sábado, 31 de março de 2012

NÃO FOI NO GRITO - 032




BRIC’s e AFRICA ou as IMAGENS
REMASTERIZADAS, em 3D, do COLONIALSMO.

Silenciosa e anonimamente o colonialismo infiltra-se novamente trans-vestido com macro-estruturas que mais tentam esconder do que revelar. 
Imagem alterada por José Augusto do jornal FALA BRASIL
Fig. 01 – As grandes populações de dois países do BRIC’s -  de mais de um bilhão de habitantes -  se parecem  este paquiderme comandado por um bando de primatas e um solitário corvo. Se a tradicional  violência da ESCRAVIDÂO LEGAL  p desapareceu formalmente, na prática  deu lugar a outras formas de dominação mais sofisticada e  implementada por seres mais aptos e prepardos pra “levar vantagem em tudo”
O Colonialismo requentado saudosista do seu próprio “passado de glória” está se aprontando - com a mesma mentalidade - mas munido com toda a sua parafernália eletrônica mediadora e mistificadora - para se apropriar, de novo,  daquilo que sobrou das ruínas da sua própria catástrofe social, política, militar e econômica das suas antigas colônias. Como entrou nestas colônias - sem contrato com a população local e se retirou sem contrato de forma unilateral - parece lhe que o episódio não se encerrou.  Neste novo e trágico “Sonho de Verão” está longe de querer contribuir honestamente e ajudar, agora. a quem já despojou uma vez de seu futuro e de onde já teve de bater em retirada na maior desonra e  banho de sangue.  Para iniciar o seu discurso - por cima e por fora - unifica numa visão pétrea, fixa e linear aquilo que ele julga serem os problemas “REAIS” do PODER ORIGINÁRIO. 

The Guardian em 22.03.2012
Fig. 02 – A ESCRAVIDÂO LEGAL foi substituída pelas novas formas de dominação  e que levam populações inteiras até a heteromia absoluta movida pelo fabricantes de armas e de estrategistas do terror do Estados hegemônicos que possuem dinheiro para produzir, comercializar e usar estas armas,
O colonialismo remasterizado saudosista no seu discurso por cima e por fora coloca o OUTRO sob denominação única e sob a égide do seu próprio projeto da eterna e indecorosa dominação. Arroga-se o direito - solitário e unívoco - para deliberar ou decidir antes, durante e após qualquer ação e sem o menor contrato celebrado sob qualquer luz natural ou artificial.

Augusto RODIN - Porta do Inferno - 1880-1917
Fig. 03 – O Pensador colocado na  PORTA do INFERNO   por Auguste RODIN é uma imagem da distância de um pensamento platônico e  a realidade empírica

O “Sonho de Verão” do Colonialismo remasterizado e saudosista denomina-se agora de BRICs. Este conjunto compõe-se basicamente de nações que sofreram as injúrias e as injustiças do colonialismo, da escravidão e do “apartheid” social, econômico e cultural, no seu passado recente, e mesmo continuam no presente. Tudo isto deve ser esquecido a favor daqueles que atingiram agora um invejável nível civilizatório, bem estar social e técnico. Mas que ninguém questione ou levante as fétidas origens deste estágio que deve ser mantido e, se possível, aumentado perpetuamente.

Foto de Stephen HALL na Etiópia
Fig. 04 – A ritualização da educação - e a sua imposição - não parte de um PODER ORIGINÀRIO orgânico que a considere como importante e nem ao menos significativa para o cidadão  constrangido a adotar hábitos, costumes coerentes com o seu modo de vida que levará pelo resto da sua existência. Muito menos é um ato civilizatório especialmente se é inteiramente formal. No Brasil, em especial as Missões Jesuíticas produziram parcos efeitos duradouros na medida em que se desfaziam as estruturas coloniais de dominação.  Mesmo o europeu civilizado, ao mergulhar de retorno às sociedades e culturas primitivas, adotou crenças, hábitos e mentalidade dos nativos chegando a prática da antropofagia ritualística dos primitivos ameríndios.,
 Certamente não cabe aos vizinhos do Hemisfério Sul questionar esta História. Contudo a História não se repete, a não ser sob uma farsa que, em geral, culmina numa tragédia como aquelas de 1929, de 1914 ou de 1870. Tragédias nas quais os PREJUÍZOS foram amplamente socializados, antes, durante e após estas catástrofes, com as colônias das nações afetadas. Contudo as metrópoles coloniais usufruíram os LUCROS  antes, durante e após estes eventos. Diante da contemplação das GLÓRIAS PASSADAS não falta ânimo para as novas regiões repetirem a fórmula. Este ânimo pela GLÓRIAS do PASSADO está associado ao PATRIMÔNIO IMAGINADO e que segundo Maquiavel ”os homens esquecem mais rapidamente a morte do pai do que a perda do patrimônio(O Príncipe[1] Cap XVII). Certamente os agentes ativos e diretos do Colonialismo já são “pais mortos” há muito tempo. Mas permanece viva  a sua cobiça....

Fig. 05 – Os monstrengos da ESCRAVIDÃO LEGAL  construiu - não só as atuais cidades inabitáveis – mas também impraticáveis no tempo presente. Contudo não adianta denunciar e caricaturar o mundo empírico se o mundo mental continua fabricar monstrengos como os BRIC’S e tornar a “AFRICA CELEIRO do MUNDO”, A mentalidade torna-se imediatamente realidade. Napoleão Bonaparte já registrava que “onde passam os DISCURSOS da GUERA... dez anos depois PASSAM OS CANHÕES”.
Os farsantes ou os candidatos a mágicos possuem como seu objetivo transverter os mesmos países que foram objeto do COLONIALISMO EUROPEU para atingir os mesmo objetivos.

TUBARÃO  em G1 em 19.03.2012
Fig. 06 – Antroposfera na admite concorrente algum e provoca ciúmes e mortandade em espécies que possuem alguma qualidade que o homem na possui mais.  Violência e a agressividade do dominador - visível nesta figura - fizeram prosperar a ESCRAVIDÃO LEGAL  para númerosas outras vítimas do sistema,
Estes mesmos farsantes ou os candidatos a mágicos estão projetando uma África ideal como sendo o celeiro do mundo. Realizam isto por meio de  um colonialismo requentado e sem perguntar aos seus milenares habitantes se querem ou podem ser este celeiro da humanidade. Neste meio tempo a escravidão evolui de métodos, formas e se transfigurou. Agora mantém os seus cativos nas pobres e miseráveis aldeias os seus habitantes e sem o holocausto visível no deslocamento destas populações. O esquema já está sendo implementado e permite vender sete rosas cultivadas na África, em Paris, abaixo de 2 euros.  O holocausto africano agora é realizado pelos gases dos mais fortes agrotóxicos, herbicidas e fungicidas químicos e no meio de paraísos floridos e cercados pela mais altas vigilâncias físicas e legalistas. As vitimas estão “livres” para morrerem sozinhas e desamparadas nas suas próprias miseráveis e pobres aldeias. Elas só percebem o logro e os prejuízos quando meliante já vai longe carregando as sis sua vidas, trabalhos e sofrimentos e falta de qualquer outra alternativa honesta e justa.

Artemisia GENTILESCHI (1593-1654) - Judith e Holofernes (1612)
Fig. 07 – Esta rara pintora feminina do século XVII evidencia nesta imagem a vingança contra violência e a agressividade do dominador pela aplicação da antiga norma do DENTE PELO DENTE – OLHO PELO OLHO. Ao poupar a vida ao seu inimigo a humanidade, ela abriu a porta para a ESCRAVIDÃO LEGAL, Contudo esta vingança tornou vitalício este estatuto. Assim que nascia escravo não tinha nada a ver como CRIME do PAI. É sabido que ESCRAVO NÂO LIBERTA ESCRAVO. Só projetos civilizatórios compensatórios da violência e instituições que se opõe frontal e contratualmente com a escravidão, podem reverter esta herança que renasce dentro das leis do darwinismo.

Capitais, que não sabem onde se esconder, transfiguram-se em argumentos irrestíveis na boca, mente e mãos de meliantes sem fronteiras e escrúpulos. Meliantes que invadem, virtual e depois fisicamente, as fronteiras nacionais. Ali praticam atos sem a menor consulta aos habitantes destes países e continentes.  Como inexistem contratos coletivos as suas façanhas criminosas são lhes possíveis praticar à margem e a revelia do PODER ORIGINÁRIO destas NAÇÕES e sem sanção de espécie alguma. O conhecimento, propiciado pelo Iluminismo e pela Razão, serve-lhes apenas para atilar, refinar e tornar mais poderosos e subliminares os pseudo contratos que estes criminosos exibem e usam como escudos legalistas.

n SPIEGEL 28.03.2012
Fig. 08 – O espetáculo grotesco da “CAÇA aos CORRUPTOS e BRUXAS” e as “CAMPANHAS da MORALIDADE PUBLICA” trazem de retorno os mesmos argumentos da SANTA INQUISIÇÃO. Em vez das fogueiras públicas medievais, os expedientes LEGAIS ILUMINISTAS SUPERLOTAM  CÁRCERES, longe dos olhos do público e atendidos por mercenários ao estilo de Abu Ghraib de  BAGDAD. Estes expedientes LEGAIS ILUMINISTAS possuem o dom de potencializar e até legitimar a violência e a agressividade, fazendo prosperar o caminho rumo à ESCRAVIDÃO LEGAL   como aqueles do regime nazista que iniciou, lenta e progressivamente,  até desembocar na barbárie mais primitiva e universal. A Rússia estalinista ou a própria Revolução Francesa haviam experimentado este caminho rumo à Natureza mais brutal e sinistra em nome e sob a cobertura destes expedientes LEGAIS ILUMINISTAS.

A idéia do BRIC vem de cima (Hemisfério Norte) e por fora. De fora e procedentes de países com graves problemas econômicos e Crise que é impossível negar. BRIC’s compõe-se basicamente de nações que sofreram, no seu passado recente, e mesmo no presente, as injúrias e as injustiças do colonialismo, da escravidão e do apartheid social, econômico e cultural.
Toda a comparação é odiosa. Tanto aqueles que foram incluídos ou excluídos do estapafúrdio BRIC. Dominados e caracterizados por agentes externos sem menor fundamento científico

Fig. 09 – O caminho rumo à Natureza é semeado de violência e a agressividade do dominador brutal e sinistro. Violência e agressividade constitui uma herança genética e que é reforçada por circunstância empíricas externas à esta herança. A civilização é um frágil verniz artificial, que cobre esta realidade herdada e condicionada e no interior da qual flui o poder, conforme demonstrou Michel Foucault. A competência da reflexão humana é desviada e distorcida, no seu foco, pelos interesses - mais variados e diretos - e construções mentais desconectadas ou longínquas de um ponto de equilíbrio homeostático entre todas estas forças em jogo a cada instante e a cada ação humana. Se este ponto se materializa, no cenário de uma civilização, raramente é reconhecido como tal no momento deste equilíbrio instável.
Nunca custa criar e impor coloridas “pirâmides” e armar expedientes nos quais os seus organizadores sempre saem ganhando. Assim conseguem socializar os seus atuais e crescentes prejuízos, ao mesmo tempo, esperar a colheita dos lucros que evidentemente ficarão exclusivamente só com os organizadores deste tipo de COLONIALISMO REMASTERIZADO.

Fig. 10 – A confiança demonstrada nas ferramentas e nos métodos - resultantes das aplicações da tecnologia mais avançada - podem ser corrompidos por variados interesses e construções mentais desconectadas ou longínquas do equilíbrio homeostático entre as forças em jogo a cada instante e a cada ação humana. As guerras, as armas sofisticadas e toda logística nas mãos de mentes criminosas podem corromper decisões políticas, étnicas, religiosas e que se expressam em números e cifras econômicas. Cifras que buscam escamotear, ao máximo, a sua origem no TRABALHO HUMANO digno e civilizado dos OUTROS.
  
FONTES:

FOUCAULT, Michel (1926-1984).  Microfísica do poder. Rio de Janeiro : Graal, 1995. 295.

Abu Ghraib
APARTHEID

BRIC’s

OPINIÃO NORTE AMERICANA sobre o BRASIL em 2012

REMASTERIZAÇÃO


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quinta-feira, 15 de março de 2012

NÃO foi no GRITO - 031




O HOLOCAUSTO AFRICANO e
SILÊNCIO dos JORNAIS do INÍCIO do SÉCULO XIX.

“Estima-se que cerca de 3 milhões de escravos  fizeram a viagem para o Brasil , vindos, sobretudo,  de áreas geográficas que atualmente formam a Nigéria, Angola e Cabo Verde”.


Fig. 01 – A violência e a agressividade do dominador - visível nesta figura - fizeram prosperar a ESCRAVIDÂO LEGAL  para números, métodos e uma cultura européia que contradizia todos os predicados de uma civilização. Violência, agressividade que extrapolaram e se projetaram subliminarmente  em hábitos e uma cultura contaminada pela raiz e que comprometem qualquer instituição, contrato social ou garantia de que não venham contaminar o presente.


O holocausto africano “não foi no grito” e sobre ele paira um silêncio lúgubre e que ninguém quer romper, até os dias presentes.
Diante deste holocausto africano não houve, até os dias atuais, denúncias conseqüentes e documentadas. Muito menos um pedido formal de desculpa pelos crimes deste holocausto e praticados contra a humanidade. A conivência foi universal e silenciosa e continua sendo. A cultura de valores eurocêntricos foi incapaz de encontrar em si mesma, formas de reparações, a altura, deste desviou universal. Segue-se a lógica de que no final das contas as vítimas eram os OUTROS. Quem praticou o crime foram OUTROS e que, afinal, nem eram do governo britânico da época e que até eram perseguidos por ele. Tudo volta ao curso normal e natural. O que transparece deste silêncio universal é o contrato subliminar e cínico “deixem às vítimas deste holocausto africano no seu merecido descanso”.

Fig. 02 – Os esqueletos de mãe e filho  na ILHA de SANTA HELENA  quando foram descobertos, por acaso, quando  das escavações para a construção de um aeroporto neste ilha solitária onde Napoleão Bonaparte passou os seus últimos dias e onde morreu

O holocausto africano, ao exemplo do judeu, do armênio e de tantas outras culturas, tardou em ser denunciado e quando o foi já era tarde demais. No entanto o holocausto africano nem ao menos foi denunciado.  O silêncio - que se formou ao redor destes desvios da conduta humana - se naturalizou. Naturalidade que aceita as atrocidades silenciosamente, sem publicidade e evita a luz dos fatos deste matadouro humano. Pior do que isto: todos os fundamentos da cultura material do Novo Mundo mergulham fundo no sangue, carne e sofrimento do cativo africano os seus fundamentos de seu primeiro impulso. 


Gravura do artista francês Jean Baptiste Debret (1768-1848)
Fig. 03 – A figura do  PATRIARCA  ostenta os poderes de vida e morte  especialmente sobre a existência, trabalhos dos seus escravos trazendo-os na mais absoluta heteronomia de sua própria vontade e os caprichos de sua família legal..

Abolida a escravidão legal, mais devastador é o traço de heteronímia da vontade e relativismo do direito e da justiça permaneceu nos hábitos subliminares da mais abjeta escravidão. Em todas as culturas americanas paira a heteronímia da vontade e o relativismo do direito de quem obedece e de quem  manda e se move face ao poder público e particular. As raízes dos problemas do ajuste de contas da cruel “Guerra da Secessão” (1860-1865) e a longa e penosa negociação e contrato para a saída, entre 1963 e 1965, do estigma social da segregação, da discriminação e do “apartheit” Norte-Americano, vieram embaçados nos porões dos cativos africanos. 



Gravura do artista francês Jean Baptiste Debret (1768-1848)
Fig. 04 – Alguns dos  sobreviventes das viagens mostram a intencional  mistura de etnias e culturas e línguas e disposto e distribuídos no território do Brasil para que lhes fosse impossível a comunicação recíproco dos cativos entre si mesmos,  a não ser nas formas do seu   PROPRIETÁRIO  Alem disto passavam violentamente do regime do plano social e político da tribo para a posse física da família da era agrícola.

A humanidade perdeu, ou está escondendo, o número dos cativos que foram embarcados na África. Estima-se que, só para o Brasil, foram embarcados ao redor de três milhões de seres humanos na condição de cativos absolutos e legais. O Novo Mundo foi um destino, do Norte ao Sul, de levas incontáveis destes cativos. A morte deixou um rastro de proporções assustadoras entre estas levas e que ninguém importava sequer o número. Numero que sumiu, contudo, convenientemente nas ondas do Atlântico que recebeu estes infelizes com um túmulo silencioso, e distante das  luzes da primeira era industrial. Ninguém sabe enumerar as mortes destes cativos, apesar de serem vítimas dos métodos em série da era industrial, da ganância cumulativa e da moral fabricada sob moldes convenientes para esta nova infra-estrutura. Era industrial que sob o impulso da série do acúmulo sem medida e da moral das meias verdades continua pródiga em holocaustos planejados por mentes sinistras e que se valem da linha de montagem para administrar a morte, a tortura e a barbárie. Linha de montagem de quem se julga com este direito. Linha de montagem planejada e executada, em série, com frieza e com determinação. As rotas marítimas dos navios negreiros – navegando sob as bandeiras  de todas as nações, que se diziam civilizadas, inauguraram esta linha de montagem sinistra, silenciosa e fora do alcance do olhar físico, moral e do qual pouco se sabe até os dias presente.
Esporadicamente, muito vezes por mero acaso, o problema emerge das profundezas oceânicas.  Acaso como aquele da necessidade de construir um aeroporto numa isolada ilha britânica do Atlântico. Acaso que ganhou manchetes em jornais britânicos em março de 2012, apesar de ser manipulado por meias verdades, com uma auto-piedade atroz e sem o menor efeito reparador de alguma das suas vítimas. 



Fig. 05 – Uma descoberta ocasional na  cidade continental africana de LAGOS  mostra o descarte puro e simples no  LIXÂO PÙBLICO,  dos corpos dos escravos.

Arqueólogos descobriram túmulos contendo corpos de 5.000 escravos em ilha remota.
Os africanos morreram , em 1800, sob custódia da Marinha Real depois de ser apreendidos em navios de mercadores de escravos, e foram enterrados em Santa Helena
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Arqueólogos britânicos da Universidade de Bristol descobriram em  valas comuns na ilha. de Santa Helena e Arqueólogos cuja capital é Jameston
Arqueólogos britânicos descobriram um cemitério de escravos contendo cerca de 5.000 corpos em uma remota ilha do Atlântico Sul.
Os cadáveres foram encontrados na pequena Santa Helena, 1.000 milhas ao largo da costa sudoeste da África.
Aqueles que morreram foram retirados de escravos negreiros pela Marinha Real em 1800.
Muitos dos cativos morreram depois de ser mantidos a bordo de navios britânicos em condições desumanas ou em campos de refugiados quando chegaram à ilha.
As escavações, realizada antes da construção de um novo aeroporto na ilha, revelaram os horrores do tráfico de escravos no Atlântico.
A rota tomada por navios de transporte de escravos da África para o mundo novo. era denominada de a Passagem do Meio
Era a segunda etapa de uma viagem triangular realizado por navios europeus. A primeira etapa seria envolvê-los tomar os bens manufaturados para a África, que eles iriam trocar por escravos.
Depois de os africanos foram entregues para os EUA, os navios levariam matérias-primas para a Europa.
Especialistas da Universidade de Bristol liderou a escavação. Um deles, o professor Mark Horton, disse: "Aqui temos as vítimas do Middle Passage - um dos maiores crimes contra a humanidade - não apenas como números, mas como seres humanos.
"Estes restos são certamente algumas das mais comoventes que eu já vi na minha carreira arqueológico."
Santa Helena foi o local de desembarque para muitos dos escravos capturados pela Marinha durante a repressão do comércio entre 1840 e 1872.
No início do século, Santa Helena, onde Napoleão Bonaparte foi exilado para. Morreu lá em 1821.
Cerca de 26.000 escravos libertados foram levados para a ilha, sendo a maior parte desembarcou em um depósito na Baía de Rupert.
Terríveis condições nos navios significava muitos não sobreviveram a sua viagem.
Vale de Rupert - uma via árido, sem sombras e sempre muito vento - também foi mal adequado para uso como um hospital e campo de refugiados para tão grande número




Fig. 06 –  O primeiro destino dos sobreviventes era o   MERCADO dos ESCRAVOS e cuja aparência e métodos  impressionaram o artista francês Jean Baptiste Debret (1768-1848)  

Os arqueólogos da universidade, até agora descobertos 325 corpos - em sepulturas individuais, múltiplas e massa - e esperam encontrar cerca de 5.000.
Apenas cinco pessoas foram enterradas em caixões - um adolescente e quatro bebês natimortos ou recém-nascido.
Os outros tinham sido colocados diretamente em covas rasas antes de ser rapidamente cobertos. Em alguns casos as mães eram enterrados com seus filhos.
Dr Andrew Pearson, da universidade informou que 83% dos corpos eram de crianças, adolescentes ou adultos jovens.
Os jovens muitas vezes eram matéria-prima para os comerciantes de escravos, que buscavam as vítimas em potencial com longas vidas úteis.
A maioria das causas de morte não pôde ser estabelecida sobre os corpos como os assassinos principais - a desidratação, disenteria e varíola - deixar nenhum traço patológico.
Mas os especialistas encontraram o escorbuto foi difundida em vários esqueletos e mostrou indícios de violência, incluindo dois filhos mais velhos, que pareciam terem sido baleados.
A equipe encontrou evidências de que as vítimas eram de uma cultura rica, com um forte senso de identidade étnica e pessoal.
Alguns conseguiram manter os itens de jóias, tais como contas e pulseiras, apesar de o processo físico de separação que teria ocorrido após a sua captura.
Um número de etiquetas de metal também foram encontrados nos corpos que teriam os escravos identificados por nome ou número.
Pearson, diretor do projeto, disse: "Estudos de escravidão geralmente lidam com números inimagináveis, trabalham em um nível impessoal e, ao fazê-lo, esquecem  as vítimas individuais. No Vale do Rupert, no entanto, a arqueologia nos traz literalmente cara a cara com as conseqüências humanas do comércio de escravos."
Artefatos escavados serão transferidos para a Liverpool para uma exposição no Museu Slavery International, em 2013. Os restos humanos voltarão  a serem enterrado em Santa Helena.


Este texto jornalístico, escrito por britânicos, esconde qualquer pedido formal de desculpas e muito menos sugere um mínimo de reparação. Textos desta natureza, que apesar de erguerem friamente uma ponta do crime só colaboram para a permanência das barreias da desconfiança recíproca que impedem ou escamoteiam qualquer em mínimoas condições para CONTRATOS dignos e válidos entre as partes.
Certamente a noticia, deste holocausto negro de tantas vidas, deve ter circulado, na época, entre jornalistas britânicos. Contudo  nenhuma linha transpirou, em forma impressa, tanto para a nação britânica e muito para outras nações, tanto na época como nos 200 anos posteriores
Assim afloram as condições miseráveis das tribos ameríndias, dos quilombolas e os tapetes humanos espalhadas pelo centros urbanos formadas pelas legiões de sem teto. O medo recíproco arrasta tempo afora este problema e que recebe recorrentes paliativos, menos a autêntica reparação, o reconhecimento formal do mal praticado no passado.

Um ponto no imenso Atlântico e túmulo da metade dos cativos que eram arrancados da África.  Aos poucos é possível desvelar o silêncio do CORREIO BRAZILENSE em relação aos africanos e a os ameríndios.


GAMES of TRHONES - CP 15.07.2011
Fig. 07 – O sonho subliminar cultivado pelo branco europeu do poder é sustentado ,  nos dias atuais,  pela  INDUSTRIA CULTURAL Sonho que expõe  as raízes de onipotência, onisciência e onipresença impossível e que se revela em  holocaustos, massacres e de guerras irracionais e sem ética. Os povos africanos foram e continuam sendo uma das vitimas deste sonho insensato
Mesmo esta versão dos fatos não é muito convincente, em março de 2012. Se de um lado se evidencia o desejo subliminar, deste articulista, de nobilitar a construção do Estado Britânico e sua Real frota do outro lado escancarar as corrupções das corporações mercantilistas britânicas. No combate entre o GOVERNO NATURAL e o GOVERNO CONTRATUAL. O GOVERNO CONTRATUAL é encarnado aqui, pelo Estado e sua frota marítima. O GOVERNO NATURAL encarnando-se nas antigas concessões das corporações  (terceirizações, como se diria no presente) que se corromperam ao se tornarem convenientes, tradicionais naturais e sem ética alguma.  O novo GOVERNO CONTRATUAL recebeu a missão  de eliminar o GOVERNO NATURAL corrompido em especial como os seus frutos do mal que era o monopólio do tráfego criminoso. Esta tarefa significava literalmente cortes na própria carne deste GOVERNO NATURAL corrompido. Ficava exposta - e evidente a todos - a triangulação na qual tirava proveito a primeira era industrial. Ela tinha um pé nestas organizações satanizadas agora ao destinar os seus produtos.
Os jornais e os seus jornalistas calavam este combate entre novo GOVERNO CONTRATUAL  e o GOVERNO NATURAL corrompido. Na sua prudência temiam que não era conveniente dar letra do forma a este novo projeto civilizatório. Na sua fragilidade poderiam transformá-lo num flagrante e definitiva derrota do novo GOVERNO CONTRATUAL. Esta prudência custou milhões de vidas, que afinal, eram definitivamente do OUTROS. No início do século XIX, o pesadelo britânico estava mais próximo, no outro lado do Canal da Mancha, e representado pelaFrança que organizou uma republica de malvados, que prometeu a toda a Europa as reformas porque os povos anelavam escrevia o Correio Braziliense (nº 46, p.380, de março de 1812). A África ficava muito longe desta lembrança e não contava nas “reformas porque os povos anelavam”.
Estes povos africanos permaneceram,  física e mentalmente, bem longe dos olhos, do coração e do sagrado direito de o europeu ser o centro do poder universal e o seu derradeiro juiz. Centro presumido, que se auto-atribuiu, até os dias atuais, a missão de levar a sua civilização ao restante do mundo, custasse o que custasse. Em vista deste projeto subliminar, o europeu continua, em março de 2012, a ser  conivente, desculpar e a tropeçar num GOVERNO NATURAL. Continua este projeto subliminar, a semelhança dos seus JORNAIS sobre o HOLOCAUSTO AFRICANO, do INÍCIO do SÈCULO XIX, mantido sob o máximo SILÊNCIO possível.
A Arqueologia está contrariando a onipotência, a onipresença e a onisciência européias, ao penetrar fundo nos vestígios deixados pelos povos africanos ao saírem da Pré-História. Afinal, a Pré-História é o capitulo mais recente da História.
FONTES

ESCRAVOS nas MÂOS OFICIAIS do GOVERNO BRITÂNICO
Archaeologists find graves containing bodies of 5,000 slaves on remote island
Africans died in custody of Royal Navy in 1800s, after being seized from ships of slave traders, and were buried on St Helena
·         The Guardian home Agency guardian.co.uk, Thursday 8 March 2012 16.41 GMT Article history

ESQUELETOS de ESCRAVOS no LIXO em LAGOS

A ESCRAVIDÃO e ARISTÒTELES

Um aeroporto para Santa Helena= para quê?


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domingo, 4 de março de 2012

NÃO foi no GRITO - 030



BRASIL em MARÇO de 1812.
ENTRE um GOVERNO NATURAL e 
um  CONTRATUAL

A experiência ensina ao homem sábio;
o estulto, nem com a experiência aprende”.
Correio Braziliense nº 46 p.379

Fig. 01 – A figura de COLOSSO  de Francisco José de Goya y Lucientes (1746-1828)  representado de costas, desatento com o seu observador e preocupado apenas consigo mesmo. A imagem foi criada nitidamente como uma emanação do natural e de uma monstruosa metáfora do EU romântico. Eu colossal, na sua mente. Mentalidade que toma em suas mãos fisicamente o PODER NATURAL. Realiza esta proeza - de se impor à multidão anônima e sem rumo - a pretexto de suas imaginadas capacidades naturais políticas, econômicas e sociais  Como se julga natural, descarta liminarmente a sua reinvenção a cada instante e lugar. Ao contrário: considera-se - a si mesmo eterno e  como um consenso válido no âmbito universal.

Existe um abismo entre um GOVERNO NATURAL e um GOVERNO CONTRATUAL.  O Brasil de março de 1812 estava se debatendo entre um GOVERNO COLONIAL NATURAL e um outro GOVERNO constituído de forma e natureza CONTRATUAL.  O governo COLONIAL LUSO considerava-se a si mesmo como legitimo a partir do pressuposto de ter “descoberto” esta região e, portanto, pertencente e devendo ser governado NATURALMENTE pelos europeus. No Brasil, dez anos antes de sua soberania e independência, pairava no horizonte a possibilidade de um GOVERNO CONTRATUAL como paradigma oposto ao GOVERNO COLONIAL vigente há três séculos. Enquanto isto despontava formas e bases que acentuavam o contraste entre um GOVERNO NATURAL e um GOVERNO CONTRATUAL, em regiões afetadas pela era industrial nos seus primórdios. Formas e bases alicerçadas nas necessidades das novas bases materiais, sociais, políticas e econômicas que este novo e inédito modo de produção impunha.
Entende-se aqui como GOVERNO NATURAL aquele que nada possui por dentro. Um GOVERNO NATURAL expressa-se - e se reproduz -   formalmente em rituais, em leis e em tradições herdadas de um passado mitificado. Esta estrutura comporta-se formalmente como a Natureza que na expressão do poeta Fernando Pessoa[1]a Natureza não tem dentro; senão não era a Natureza”. Os regimes naturais mitificam e se diz herdeiros de um passado no qual residiria sua pretendia alma. No  caso do Brasil a “descoberta pelo portugueses” alimentava este mito primordial. Este mito era embalado pelo doce hábito inquestionado da escravidão voluntária e recompensado pelo sentimento de irresponsabilidade, afastando, assim, qualquer sentimento de culpa ou algum pecado.

Fig. 02 – A figura de LEVIATHAN (1651) de Thomas Hobbes (1588-1679)  é  representada de frente, atenta com ao seu observador e preocupada com a multidão que o compõe seu todo na forma de mínimos fractais do seu todo gigantesco.  É nitidamente uma invenção mental e ideal, Como uma emanação mental e uma metáfora de um possível CONTRATO COLETIVO, impõe a sua reinvenção constante e em cada lugar.

No contraditório, um GOVERNO CONTRATUAL ostenta, age e se reproduz em função de um projeto. Projeto que o torna histórico a cada novo momento, responsabiliza e sanciona todas as ações.
No seu estertor o GOVERNO COLONIAL no Brasil inventava, em março de 1812, inimigos externos e históricos. O fazia para alimentar, embalar e dar uma sobrevida a este o mito de sua origem NATURAL. Inimigos imaginários e os tornava reais com o objetivo de acobertar a verdade da falta de sua alma. Para isto não faltavam pretextos. Reinventava confrontos constantes com a sua  rival ibérica na fronteira Sul duas suas posses terrenas. Nesta região da bacia o Rio da Prata existe uma incrível dança pelourinhos portugueses. Eles trocavam de lugar ao som da orquestra regida por vontades de papas, por reis, por ministros ou por generais no comando da Capitania Del-Rei de São Pedro.
A seguir acompanhamos mais uma forma de procrastinação lusa em revelar a falsidade do mito da origem do seu poder. Procrastinação em admitir que o PODER ORIGINÁRIO do Brasil estivesse em tempo e apto para possuir um GOVERNO CONTRATUAL de fato e de direito. O fazemos no Correio Braziliense no seu Vol VIII, nº 46, pp. 378 até 381, março de 1812, na seção Miscelânea
Reflexoens sobre as novidades deste mes.
BRAZIL.
Guerra com as Colônias de Buenos Ayres
As noticias recebidas este mez do Rio da Prata fazem menção de disputas, e até mesmo pelejas entre Hespanhoes e as tropas Portuguesas, mandada pel Corte do Rio de Janeiro a proteger o socego nas colônias Hespanholas, e parecem concordar estas informaçoens em que o exercito Braziliense, naõ obstante a concordia,entre o Governador de Monte-Video, e a Juncta de Buenos-Ayres,nao tem querido deixar Maldonado.
O caracter do Ministro, que formou o plano desta expediçaõ ; he bem conhecido de todos os Portuguezes, que, quando despacharam Manique Conservador das lamas de Lisboa; empregáram este Ministro no apropriado cargo de Inspector dos moinhos de vento

Fig. 03 – O cavaleiro da TRISTE FIGURA, criação literária,  concluída em 1615 por Miguel Cervantes (1547-1616) e representado por Gustavo Doré (1832-1883).O  HOMEM NATURAL de Sancho Pança  contrasta com a imaginada figura e deslocada, no tempo e no lugar, de um Dom Quixote. Este, imagina-se cavaleiro medieval e parte fisicamente pronto e disposto a investir contra tudo e todos - mesmo contra moinhos de vento - para a honra de sua Dulcinéia imaginada. A metáfora é NATURAL como as mentalidades e as ações e GOVERNOS que se sucedem no tempo e lugares. Governos que perderam a sua coerência como seu tempo e com o PODER ORIGINÀRIO que julgam representar e defender e pretexto de inimigos que estes governos se imaginam e inventam.

O character do general, encarregado desta expedicaõ, parece uma emanacaõ a mais pura do dicto inspector, porque foi ja Governador do Maranhaõ; (e nossos Leitores tem recebido essas noticias, pelo nosso periodico, da boa gente que para ali se manda); e entre outros actos de seu genio ; construhio um navio guadrado, a. custa da fazenda Real, em que gastou muito dinheiro ; e que por fim naõ pôde navegar, como todos prevêram, excepto o Sñr. Governador. Com tal ministro a fazer os planos, e com tal general para os executar; bem pódem os povos do Brazil conjecturar as vantagens, que tem de esperar de uma guerra tal.

Fig. 04 – O NÃO POVO  e considerado NATURAL como tal, atravessava o Atlântico  acumulados quadrados em navio negreiro e com seis escravos em metro quadrado. O que poucos ressaltam que estas embarcações navegaram sob bandeira e companhias britânicas, Quando navios e companhias perderam esta função de “negreiros” passaram a transportar imigrantes para “branquear” a América
Nós raras vezes fundamos os nossos raciocinios, e observacoens, em noticias naõ authenticas; taes como as que se receberam agora do Rio-da-Prata, em que se diz, que as nossas gloriosas armas, foram batidas pelos Hespanhoes, em vez de darem os seus golpes decisivos; mas realmente he isto taõ conforme ao que naturalmente se deve seguir do começo de taõ impolitica empreza, que naõ temos nenhuma difficuldade em o acreditar ; posto que por forma nenhuma apresentamos os factos como provados.

Fig. 05 – A fortaleza lusa  de COLÔNIA do SACRAMENTO (1680-1775),
O Politicaõ de Inglaterra, que tanto se tem esforçado em publicar a justiça, a sabedoria, e a providencia, desta medida de invadirem os Brazílianos o territorio Hespanhol do Rio-da-Prata, pareceo mostrar grande triumpho quando chegáram as noticias da accommodaçaõ de Buenos-Ayres com Monte-Video; e tanto mais, quanto se disse, que ésta pacificaçaõ éra devida ao terem ali apparecido as tropas do Brazil. Praza a Deus que essa paz seja mais sincera do que nos julgamos que he ; más comoquer que seja, nos fundamentamos nesse mesmo facto os reproches, que fizemos ao Ministro do Brazil; por rer emprehendido tal guerra ; porque se aquella concórdia foi motivada so pela apparencia das tropas estrangeiras; segue-se que os Hesparhoes temiam tanto a influencia desses estrangeiros; que julgáram conveniente esquecer-se de suas dissençoens domesticas, para se unirem em mutua defesa; e a repugnancia do general Portuguez em sahir outra vez do territorio, que lhe não pertence, e aonde entrou sem resistencia, prova que os seus temores naõ éram mal fundados. Mas o argumento do politicaõ he que esta ingerencia convem aos interesses do Governo do Brazil. He isto que negamos absolutamente.

Fig. 06 – O forte  de SANTA TERESA no atual território do Uruguai e próximo á Lagoa Mirim,
Se as fronteiras do Brazil, contíguas a éstas colônias Hespanholas, em estado de revolução, são felizes debaixo de seu Governo, naõ podem  os seus povos desejar imitar o exemplo de seus vizinhos,aonde o estado de perturbaçaõ, e de guerra civi, cauza encomodos e males que se naõ poderão ignorar; assim, o unico meio de impedir  o contagio he, o fazer com que os povos dessas províncias limitrophes sejam  cada vez mais e mais felizes, para lhes fazer desejar a continuação do seu estado actual, e aborrecer as mudanças, e novidades da outra nação. Ora perguntamos ¿ se o estado de guerra desnecessária , em que o seu Governo os põem , pode contribuir a uagmentar a sua prosperidade?
Supponhamos, que os povos da capitania do Rio-Grande do Sul, estavam desgostosos com a administraçaõ do seu Governo; e que era de temer que fossem illudidos com os gestos da liberdade, e independência de seus vizinhos Hespanhoes, fazellos entrar em guerra com elles he augmentar o desgosto da administraçaõ, em consequencia das oppreçoens que a guerra traz com sigo; e por tanto augmentar a inclinação a favor dessas novidades, que se passam entre os seus vizinhos.
  A experiência ensina ao homem sábio; o estulto, nem com a experiência aprende. Nós propomos aos Ministros do Brazil o considerar, com reflexão: qual foi cauza da destruição dos antigos governos da  Europa: e porque se vio o Governo de Portugal constrangido a emigrar para o Brazil. Isto nos levará a conhecer a linha de conducta, que o Governo do Brazil deve seguir, no estado actual das cousas; e relativamente as Colônias Hespanholas, que se acham em revolução.
A restauraçaõ das letras, e das sciencias, na Europa, fez conhecer aos povos os vícios dos antigos governos, fundamentados nos absurdos do chamado direito feudal : a vóz REFORMA retumbou de uma a outra extremidade da Europa; e ao mesmo tempo os gabinetes fizeram causa commum, para se oppor a todas as ideas de melhoramento.Todo sábio, que descubrio alguma falta nos governos, foi estigmatizado de perturbador: todo patriota que lembrou algum remédio ao mal, foi tractado como traidor; trocaram-se os nomes das cousas, o vicio foi chamada virtude, e a virtude vício. O primeiro governo que cahio victima desta impolítica luta foi o de França; e este paiz organizou uma republica de malvados, que prometteo a toda a Europa at reformas porque os povos anhelávam.

Fig. 07 – A FORTALEZA SANTA TECLA origem de BAGÈ – RS
He manifesto que a mudança na forma de governo, só por si, nunca podia remediar os abusos de que os povos se queixávam; mas como os governos naturaes naõ attendiam a nada que parecesse reforma, olháram todos para os Francezes como para a fonte de sua salvaçaõ. Os Governos em vez de illuminar os seus povos, mostrando-lhe que nenhum bem podiam esperar da Franca revolucionaria;e em vez de procurar por sí reformar os abusos de que os povos se queixávam com muita justíça; desembainháram a espada, e fizéram com as armas a guerra contra a opiniaõ. Succumbiram todos; excepto a Inglaterra. Naõ porque séja uma ilha; naõ porque as suas esquadras séjam mui numerosas; naõ porque séja mui rica: mas sim porque os Inglezes obram cordealmente com seu Governo; conhecem as felicidades que hao de perder se um inimigo externo os invadir; e portanto soffrem com paciencia os incommodos de uma guerra, que serve de lhe proteger os importantes direitos de que gozam.
Appliquemos ao Brazil esta triste experiencia da Europa. Os povos soffrem os abusos de um governo, se he possivel peíor que feudal, um despotismo militar: as colonias Hespanholas em revoluçaõ pôdem offerecer-lhe o remedio a estes males, com as mesmas promessas illusoriás dos Francezes na Europa ¿ e será o remédio a isto o seguir o mesmo plano dos governos da Europa; que por isso fôram derribados ? Que considerem os Ministros do Brazil ás difficuldades em que mettem o seu Soberano com taes conselhos. Poderaõ elles talvez impédir, que estas verdades não cheguem aos ouvidos do monarcha, ou dos- povos, mas com isso faraõ as consequencias tanto mais terriveis.


Fig. 08 – A rua pacífica de COLÔNIA do SACRAMENTOA fundada pelo portugueses na desembocadura do Rio da Prata e que foi lusa de 1680 até 1750. Cidade na qual nasceu Hipólito Jose da Costa redator de Correio Brazilense,

Sendo a revoluçaõ da America, uma guerra de opiniaõ, como tem sido na Europa; o remedio deve ser o mesmo. Nada ha mais fácil doque mostrar aos povos do Brazil a falsidade do páralogismo,que suppoem a mudança de forma de Governo remédio proprio aos abusos da administraçaõ. A forma de Governo que existe no Brazil  he a melhor que pódem ter, he a mais conforme ao character, custumes, e situaçaõ geographica da quelle paiz. Nós falamos assim, mostrando a nossa opiniao; porque desejamos fazer clara a grandissima distinçaõ entre forma de governo, e modo de  administracaõ.
Provado pois ao povo por meio dos escriptos, e theoreticamente, que actual forma de Governo he a que lhe convem; deve seguir se o mostrar-lhe que a administração está por tal maneira arranjada, que procura sinceramente a sua felicidade. Esta parte he a que se naõ póde fazer sinaõ com a practica ; porque naõ ha palavras que bastem para provar ao gotoso, que a gota lhe não dóe. Adoçar a sorte dos povos; abrir as portas às queixas; não suffocar as representaçoens qu fazem os indivíduos, attender à voz ou aos escriptos que proclamam a opinião publica: taes são as próprias medidas, que convencem os povos da bondade de uma administraçaõ.
Que importa ao individuo que ¿o seu oppressor séja o ministro de Luiz XVI que o manda para a bastilha pelo pretenso crime de antirealista; ou seja o ministtro do Directorio que o encerra no Templo, por ser antirepublicano? O que faz a infelicidade dos indivíduos, e dos povos, he a arbitrariedade das medidas, e o despotismo da administraçaõ: o nome do oppressor importa pouco ou nada.
Concluimos portanto, que o mal de que se teme o Governo do Brazil, e que diz o seu ministro he a razaõ de mandar tropas às colônias Hespanholas, naõ se cura com metter os povos nas dificuldades da guerra; mas sim com lhes procurar as felicidades da paz; principiando por uma reforma radical na admistraçaõ das provincias: porque nos parece evidente, que em quanto o systema for o despotismo militar; aonde se emprégam os validos da corte sem attençaõ a outra qualidade; nenhuma reforma, por mais util que se julgue pode ser permanente ; visto que sempre há de depender do capricho do ministro do dia ; ou do humor do Capitão General. Esta forma de administrar he mui boa para um exercito ; para uma naçaõ qualquer, he pessima.



Fig. 09 – O COLOSSO  - distraído e perdido nos seus devaneios e caprichos pessoas - é apresentado por Francisco José de Goya y Lucientes (1746-1828), em 1810,  como a Natureza o colocou no mundo. Seria apenas a imagem de mais um simples louco e alienado, se multidões não cultivassem secretamente a mesma mentalidade do retorno ao modelo da natureza bruta e dada. Esta mentalidade é induzida por governos que procrastinam soluções civilizadas e que levam os rebanhos humanos ao matadouro como é lei incontornável da Natureza dada e bruta

Na Grécia clássica esta distinção – ou confusão – entre  um GOVERNO NATURAL e outro GOVERNO CONTRATUAL e IDEAL já havia sido estudada e descrita por um dos maiores filósofos e com prática de conselheiro de governos. Esse esta vontade possui origem e interesse governamental pode- se aceitar  Platão, (1985,p.84) como
Cada governo estabelece as leis para a sua própria vantagem: a democracia leis democráticas, a tirania leis tirânicas e os outros procedem do mesmo modo; estabelecidas estas leis, declaram justa, para os governados, esta vantagem própria e punem quem transgride como violador da lei e culpado de injustiça

Certamente a sua máxima de observemos os astros e depois o deixamos em paz e façamos Astronomia” pode ser transposto “observem os povos e os seus governos que possuem e depois façamos Política”.
Contudo numa ciência digna deste nome, o retorno à realidade empírica é sempre possível.  Realidade empírica dos astros que brilham nos céus ou as multidões que sobem a palco da Historia. Certamente os tiranos gostariam de riscar este mundo empírico dos astros ou a identidade própria das pessoas com rosto, deliberações e decisões e reduzi-las a um céu fixo no qual eles são centro, e as multidões são reduzidas a um ente único e abstrato sem rosto, fixo e sem autonomia ou vontade própria. O prêmio que se oferece às multidões é aquele de não ser responsabilizado ou criminalizado pelos piores atos - que este coletivo cego, sem rosto, identidade própria ou deliberações próprias - vier a cometer. Esta heteronímia da vontade, do sentimento e do direito próprio  confere este prêmio ao conjunto que se costuma denominar povo, maioria ou multidão e que aguarda pacificado a solução final do matadouro coletivo.
Muitas formas de governo movem-se escondidos atrás desta fachada de procrastinação de soluções civilizadas.
A obediência cega à Natureza e à governos coniventes com a mentalidade que dela emana, é uma forma política e estratégica que esta multidão acha para dar livre curso aos mais baixos instintos. Depois, diante dos evidentes e previsíveis estragos, achar alguém e apontá-lo como culpado responsável pelo que acabou de praticar.
Em março de 2012 o Brasil ainda está na estrada de um GOVERNO NATURAL. Estrada pavimentada pelos rituais externos da contagem de votos compulsórios e sinalizada pela ciranda dos mesmos nomes e das mesmas mentalidades repetidas “ad nauseam” e naturalmente pelas mídias e interesses de sempre. Este GOVERNO NATURAL aposta na BOA ÍNDOLE, na vontade e satisfação do HOMEM NATURAL. Manobra massas alfabetizadas com o objetivo de mantê-las na heteronímia da Natureza. Mantém essas massas em GOVERNOS NATURAIS com validade datada por períodos. Períodos nos quais age solto e soberano,  apostando tudo para se manter-se, pelo maior tempo possível, sobre sela do touro bravio e natural. GOVERNOS NATURAIS que tratam a todos e a tudo, com atenção e seus olhos voltados para a sua próxima  reeleição ou no prolongamento por tempo indeterminado da sua própria hegemonia ou aquela da corporação a que pertence.


Fig. 10 – A paisagem natural ordenada de forma civilizada pela estadia do PODER ORIGINÀRIO LUSO de COLÔNIA do SACRAMENTO (1680) e cujos vestigios civilizados persistem,
Em março de 2012 -na metáfora dos ministros dos moinhos de vento e dos navios quadrados - os moinhos vento foram substituídos pelos aero geradores plantados nas mesmas fronteiras - em disputas sangrentas em março de 1812 - e os navios quadrados pontilham os mares na forma de plataformas petrolíferos. Se ainda falta ministro dos aero geradores e das plataformas marítimas, a verdade é que o poder originário continua a não possuir o menor contrato, alcance político para deliberar e decidir sobre este tema e tantos outros.
Contudo no campo das forças das artes a vigência desta heteronímia é determinante para o malogro da fortuna e do sucesso da pois “o produtor do valor da obra de arte não é o artista, mas o campo de produção”  Bourdieu, 1999, p. 259. Este campo de produção da arte ainda segue, em março de 2012, na heteronomia dos paradigmas de um GOVERNO COLONIAL NATURAL. Paradigmas de GOVERNOS NATURAIS que aprofundam, renovam e reinventam abismos nos quais jogam, matam e sepultam os seus pretendentes a artistas. Este paradigma contrapõe-se frontalmente com um projeto de um GOVERNO CONTRATUAL - em todos os tempos e todas as latitudes. Este último marca pela ARTE a sua ação CIVILIZADA e com a ARTE obra com o objetivo de sua permanência fértil e positiva na memória local e universal. 

FONTES.
CORREIO BRAZILIENSE nº 46 – março de 1812

FORTE de SANTA TECLA- Bagé
FORTE de SANTA TERESA -  CASTLHOS - Uruguai


PLATÃO ( 427-347) – A REPÚBLICA – Tradução di J. Guinsburg  1º volume . São Paulo : Difusão Européia do Livro, - 1985 - 238 p.    http://pt.scribd.com/doc/36631268/A-Republica-Platao-Vol-I

PLATÃO : COTEXTO do PENSAMENTO
TIRANIAS




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