que quatro paizanos, que trouxe da praça seriam fuzilados antes de hontem em S. Carlos ; tudo isto se acabará em chegando o General; e avançando-se com toda a rapidez que convém, se esqueça de uma vez tanta attençaõ e grandes medidas para um inimigo, que he fazer-lhe demaziada honra o têllo em outra conta, que nao seja a de guerrilhas fracas, mal sustentadas e peior governadas. Principiam a vir desertores do inimigo; antes de hontem apresentáram-se 4; e dizem continuarão a vir muitos, principalmente dos que servem nos corpos de cívicos, arrancados de suas casas, da forma que ja mencionei a V. Ex.cia. no meu officio de 13 do corrente. Os mesmos prisioneiros dizem que Fructuoso Ribeiro passara antes de hontem com toda a sua força o passo de Chafalote, e parece ter juncto 900 homens, que conservando-se no mencionado passo o poderei incommodar de uma forma tal, que fique de todo escarmentado.
Fig. 15 –  Hipólito José da Costa (1774-1823)[1] era homem urbano nascido na cidade de Colônia do Sacramente. As suas  experiências das cidades de Rio Grande, Porto Alegre, Coimbra e Washington e sua residência em Londres onde editava o Correio Brazilense, o induziam a perceber e  julgar o seu tempo, lugar e sociedade elo viés urbano. Do meio rural provinham apenas informações que ele moldava conforme o se repertório urbano. No Uruguai 97,5 % dos seus habitantes estão residindo, e março de 2017, no meio urbano. Estes mitificaram e guardam uma imagem poética do campo e transformaram em mitos as realidades do meio rural que já não são mais da sua vivências diárias.

O redator do Correio Baziliense não podia deixar passar a ocasião para emitir suas reflexões. A cidade de Colônia do Sacramento era o seu lugar de nascimento. Ele nasceu   após esta cidade voltar domínio espanhol. De lá sua família migrou ao Rio Grade do Sul para ele fazer os seus estudos em Coimbra.

VOL. XVIII. NO, 106. 11  p 298 Miscellanea
Fig. 16 –   Os Voluntários de Rei travaram a BATALHA da INDIA MORTA[1]  no dia  19 de novembro de 1816 no seu caminho terrestre para tomar Montevidéu. Ali entraram no dia 20 de janeiro de 1820. Porém este ato pouco significava diante da atomização  da PROVÌNCIA CISPLATINA em cujo interior não surgia alguém capaz de constituir um governo que representasse a maioria do povo desta região.

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Reflexoens sobre as novidades deste mez.

REYNO UNIDO DE PORTUGAL, BRAZIL E ALGARVES.

Guerra do Rio-da-Prata. A p. 294 copiamos as noticias officiaes, que se publicaram no Rio-de-Janeiro, e que naõ parece serem tam desfavoráveis como as gazetas lnglezas nos tem querido representar.
Fig. 17 –  Liderados por Carlos Frederico LECOR os Voluntários do Rei entraram em Montevidéu np  dia 20 de janeiro de 1820. A  PROVÌNCIA CISPLATINA uma espécie de PROTETORADO do BRASIL  enquanto não surgisse um governo que representasse a maioria do povo desta região. Porém este  poder brasileiro não ia Uruguai profundo onde agiam as mais diversas configurações políticas e interesse de toda ordem. A pintura de Gilberto BELLINI (1908-1935)[1]  é um século posterior ao evento e constitui uma mera ilustração imaginada  pelo  jovem artista uruguaio desaparecido precocemente.

 Artigas, como nós sempre conjecturamos, que elle havia de fazer, abandonou Monte-Video e a  costa do Rio-da-Prata, para ir obrar com o maior de suas forças nas margens do Uruguay; e portanto he natural, que logo que o exercito Portuguez tenha occupado Montevideo, ou o tenha reduzido a assedio regular, proceda o General Lecor a ajunctar-se com o General Curado, e encontrarem assim, com o grosso do exercito Portuguez, as forças de Artigas postadas pelas Missoens, ou no Uruguay; dahi, se Artigas for derrotado, passará para o interior até Santa Fé, ou cerca disso, aonde talvez seja difficil alcançallo, mas também as suas hostilidades naõ poderão montar a mais do que a pilhagens e roubos, que pelo despovoado daquellas paragens tem em todos tempo sido fáceis aos salteadres, que se disfarçam com o nome de contrabandistas. Pela parte de Missoens, aonde se acha Artigas com as suas maiores forças, tem havido algumas acçoens, de que naõ ha conta nenhuma official publicada; porém as noticias particulares dizem, que o Ten- Cor. Joze de Abreu desalojara os inimigos da foz do rio Ibicuy aos 22 de Septembro a postara as tropas Portuguezas de seu commando em Japeja, que fica ja na margem direita do Uruguay, Refere-se também outro ataque entre as tropas Portuguezas, e as de Artigas aos 3 de Outubro, na parte das Missoens, mas naõ se diz o lugar nem particularidades, unicamente, que os Portuguezes ficaram vencedores. Sobre isto todos os dias lemos nos Jornaes Inglezes, ainda nos de melhor nota, noticias de rumores improváveis e contradictonos: por exemplo em uma das gazetas da tarde veio uma noticia, que Se dizia copiada do original Hespanhol, segundo a qual o exercito do Brazil fôra derrotado por Artigas, no povo de Sancta Maria, em Missoens, e que dali fugiram os restos destroçados para Monte Alegre.

Ornem primeiro lugar, naõ ha naquellas paragens povo, lugar, cidade nem villa, ou monte, que se chame Monte Alegre; e se quem arranjou aquella noticia, pela ignorância da topographia do paiz, chamou Monte Alegre á villa de Porto-Alegre, he preciso que expliquemos, que tal fugida para tal lugar se naõ podia verificar, pela grande distancia, que ha entre as Missoens e Porto Alegre, e porque entre esses dous pontos ha muitas outras povotçoens, como Rio-Pardo, &c.; e no caminho se encontram estradas, que vam a diversas partes da capitania do Rio-Grande „ e assim éra impossível averiguar, ou poder dizer, que as tropas fugitivas das Missoens iam para Porto Alegre, ou como os taes jornaes lhe chamam Monte Alegre. Se nos quizessemos valer de nossas informaçoens particulares a este respeito; diríamos, que Artigas tem ja perdido 5 000 homens; naõ obstante ter armado os negros e os índios, e que o exercilo do Brazil se acha de posse de todas as Missoens, e espera quea direita possa passar de Monte-Video, para obrar conjunctamente com a. columna do centro, que marcha por Cerro-Pelado. Diríamos mais, que o motivo porque a esquerda do exercito se acha tanto mais adiantada do que a direita, he porque as tropas que formam esta columna, saõ as que fôrara do Rio-de-Janeiro; e que desembarcando em Sancta Catharina, e marchando por terra para o Rio-Grande, em vez de ir por mar desembarcar em Madonado, se atrazaram era tempo quatro mezes, e em distancia mais de duzentas legoas. Devemos também mais dizer aqui, que o motivo porque estas tropas desembarcaram em Sancta Catharina, naõ foi porque os Inglezes se oppuzesem á expedição, como muitos Jornaes em Londres affirmáram, mas por motivos locaes, e resolução dos mesmos Chefes da expedição. Isto posto, julgamos que muito pouco ha que temer de Artigas. E quanto a Buenos-Ayres, posto que se tem dicto em Londres, que I» declararam a guerra ao Brazil, com tudo tal noticia naõ havia no Rio de-Janeiro, quando de la saio o ultimo paquete. A p.291 damos um extracto das deliberaçoens do Parlamento Britannico, que julgamos mui importante os nossos Leitores porque se refere a este mesmo objecto da guerra no Rio-da-Prata. Breve como foi aquella discuçaõ na Casa dos Communs, patenteou alguns pontos, que podem servir para elucidar as vistas politicas dos gabinetes de Londres, Madrid e Rio-de Janeiro; e, em tanto quanto se pode colligir das respostas de Lord Castlereagh, as nossas conjecturas a este respeito, e que temos feito publicas nos N.ºs antecedentes, parece serem comprovadas.
Fig. 18 –  O diplomata inglês, Lord Castlereagh, se notabilizara no Congresso de Viena e estava ciente da rede de informações, interesses e monarquias que renasciam após as tempestades da Independência Norte Americana e da campanha inglesa que destruíra a capital Washington, da Revolução francesa e das campanhas nacionalistas de Napoleão Bonaparte. Evidente que  a PROVÌNCIA CISPLATINA era um ponto insignificante nesta enorme rede mundial da qual Londres manipulava os fios mestres. A ação do BRASIL no Uruguai não fugia do  macro controle  do Parlamento Britânico.  

Lord Castlereagh asseverou positivamente, que o gabinete Inglez naõ tinha sido por forma alguma comparte em algum tractado ou convenção, pela qual o Governo de Hespanha cedesse a S. M. Fidelissima o território de Monte-Video. Se porém existia ou naõ tal tractado entre as Cortes de Madrid e do Rio-de-Janeiro, Lord Castlereagh naõ deo resposta positiva, simplesmente disse, que naô julgava provavel.no presente estado de circumstancias daquelles dous Governos, que tal tractado existisse. Esta também tem sido ate aqui a nossa conjectura.
Fig. 19 –  A Inglaterra era a senhora dos mares. Esta condição fazia com que lh interessassem particularmente os extremos dos continentes pelos quais iriam navegar os seus barcos. No mapa acima a consolidação deste projeto e a colocação das bases do Commonwealth[1] oficialmente adotado em 1917, portanto um século depois. Uma das razões pelas quais  Hipólito José da Costa não querer a separação definitiva entre Portugal e o Brasil  era um paradigma lusitano semelhante aqueles que os ingleses estava construindo. De outra parte a existência do  Commonwealth pode explicar o BREXIT  em andamento em março de 2017.
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http://oglobo.globo.com/mundo/rainha-elizabeth-ii-assina-lei-que-autoriza-inicio-do-brexit-21069624

Outro ponto, que se agitou naquelle debate, foi a respeito de Lord Beresford, e dous dos membros, que falláram, parece que consideravam a serviços de Lórd Beresford em Portugal, como incompatíveis com a neutralidade, que o Ministro Inglez diz ser a linha de comportamento adoptada por este Governo^ para com a Hespanha e suas. Colônias Americanas. Nós temos ouvido dizer que Lord Beresford se naturalizara Portuguez; mas ainda que essa circumstancia se naõ tenha verificado, apenas se poderá dizer que o serviço de um official Inglez em Portugal, pelejando contra as Colônias lnglezas revoltadas, destrua mais a neutralidade da Inglaterra, do que o serviço daquelles Inglezes que estaõ empregados pelo outro partido nas tropas dos insurgentes, como saõ o Coronel Sir Gregory MfGregor, em Caracas, o Almirante Browne e outros muitos. Quanto ao objecto da moçaõ de Mr. Brougham, parecenos um pouco fora da practica ordinária; porque se houvesse com effeito um tractado entre as Cortes de Madrid e do Rio-de-Janeiro, sobre a cessaõ de Monte Video, naõ eram aquelles Governos sugeitos a dar contas disso ao Parlamento Britannico, e portanto naõ vemos como se podia pedir a Lord Castlereagh que apresentasse taes tractados na Casa dos Communs.


Na conclusão é necessário admitir que, em março de 2017,  as aparências, as leis e os tratados são  diferentes do que aqueles de março de 1817. No entanto em muitos aspectos a soberania tanto brasileira como todas as ex-colônias ibéricas gozam de fato e de direito de uma SOBERANIA de FAVELA.


[1]  Este Commonwealth estava previsto, de um certa forma,  desde a vitória da Revolução entre 1649 e 1653 quando , a monarquia foi abolida e, o país tornou-se uma república (denominada "Commonwealth of England"),
Fig. 20–   A Guerra Cisplatina durou entre 1816 ate 1827  O número crescente de envolvidos e a impossibilidade de encontrar alguém que o mundo pudesse reconhecer competente para formar, manter um governo acatado interna e externamente.  Nesta década de indefinições o BRASIL manteve a PROVÌNCIA CISPLATINA como uma espécie de PROTETORADO. Esta razão deixou de existir quando  as lideranças uruguaias  se entenderam e conseguiram elaborar uma constituição[1]   que representasse a maioria do povo desta região. O Brasil foi um dos primeiros a reconhecer esta npva soberania.

Os ex-colonizadores se retiram da visibilidade da cena, mas mantiveram o sistema colonial e escravista gerido na mesma lógica. Uma elite dominante e os seus eventuais sócios descartáveis mantém e hábitos de heteronomia pelo controle dos meios de comunicação, pelo capital especulativo e pelo desprezo de qualquer tipo de PODER ORIGINÁRIO que seja minimamente coerente om o seu TEMPO, o seu LUGAR e a sua SOCIEDADE concreta. A elite dominante e os seus eventuais sócios descartáveis desqualificam, tentam ignorar e se necessário tenta sufocar, por qualquer emergência de uma autêntica soberania nacional.

 Servem como instrumentos uma educação formal dominada e estéril e uma saúde populista para a qual faltam os meios anulados pela apropriação da mais-valia do trabalho praticam, sem os menores escrúpulos. O histórico - de séculos de colonialismo e da mais abjeta escravidão - legitimam e reforçam esta falta  de escrúpulos. Os índices de criminalidade, os desvios de conduta,  a aparente indolência e os eventos monumentais  são os pretextos exibidos na MÍDIA NACIONAL e INTERNACIONAL  para sufocar qualquer emergência de uma autêntica soberania nacional.


[1] = Promulgação da Constituição do URUGUAI em 28.06.1830 https://pt.wikipedia.org/wiki/Constitui%C3%A7%C3%A3o_Uruguaia_de_1830

The Nobe Smugglers Blown up Mr BROUGHAN & THE CONGREVE RIOCKEST - http://collections.rmg.co.uk/collections/objects/152945.html
Fig. 21 –  Os negócios escusos e as iniciativas dos  Nobres Contrabandistas Explodiram Mr BROUGHAN & THE CONGREVE ROCKET eram uma constante nos negócios npos quais se envolviam os britânicos. Lidando com interesses explosivos internos e apoiados externamente em interesses de poder exercidos por régulos regionais sem o menor escrúpulo  propiciavam cenas como os da caricatura acima. Diante destes fatos era natural a resistências das ex-colônias ibéricas confiar-se a estes aventureios. Os próprios norte-americanos haviam se envolvido em diversas guerras com estes “NOBRES CONTRABANDISTAS” depois de saquear e derramar o chá britânico no mar num dos seus portos.
[Clique sobre a  imagem para ler os balões das falas ]


De outra parte a cultura, a economia e a sociedade britânica está em luta permanente contra as suas teimosas elites. Porém persistem no imaginário coletivo britânico e no imaginário do seu Poder Originário a decapitação de vários dos seus reis e rainhas, a Revolução de 1649-1653, comandada por Oliver Cromwel (1599-1658)[1] e a deposição deste líder quando ele pensava estar senhor de  si e da situação.
Fig. 22 –  O mito José Gervásio ARTIGAS (1764-1850) ganhou singular força no final de século XIX quando muitos países sul-americanos passaram pelo mesmo processo. No BRASIL os pinceis de Vitor Meireles e Pedro Américo foram colodos a serviço das imagens dos heróis coloniais. No Uruguai o pintor  Juan Manuel BLANES (1830-1901)[1]  pintou, na década de 1880, a imagem de ARTIGAS (acima) do qual não existia retrato. Este era proibido pela administração colonial. O mesmo aconteceu na Venezuela  com o pintor Martin TOVAR Y TOVAR (1827-1902)[2] na busca das imagens dos fundadores do seu Estado Nacional,


Certamente José Gervásio ARTIGAS conhecia o destino destes lideres britânicos. Por isto preferiu seu exílio e morte no Paraguai. A sua mitificação posterior apenas preservou o seu pensamento. O pensamento de ARTIGAS é o que permaneceu e consolidou a soberania do Uruguai.

FONTES NUMÉRICAS DIGITAIS

ARTIGAS, José Gervasio




BLANES, Juan Manuel




BATALHA da ÍNDIA  MORTA em 19.11.1816




CARICATURA BRITÂNICA


  




CORREIO BRAZILIENSE de MARÇO de 1817







Governos e reis britânicos no século XIX







LECOR Carlos Frederico (1764-1836)




Lord Castlereagh  




 REVISTRA da TROPA DESTINADA à Montevideo

J.B. Debret, “Revista das tropas destinadas a Montevidéu, na Praia Grande, 1816”,
óleo sobre cartão colado sobre tela, 41,6 X 62,9




VOLUNTÀRIOS do PRINCIPE e TOMADA de MONTEVIDEU


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